Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)

Ser mulher não é fácil. Somos tratadas como inferiores por alguns, que acreditam que não temos a mesma capacidade de executar tarefas como os homens. Ser mulher e negra é algo muito mais difícil.

Imagine ser uma mulher negra, nos anos 60 nos EUA, no auge da segregação racial. Viver em um local onde ser racista não era crime não facilita em nada  a vida das mulheres negras. A segregação não permitia que os negros utilizassem os mesmos locais que os brancos. Banheiros, escolas, igrejas não eram compartilhados. Onibus, trens e repartições públicas possuiam uma área exclusiva para negros, e eles não podiam sentar ou entrar na área reservada aos brancos (geralmente maior, mais confortavel e com as melhores condições).  Continuar lendo “Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)”

O verdadeiro terror no filme Corra!

Fazia tempo que eu não ia ao cinema. Digamos que os filmes do momento não têm me chamado atenção. Além disso, na cidade onde vivo hoje em dia, infelizmente há poucas opções de cinema, então basicamente assisto filmes na minha casa mesmo. Porém, comentários na internet sobre o filme Get Out – título traduzido no Brasil como Corra! – me chamaram a atenção. “Como assim um thriller em que um homem negro é aterrorizado por pessoas brancas? Sobre o que é realmente esse filme? Preciso ver!” Devo dizer que também não sou muito fã de filmes de terror, mas pela primeira vez em muito tempo me animei em ir ao cinema.

Antes de contar minhas impressões sobre o filme, considero importante dizer que não sou crítica de cinema. Uma análise mais técnica e especializada precisará ser buscada em outras fontes. Aqui eu posso oferecer apenas uma opinião de espectadora e interessada em temas abordados no filme, como o racismo. Dito isto, podemos começar com um breve resumo para situar quem não faz ideia de que filme é esse. Continuar lendo “O verdadeiro terror no filme Corra!”

Mulheres, raça e classe – Angela Davis

Abril foi um mês de grande aprendizado para mim, com a leitura de Mulheres, raça e classe, da Angela Davis. Foi o livro escolhido para meu Desafio Literário: 12 livros escritos por mulheres para 2017, aproveitando a oportunidade para começar a preencher o vazio acadêmico deixado pela minha formação em Ciências Sociais.

Como contei para vocês na publicação anterior, a escolha de Angela Davis para essa lista não foi aleatória, eu tinha (e tenho) sede de aprender um pouco mais sobre todos os temas que ela aborda e a tradução e publicação desse livro foi mesmo um presente. Mas não se desanimem pensando que esse é um livro com toda a densidade e dificuldade da linguagem acadêmica. Angela Davis nos oferece uma aula muito didática sobre racismo, feminismo e luta de classes, o que permite que qualquer pessoa que tenha esse livro em mãos entenda com facilidade seus argumentos. Continuar lendo “Mulheres, raça e classe – Angela Davis”

Desafio Literário 2017 – abril: Angela Davis

Chegou o momento de falar sobre minha leitura de abril, do Desafio Literário: 12 livros escritos por muheres para 2017. Como sempre, antes de falar sobre o livro e minhas impressões da leitura, quero falar rapidamente sobre a autora e o porquê de ter escolhido ela para minha lista.

Quando pensei em fazer uma lista de 12 livros escritos por mulheres, decidi que incluiria livros que não fossem literários, pelo seguinte motivo: nós temos uma defasagem IMENSA nas escolas e universidades quando se trata de ler e estudar temas que tenham sido invetigados por mulheres. Eu fiz um curso de Ciências Sociais, imaginem vocês, um curso da área de Humanidades, que se propõe a debater diferentes pensamentos e teorias sobre a sociedade, a política, as organizações sociais. Teoricamente deveria haver uma pluralidade de vozes abordando todos esses temas, certo? Mas durante meus quatro anos de graduação e mais dois anos de mestrado, eu posso contar quais foram as poucas vezes que nos aprofundamos em uma obra escrita por uma mulher. Mais ainda, eu posso dizer quando nos aprofundamos em um livro escrito por uma mulher negra: NUNCA. Parece chocante? Na verdade não muito, quando nos damos conta de que a estrutura da universidade ainda é machista e racista. Continuar lendo “Desafio Literário 2017 – abril: Angela Davis”