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Sensitivos

Ultimamente tenho lido vários autores nacionais, até então desconhecidos para mim, e confesso que estou ficando encantado com suas obras, não que eu duvidasse da capacidade de “nossos” autores, mas me prendia as obras mais conhecidas, hoje percebo as oportunidades que perdi de conhecer, anteriormente, várias boas obras como ”Sensitivos”.

Nossa protagonista, Sara Salim, é uma parapsicóloga que em determinado momento de sua vida adoece, com poucas chances de recuperação, Sara começa a aplicar em si própria as técnicas que estudava havia mais de 20 anos. E obtém resultados satisfatórios, com a intenção de contar sua história e quem sabe ajudar outras pessoas, Sara cria um blog, onde conta sua experiência.
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Mentes Roubadas

Mentes Roubadas é um romance policial, escrito por um brasileiro e ambientado no Brasil, ou seja, um livro totalmente tupiniquim, e que não deve nada às histórias estrangeiras. Como esperado de qualquer livro do gênero, Mentes Roubadas trás uma história permeada por diversos elementos como o mistério e investigação.

Possui uma narrativa muito bem amarrada que prende nossa atenção e aguça nossa curiosidade, fazendo assim com que mergulhemos na história e tentemos desvendar a mesma junto com seus protagonistas. Dois detetives pertencentes à Divisão de Pessoas desaparecidas da Polícia de São Paulo. Continuar lendo “Mentes Roubadas”

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Quarto Escuro

“A gente encontra nossa cara metade uma vez nessa vida! Não importa se aos 15 ou aos 50 anos. Quando acontece é para sempre. Feliz ou infelizmente eu encontrei muito cedo. Tenho que viver com as dores e alegrias desse encontro prematuro”.

quarto-escuroQuarto Escuro ( de Cláudia Taulis) foi um dos poucos livros que me “prenderam” ao final da primeira página. Mostrando um dia na vida de uma família de classe média da cidade de São Paulo, onde duas das três irmãs estão se arrumando para sair. Cláudia, 17 anos, irá levar Flávia, 9 anos, a uma festa de uma amiga, e irá ao cinema com seu namorado Marcus, 19 anos. Deixando de lado a demora de Flávia para se arrumar, tudo estava caminhando bem, porém a caminho da festa, as irmãs são sequestradas por engano.

Eduardo, um rapaz de 20 anos cujo sonho era fazer faculdade de jornalismo, muda – junto com sua familia – o rumo de sua vida, e entra para o mundo do crime. Pais, irmãos e o próprio são os responsáveis pelo sequestro das irmãs. O que Eduardo não previa era se apaixonar por Cláudia, e que seria correspondido.

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Desafio Literário – 12 livros escritos por mulheres para 2017

desafio-literario-2017

Resolvi criar meu desafio de leitura particular para 2017. Como disse no post anterior, tenho um projeto especial, que é sempre ler mais livros que no ano anterior. Dessa vez, além de ler mais livros que em 2016, escolhi um livro para cada mês que fosse escrito por uma mulher. Por quê? Em 2016 participei de um joguinho desses do Facebook, em que eu deveria listar os 15 autores que mais me influenciaram. Ao fazer a lista me dei conta da disparidade entre homens e mulheres e me entristeci.

Não se trata de que o número de escritores bons e influentes é maior que o de escritoras boas e influentes, mas trata-se de que nós não temos as mesmas chances de ler obras de escritoras. Basta pensarmos nas leituras obrigatórias das escolas, nas pesquisas feitas sobre escritoras nas universidades, no incentivo que as mulheres têm para escrever e, pensando em séculos passados, no fato de que as mulheres sequer tinham a chance de escrever. Resolvi, então, dedicar meu tempo de leitura a conhecer melhor as escritoras e suas obras. Continuar lendo “Desafio Literário – 12 livros escritos por mulheres para 2017”

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O Cerne Da Matéria

cerne-matériaDesde os primórdios dos tempos o ser humano tem consciência da complexidade e dos mistérios que envolvem sua existência e a do mundo que o cerca. Ao longo do tempo e da história todos nós fizemos as clássicas perguntas sobre de onde viemos, sobre como surgiu o mundo e do que ele e nós somos feitos, entre outras questões e dúvidas fundamentais. A curiosidade e a própria angústia de desejar descobrir a realidade das coisas tem movido a humanidade  a buscar respostas e explicações através da religião, da filosofia e da ciência. Em o Cerne da Matéria,  da Editora Companhia Das Letras, uma parte da história dessa busca por respostas nos é apresentada através do prisma da física de partículas.

A busca científica pela compressão do Universo e da matéria que originou a vida, por parte da física de partículas foi movida nas últimas décadas pela tentativa de comprovar a existência do Bóson de Higgs que ficou conhecida como partícula-Deus, a partícula que segundo os físicos  dá massa a todas as coisas.Para se comprovar a existência do Bóson de Higgs foi necessária idealização e o desenvolvimento de tecnologias para detectar essa partícula o que resultou nos aceleradores de partículas, e mais precisamente no mais moderno acelerador da atualidade o LHC, ou Large Hadron Collider que foi construído do CERN que é hoje o mais avançado centro de pesquisa em física e está situado em Genebra na Suíça. No entanto entre as primeiras ideias e descobertas dos físicos teóricos e o funcionamento pleno de aceleradores de partículas potentes houve uma longa caminhada.

E essa caminhada não é definida unicamente pela vontade  dos cientistas em descobrir e avançar no conhecimento das coisas. Os rumos e avanços da ciência dependem e ainda vão depender também de fatores como política, economia , surgimento de Guerras, e da própria barreira tecnológica.Todos esses fatores determinam, atrasam ou mudam os rumos das pesquisas.E todos os obstáculos gerados por esses fatores surgiram e tiveram de ser contornados e resolvidos para que a pesquisa pudesse atingir os patamares atuais.

Por se tratar de um livro de base científica, escrito por um físico teórico sobre um assunto tão complexo e controverso, poderia se esperar o texto fosse primordialmente um texto técnico e voltado para estudiosos da área, em outras palavras, poderia se esperar que esse livro fosse terrivelmente entediante para os leigos que se aventurassem em sua leitura.Não é o caso do livro de Rogério Rosenfeld.O Cerne da matéria é um livro acessível e compreensível a todos os públicos. Apesar de em muitos momentos  vários conceitos e termos da física serem apresentados e analisados, o livro tem um viés mais histórico e popular no melhor sentido do termo. A física nesse contexto acaba por se tornar mais compreensível e interessante para aqueles que não são estudiosos da área.

Essa desmistificação e tentativa de aproximar o grande público dos propósitos , avanços e até das limitações da física de partículas é extremamente necessária diante do fato que naturalmente ficamos apreensivos quando pensamos no desenvolvimento e na manipulação científica de elementos e tecnologias que podem resultar em coisas perigosas e danosas como bombas atômicas, ou qualquer outra arma ou tecnologia que possa oferecer riscos ao planeta ou serem usados para matar e ferir em massa.

Essas ideias de uma ciência perigosa ou com propósitos malévolos  que pode estar no imaginário popular desperta reações e atitudes alarmistas e sensacionalistas nas pessoas, estejam elas bem ou mal intencionadas. Na introdução do livro um desses exemplos de divulgação alarmista com efeitos trágicos é dado. Após ver notícias sensacionalistas na mídia por ocasião do início do funcionamento do LHC que segundo alguns poderia dar início a eventos catastróficos na Terra, uma jovem indiana cometeu suicídio. Um exemplo triste de como o nosso medo e incompreensão diante da ciência podem resultar e tragédias e equívocos.

A descoberta do Bóson de Higgs aconteceu e foi um passo importante para a ciência, mas pouco se sabe ainda sobre o Universo, a vida e a matéria se levarmos em conta a imensidão das questões sem respostas. Apesar de ter contribuído indiretamente para o desenvolvimento de tecnologias e avanços científicos a pesquisa nessa área  é movida pelo simples desejo e busca pelo conhecimento humano,  o que para muitos talvez não justifique o investimento de milhões de dólares que a pesquisa demandou até hoje e demandará para que possa prosseguir.

Nosso cotidiano, nossa vida na prática não vai mudar com a descoberta da existência do Bóson de Higgs.De modo geral a pesquisa científica em muitos aspectos pouco elucidou os mistérios da existência, mas as paixões, os desafios e as dúvidas que movem a ciência e o espírito humano não podem ser evitados e ignorados, nem muito menos serem vistos como desnecessários.Essa busca deve continuar com humildade e com bom senso e também com o conhecimento do que se fez e se tem feito no campo científico.Diante disso o livro de Rogério Rosenfeld é um instrumento eficaz e interessante para leigos que querem dar os primeiros passos rumo a esse propósito.

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Crônicas Escolhidas

 

machado de assisNão há dúvidas de que Machado de Assis é um dos maiores escritores da Literatura Brasileira. Suas obras tiveram bastante reconhecimento quando o autor ainda era vivo, algo não muito comum entre escritores e artistas. Ainda hoje seus livros são leitura obrigatória nas escolas de ensino básico e superior. Intelectuais, analistas e críticos se debruçam sobre sua vida e obra a fim de entender melhor o contexto e a genialidade que levaram Machado de Assis ao posto de principal escritor de nossa Literatura.

Os debates ao redor de seus romances são inúmeros. O mais famoso e inconclusivo – “Afinal, Capitu traiu Bentinho, ou não?” – se refere à história do livro Dom Casmurro. Mas a difusão de suas obras passa por adaptações para filmes, séries, teatro, novela. Além disso, diversos escritores foram inspirados e influenciados por Machado. Ou seja, é impossível falar em Literatura Brasileira e não se referir a esse grande escritor.

Porém, se seus romances e contos são muito conhecidos e divulgados, suas crônicas talvez não tenham recebido ainda a atenção nas mesmas proporções. Curiosamente,  Machado de Assis dispôs desse gênero de escrita durante praticamente toda sua vida de escritor. Paralelo ao seu trabalho no funcionalismo público e à produção de seus livros, Machado também trabalhava contribuindo com jornais do Rio de Janeiro, escrevendo crônicas sobre a sociedade carioca e o cotidiano nessa cidade. Entretanto, essa diferença de tratamento entre suas obras de ficção e suas crônicas (se podemos fazer essa distinção de gêneros) não se deve à falta de divulgação das segundas. Ao longo dos anos, diversas coletâneas foram publicadas, na tentativa de apresentar ao público esse outro lado do escritor. A mais recente publicação nesse sentido foi feita recentemente pela Penguin & Companhia das Letras, com seleção, introdução e notas de John Gledson. Trata-se da antologia “Crônicas Escolhidas”. São 49 textos entre os inúmeros escritos por Machado de Assis, nos quais ele fala sobre as mudanças pelas a sociedade passava, o cotidiano e as reformulações da política e das instituições.

John Gledson é um pesquisador inglês, foi professor de estudos brasileiros na Universidade de Liverpool. É possível dizer que ele é um especialista na obra machadiana, tendo publicado no Brasil três livros sobre o escritor, além de ter traduzidos várias de suas obras do português para o inglês. Nessa antologia, mais que as crônicas selecionadas, Gledson oferece um panorama contextual dos textos, a partir de uma introdução para cada um deles, além das notas de rodapé. Seu objetivo é auxiliar na compreensão das crônicas que, obviamente, foram escritas em momentos bastante específicos. De fato, em muitos casos, nossos conhecimentos históricos não seriam suficientes para compreender a quem ou o que Machado se referia. Nesse sentido, os comentários feitos por Gledson são essenciais para a leitura do livro. Machado de Assis escreveu cerca de 14 séries de crônicas no período de 1859 a 1900 – são muitas! São textos carregados de ironia e inteligência, como bem conhecemos de outros trabalhos do autor. Para essa antologia, John Gladson selecionou apenas 49 crônicas, todas elas após o ano de 1880 e a maioria escrita na última série, “A Semana”, publicada no jornal Gazeta de Notícias. Algumas foram assinadas por Machado de Assis, outras por pseudônimos, outras simplesmente não foram assinadas, mas era de conhecimento geral quem as escrevia.

Como foi dito, Machado abordava temas diversos em suas crônicas. Mas além de questões cotidianas, uma preocupação era constante: a brasilidade. O escritor defendia que esse gênero literário deveria tomar contornos verdadeiramente brasileiros:

“(…) Escrever folhetim e ficar brasileiro é na verdade difícil.

Entretanto, como todas  as dificuldades se aplanam, ele podia bem tomar mais cor local, mais feição americana. Faria assim menos mal à independência do espírito nacional, tão preso a estas imitações, a esses arremedos, a esse suicídio de originalidade e iniciativa.”

(Machado de Assis – O Folhetinista. – Em: Crônicas Escolhidas, p. 47)

Essa era preocupação de Machado não se limitava à escrita. Por diversas vezes, vemos em suas crônicas uma inquietação com “as coisas do Brasil”, especialmente diante das rápidas mudanças trazidas com tecnologia. Mas outros temas apareciam em suas observações cotidianas: o modo como as pessoas se comportavam, o que interessava à sociedade da época, as questões políticas do momento.

Nesse sentido, essas crônicas nos oferecem um ponto de vista privilegiado sobre a sociedade brasileira, concentrada no Rio de Janeiro, no século XIX. Um belo material não só para literatos, mas para estudiosos da cultura ou para quem simplesmente tem curiosidade em conhecer um pouco mais sobre aspectos “informais” da nossa História. Obviamente, levando em conta que se trata de um ponto de vista, de uma interpretação da sociedade e não um relato fiel da mesma, já que as interpretações são sempre múltiplas e partem de referenciais distintos.

Esse livro é, portanto, uma boa indicação de leitura para aqueles que querem além de tudo isso, ter contato com uma faceta diferente do maior escritor da Literatura Brasileira. Crítico, inteligente, cheio de humor: é como Machado de Assis que se apresenta em suas crônicas. Um convite de viagem à sociedade do século XIX feito aos leitores machadianos novos e antigos!

 

 

Crônicas Escolhidas

Autor: Machado de Assis

Seleção: John Gledson

Editora: Penguin & Companhia das Letras

Páginas: 336