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Dexter – A mão Direita de Deus

Falar sobre Dexter não é nada fácil, ainda mais para mim, que sou fã incondicional da série. Porém antes de ler o livro coloquei algo em minha cabeça e fica a dica para que vocês façam o mesmo. A série e o Livro apesar de ter os mesmos personagens e de uma ser baseada na outra, em momento algum deverá ser comparada, afinal cada uma tem o seu ritmo e suas tramas. A principio as tramas caminham lado a lado, e me senti como se estivesse revendo os episódios iniciais da primeira temporada, porém isso não durou muito. E é exatamente isso que torna o livro tão interessante, afinal, ele consegue nos mostrar uma nova história para nossos personagens.

Lembro até hoje quando me indicaram Dexter para assistir, me falaram “Você vai adorar a Debbie, ela tem uma boca suja”, caro André, no livro ela consegue ser mais! (rs) Assim como Debbie, no livro as emoções dos personagens estão mais evidentes, percebi um Dexter mais sombrio e distante, e um agente Doakes mais insuportável e Laguerta mais atirada para cima de nosso Serial Killer preferido.

Falar sobre a estória que nos conta o livro é um pouco banal, visto que essa é uma das séries de maiores sucessos e mais prestigiada dos últimos tempos (pelo menos pra mim), mas acredito haver pessoas que não tenham tido ainda o interesse em conhecer um pouco sobre Dexter. Sim ele é um Serial Killer e sim, nós adoramos ele. Querem saber o por quê? Simplesmente porque suas vitimas são os os assassinos de Miami, e com isso tanto os livros como a série faz com que nos sentimos vingados contra uma justiça ineficiente que mantém os bandidos fora das grades, enquanto nós passamos a ser os prisioneiros.

No primeiro livro conhecemos um pouco mais sobre Dexter e seu passado, o motivo que o fez ser quem ele é, e porque ele é um criminoso que tem a difícil tarefa de fazer “justiça” com as próprias mãos. Dexter é um personagem tão complexo que é praticamente impossível descrevê-lo. Até o momento vocês podem estar pensando que ele é um justiceiro, porém passa muito longe disso. Dexter, quando criança, viu sua mãe ser assassinada brutalmente e isso “quebrou” algo dentro dele.

Dexter foi criado pelo policial que o encontrou, Harry, que tentou ao máximo manter o lado sombrio do filho adotivo afastado, quando percebeu ser impossível, Harry ensinou tudo o que sabia a Dexter, principalmente como não ser pego e incutiu no filho essa idéia de acalmar a “Necessidade” matando pessoas que realmente mereciam, ou seja, Dexter não é um justiceiro e sim um criminoso que precisa saciar sua vontade de matar.

Por mais incrível que possa parecer, Dexter trabalha com a polícia, e se vê desafiado por um novo Serial Killer. O que Dexter não sabia, é que ele não foi o único a sofrer as conseqüências de um assassinato cruel quando criança, e o passado sempre volta para nos assombrar, colocando em perigo tudo o que construímos ao longo da vida, mesmo que seja baseado em mentiras.

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Cidades das Cinzas

Acho que a minha resenha do primeiro volume deixou claro que virei fã dessa série, e isso torna ainda mais difícil de resenha-la. Porém o segundo livro não me envolveu tanto quanto o primeiro, senti falta de ver, assim como no primeiro livro, nossos personagens em aventuras juntos. Até entendo que depois de toda a reviravolta e descobertas que encerrou o primeiro volume, seria impossível continuar da mesma forma. Achei que continuaria, o que não é de todo mal, afinal a série me surpreendeu, e adoro isso.

Ah, antes de continuar, essa resenha pode ter algum spoiler para quem não leu o primeiro livro, tentarei me policiar, mas se tratando de uma continuação é praticamente impossível. Aproveite e de uma lida na resenha de Cidade dos Ossos. Não vou me prender em contar sobre a estória, afinal os pontos principais já estão relatados na sinopse no início do post.

Logo de inicio, achei que a série tinha caido de qualidade, porém minhas expectativas estavam muito altas, e em Cidade das Cinzas a ação demora um pouco mais para aparecer, e como sou completamente afobado tive esse pensamento injusto sobre o livro (sorry!). Sabe o que disse de reviravoltas no primeiro livro? Esse não deixa a desejar em nada, alem de finalmente podermos ver Clary se transformando em uma Caçadora das Sombras, e sem contar que Jace continuou durante todo o livro um mistério para mim, e apesar de tudo confesso que ainda tenho um pé muito atrás em relação a ele, mesmo que pareça que o destino de ambos já esta sendo traçado eu não tenho mais a ilusão de tentar descobrir o futuro dos personagens.

No segundo volume, além de termos uma Clary mais forte e obstinada, conseguimos visualizar um pouco mais sobre o submundo e o mundo dos Caçadores das Sombras, além de que achei muito interessante o gancho que a autora deu a um dos personagens que mais gostei no primeiro volume, e era basicamente um coringa, Simon. Assim como a introdução de novos personagens e de finalmente conhecermos alguns, como os pais de Alec e Isabelle.

Algo que acho super interessante na série é a forma com que os personagens são construidos, Cassandra nos dá pouquíssimas informações sobre o passado de nossos personagens, e só com isso conseguimos identificar todas as qualidades e defeitos deles. Por isso ler os livros da série Instrumentos Mortais não é cansativo, apesar de ser detalhada em muitas coisas, é somente nas partes essenciais. E sabe qual é o grande problema que verifiquei nos livros da série Instrumentos Mortais? Em ambos os livros eu li com uma rapidez impressionante, e agora vou ficar angustiado um bom tempo esperando a continuação, e isso não é nada justo.

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Destino

Imagine viver em um mundo onde A Sociedade dita e controla toda a sua vida, como o que vestir, o que comer, onde morar, qual o seu emprego, com quem você deverá casar, quantos filhos vocês terão, o momento de sua morte. Pensando bem, não precisamos imaginar, já estamos vivenciando algo assim. Vestimos aquilo que está na moda e quem não conhece ao menos uma pessoa que deixou de expressar seu amor plenamente pois “A sociedade” não aceitaria esse tipo de romance, seja por diferenças físicas, financeiras ou por puro preconceito. Em Destino da Editora Suma de Letras isso é exposto de uma forma totalmente radical, porém é leitura obrigatória para todos os jovens, afinal devemos sair do padrão e viver nossa vida sem se importar com o que dita a sociedade.

Porém isso tem um outro lado, viver fora de alguns padrões é impossível e praticamente inviável, ou vocês acham que seria simples viver em um mundo sem leis? O problema reside não no padrão ou na falta dele e sim quando algum desses itens tem pesos diferentes na balança. E é exatamente isso que Destino nos faz ver, e vivenciar. Afinal, quem não gostaria de uma vida simples, sem preocupações com vestibular, afinal a sociedade decidirá qual será sua profissão até o resto de sua vida, ou com problemas amorosos, afinal depois de ter seu par escolhido pela sociedade você só deve aguardar o momento do contrato, ou em envelhecer e se sentir sozinho, afinal a sociedade garante a você um trabalho até os 70 anos, e uma morte digna aos 80. Você não precisa nem se preocupar com o que cozinhar para comer, a sociedade manda sua refeição, preparada exclusivamente para você, até sua casa. Aprender? Só o essencial, afinal para que saber fazer uma atividade que você não vai utilizar? Musicas, poemas, histórias, arte… fique tranquilo só existe 100 de cada, afinal como poderíamos apreciar algo enquanto somos sobrecarregados com os excessos. Sabe o que é melhor? Você não precisa esperar seu par se vestir para sair, todos usam roupas iguais, sem contar que são todos belos, graças a manipulação genética. E existe um toque de recolher… mas isso é o de menos, certo?

Para Cassia parecia completamente certo, ate que teve o banquete onde finalmente conheceria o seu par, e não poderia ter sido uma escolha melhor, Xander, seu grande amigo de infancia (caso raro os pares serem do mesmo local) e tudo parecia perfeitamente bem até ela verificar o cartão de informações do par (não que precisasse conhecer mais Xander) e teve uma grande surpresa, por um breve momento o rosto no terminal não era o de Xander, e sim de um garoto misterioso, Ky. Que por incrivel que pareça, Cassia também conhecia, porém não muito bem.

A Sociedade cometeu um erro, será que ela não é tão perfeita como aparenta? Cassia começa a ter dúvidas, afinal como toda adolescente que vive nos tempos de hoje, quando dizem a ela que Ky não é o seu par e nunca poderia ser, Cassia passou a enxergar Ky como ele realmente é, e dai para surgir um sentimento mais forte bastava um passo. Mas será que vale a pena dar esse passo e arriscar toda a segurança e estabilidade que a Sociedade proporciona a Cassia e seus familiares e amigos? Vale a pena arriscar isso por amor? Se vale a pena, não posso afirmar… mas afirmo com certeza, ser impossível lutar contra um sentimento tão forte.

Destino é ao mesmo tempo um livro simples, porém as reflexões que ele nos proporciona ao ler são complexas. Um tipo de livro que a cada leitura poderá te mostrar algo novo, te fará pensar de uma forma diferente. Destino é uma leitura obrigatória, garanto que não irá se arrepender.

A Disney já tem os direitos de adaptação do livro, e em breve vamos poder vê-lo no cinema. Aproveitem para seguir o twitter do livro (@livrodestino) e visitar o site, onde você pode fazer o teste para descobrir quem é o seu par (http://www.asociedade.com.br/)

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Amanha

Vou confessar que minha primeira reação ao conhecer sobre o livro foi de total indiferença, porém ao ver algumas resenhas e acompanhar algumas discussões via twitter do livro fiquei muito interessado em ler e fui atrás de mais informações. Caso você esteja na mesma situação em que estive a um tempo atrás, conselho, dê uma chance ao livro, com estória e personagens envolventes John Mardsden consegue nos prender cada vez mais a trama, estou em crise de abstinência para ler os próximos livros.

Ellie e um grupo de amigos resolvem acampar durante um festival que haveria em sua cidade, no acampamento acabamos conhecendo um pouco mais sobre cada um dos personagens, de uma forma superficial, afinal vamos conhecer do que cada um é capaz mais adiante. ao retornar do acampamento o grupo de amigos percebe que algo está diferente, a cidade está deserta e suas casas abandonadas como se seus pais tivessem saido para ir ao festival e não retornaram, o que é exatamente o que houve.

Achando tudo muito estranho, o grupo de amigos resolvem ir até o local da feira para saber o que houve, chegando lá descobrem que o local fora transformado em um quartel e que seus familiares estão sendo mantidos refém, seu país está em guerra, e nenhum local agora é mais seguro que o Inferno (local do acampamento).

O mais impressionante é o crescimento dos personagens em uma situação como essa, onde seus objetivos de vida mudaram completamente, mas ainda assim continuam sendo adolescentes. A trama é narrada em primeira pessoa por Ellie, que foi incumbida da tarefa de anotar tudo o que estava acontecendo.

A forma com que os personagens foram construídos e as sutis mudanças que passam no decorrer da estória para virarem verdadeiros guerreiros é impecável. Preciso falar também do acabamento do livro, a capa é perfeita mas a maior surpresa que tive foram as páginas, são todas estilizadas a Editora Fundamento está de parabéns. Sabe o que é melhor na estória? São 7 livros! E estou completamente doido para devorar cada um deles.O livro foi adaptado para o cinema, e já tem mais 2 continuações garantidas.

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Desenrola

Essa não é uma tarefa fácil, afinal esse é um livro voltado principalmente para as meninas, mas achei interessante poder visualizar esse outro lado e relembrar de algumas histórias dessa fase um tanto tumultuada mas muito boa. Como disse a uma grande amiga, gostaria de ter lido esse livro quando era mais jovem, seria de grande ajuda para saber como as meninas pensavam (o que é uma tarefa praticamente impossível! Mas ajudaria).

Por ser voltado para um público mais jovem a leitura é muito simples e flui de uma forma muito rápida, e o fato de ser narrado em primeira pessoa, intercalando entre os personagens fez com que eu conseguisse me identificar com todos em alguns momentos e perceber que certas duvidas e “neuras” aparecem tanto nos meninos como nas meninas.

Priscila é uma branquela esquisita que fica sozinha em casa após a mãe sair de viajem (quem nunca sonhou com isso quando era jovem? Pois é, ela estava no paraíso) e vive andando por ai com um Walkman (sério, isso existiu, e pensar que algumas pessoas nunca ouviram falar dele me dá medo, estou ficando velho mesmo) que encontrou enquanto remexia as coisas de sua mãe. Prisicila está disposta a botar seu plano em prática, perder a virgindade com “O Cara”, que nem sabe de sua existência.

A trama tem como pano de fundo um trabalho escolar onde Priscila, Caco (seu grande amigo), Tize (irmã dO Cara)e Boca (comédia!) resolvem fazer um levantamento sobre a quantidade de meninas que já perderam a virgindade (“quem já liberou a perseguida”, by Boca) em sua escola.

Se você analisar friamente a trama, pode até pensar que são abordados assuntos “batidos”, porém esses assuntos não ficam realmente ultrapassados, se você acha isso, sinto muito lhe informar… mas você (está velho) já passou dessa fase. Muitos podem pensar que não passam de uma outra versão de “Malhação”, na verdade é isso mesmo, uma outra versão, A Melhor, afinal os temas em Desenrola não ficam voltados a relacionamentos “amorosos”, onde uma garota quer o namorado da outra e faz de tudo para isso. Em Desenrola os assuntos retratados são realmente os que valem a pena. Se você está passando por essa fase é uma ótima leitura (ainda mais se for menina), se já passou vale a pena ler para relembrar.

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A Morte de Ivan Ilitch

Por meio de exímia editoração e perfeito trabalho de edição, a Editora Amarilys nos trás “A Morte de Iván Ilitch e outras histórias”, livro composto por quatro obras do célebre autor russo Lev Tolstói. Autor caracterizado por possuir um estilo simples e poético, Tolstói é um dos grandes nomes da literatura russa, sendo o fundador do “tolstoísmo”, sua doutrina própria que tem como fundamento e aspecto central a característica do escritor-moralista.

A novela que intitula o livro e que está presente em seu início é “A Morte de Iván Ilitch” e foi escrita em 1886. Nela são narrados, em um momento póstumo, fatos da vida de Iván Ilitch, advogado aparentemente bem sucedido e bem-casado. Entretanto, o que se descobrirá posteriormente, será a verdadeira frialdade do ser humano perante o sofrimento alheio. Enquanto Ivan Ilitch definha, por uma doença não diagnosticada precisamente, sua família dá atenção à assuntos diversos. O grande trunfo de Tolstói é o sublime final desta novela, que consegue nos surpreender e emocionar.

“Iván Ilitch ouviu essas palavras e repetiu-as na sua alma. ‘Acabou-se a morte’, disse consigo mesmo. ‘Ela não existe mais.’” – Página 104.

Abrangendo um tema mais social, em “Senhor e servo”, novela escrita em 1895, Tolstói nos apresenta a relação entre Vassili, um senhor rico e dono de terras, e Nikita, pobre camponês que serve fielmente a Vassili. Devido à ânsia de fechar um ótimo negócio, Vassili decide viajar numa noite nevada. Nikita, incumbido pela esposa de Vassili para acompanhá-lo até seu destino, o faz de bom grado. No entanto, essa viagem acabará sendo muito mais dura do que o imaginado, chegando ao ponto de tornar-se uma verdadeira prova de fogo para ambos os envolvidos, onde haverão sérias dúvidas sobre seus respectivos passados e a possibilidade ou não de futuro.

“Enrolada no xale até a cabeça, de modo que só seus olhos estavam visíveis, grávida, pálida e magra, a mulher de Vassili Andrêitch despedia-se dele no vestíbulo.” – Página 113.

Por sua vez, em “O Prisioneiro do Cáucaso”, novela escrita em 1872, vemos as provações de Jílin, soldado que, à caminho de uma visita à sua avó moribunda, é prezo e mantido em cativeiro pelos Tártaros. Devido a tal acontecimento, Jílin é vendido como escravo, e acaba tendo que sobreviver com poucas provisões e muito sofrimento. Entretanto, Jílin demonstra-nos a importante lição: faça o bem, que com o bem serás pago. Desta forma, mesmo enfrentando toda a sorte de dificuldades, Jílin as superas.

“Olhou para cima: as estrelas brilhavam alto no céu e, na boca da fossa, brilhavam os olhos de Dina, quais olhos de gato.” – Página 214

Findando o livro, encontra-se o conto “Deus vê a verdade, mas custa a revelar”, escrito no ano de 1872. Nele,conhecemos Aksiónov, honesto comerciante que, certo dia, durante uma viagem de trabalho, é acusado da morte de outro comerciante, o qual dormia consigo no mesmo quarto. Depois de revistado, e constatada a presença da arma do crime – uma faca – na bolsa de Aksiónov, ele é levado para a prisão e lá permanece durante muito tempo. Entretanto essa situação acaba abalando-se com a chegada de Macar Semiónitch, um condenado que guarda consigo um segredo.

“Aksiónov foi condenado ao castigo dos açoites e ao desterro com trabalhos forçados. E assim foi feito. Ele foi chicoteado; depois, quando as feridas causadas pela chibata cicatrizaram, foi banido para a Sibéria, com outros condenados às galés.” – Página 225