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Hora Zero – Agatha Christie

Antes de tudo, quero avisar que será impossível falar sobre esse livro sem dar spoiler. Então resolvi dividir esse texto em duas partes. Na primeira, vou apresentar o livro e falar de uma maneira mais superficial, para quem tem interesse em saber sobre o que se trata, mas não quer saber o final. Na segunda parte vou falar sobre o que, para mim, é o ponto principal do livro, com um olhar um pouco mais atencioso para a obra, mas não posso fazer isso sem dar informações importantes sobre a história. Então, se você odeia spoilers com todas as suas forças, leia só a primeira parte (eu avisarei quando você deve parar de ler). Mas se você não se importa com isso, leia até o final.

A Hora Zero

– Gosto de um bom romance policial – disse ele. – Mas, como se sabe, eles sempre começam do ponto errado! Começam pelo assassinato. Só que o assassinato é o final. A história começa muito antes – com todas as causas e circunstâncias que levam as pessoas a certos lugares, num certo momento e num certo dia. […] – Todos se dirigem a um determinado local… E aí, quando chega a hora: o ponto máximo! A hora zero. Sim, todos convergem para a hora zero… Para a hora zero… – repetiu. (p.11-12)

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Desafio Literário 2017: junho – Ágatha Christie

Chegamos à leitura do mês de junho do Desafio Literário: 12 livros escritos por mulheres para 2017. É metade do ano, metade das leituras e uma experiência incrível até agora!

Junho foi o mês que li Hora Zero, da Ágatha Christie. Como tenho feito todos os meses, antes de falar sobre o livro, quero contar o porquê de ter adicionado essa autora à minha lista. A Ágatha Christie foi uma das escritoras que me influenciou, no sentido de ter alimentado meu gosto pela leitura. Houve uma fase da minha vida, durante parte da infância e adolescência, em que li muitos livros escritos por ela, devorava um atrás do outro e acredito que ter me deparado com essas obras que despertavam em mim a vontade de continuar lendo, foi algo essencial na minha formação como leitora. Continuar lendo “Desafio Literário 2017: junho – Ágatha Christie”

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Uma história simples, de Sch. I. Agnon

61f4bdaac7914dda21fe9452d08cfd5b9d081915Gostaria de analisar sucintamente o romance Uma história simples, de Schmuel Iossef Agnon, observando, a partir dos personagens (habitantes da cidade fictícia de Shibush), as transformações que foram ocorrendo na sociedade judaica tradicional do leste europeu no início do século XX.

Agnon é um dos autores mais relevantes para a literatura hebraica moderna. Existem muitos estudos a respeito de sua obra, que é extensa. Seu modo de escrever é bastante contido, sem nunca estabelecer julgamentos, deixando essa tarefa para o leitor. Sua ironia e crítica aparecem de maneira bastante sutil e inteligente, por isso muitas vezes o leitor pensa que ele considera aceitável algo que é julgado pelo próprio leitor como moral ou eticamente incorreto. Agnon é um autor que em suas obras faz uso dos elementos da tradição de maneira a apresentar as mudanças pelas quais ela passa.

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O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 2

insurgente(Atenção! Contém Spoilers!)

Na primeira parte deste artigo, apresentei um pouco o enredo da história e Tris, a personagem principal. Também escrevi a respeito de como a autora conseguiu desenhar a sociedade de sua ficção, mostrando-nos que o fracasso social e político deve-se à natureza má e caída do homem. Nesta segunda parte, pretendo dar prosseguimento às minhas considerações, analisando outros trechos da trilogia à luz do cristianismo. Se você não leu a primeira parte, poderá encontrá-la aqui. Continuar lendo “O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 2”

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O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 1

divergent

 (Cuidado! Contém Spoilers!)

Ultimamente tenho dado oportunidades a certos autores que, em outras épocas, eu teria rejeitado. Descobri recentemente uma escritora chamada Veronica Roth, autora da trilogia Divergente. Li o primeiro (de mesmo nome) e o segundo (Insurgente). Esta semana vou comprar o último (Convergente), mas a curiosidade já me levou aos spoilers, por isso poderei comentar aqui também sobre o desfecho dessa história.

Decidi escrever a respeito dela porque pude perceber uma cosmovisão bastante bíblica, apesar de o romance em si não ser considerado propriamente cristão ou teológico. Ele considera como pressuposto a doutrina da depravação total do homem e o fracasso do ser humano ao tentar consertar o problema da humanidade com base em seu próprio conhecimento. Continuar lendo “O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 1”

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Dias de Abandono – Elena Ferrante

Imagine que você é uma mulher por volta dos seus 40 anos. Um casamento de 15 anos, dois filhos, um cachorro que você tem que cuidar, apesar de nem gostar tanto dele assim. Praticamente toda sua vida adulta até agora se resume em criar os filhos e adiar seus planos e sonhos pessoais porque, ao contrário do seu esposo que conseguiu alavancar a carreira mesmo sendo pai, você ficou estagnada profissionalmente após se tornar mãe.

Sua principal tarefa é cuidar dos filhos e do marido. Mas um dia esse homem resolve ir embora sem dar maiores explicações. Simplesmente pega suas coisas e sai de casa. Te abandona com seus filhos e com a loucura de tentar entender o que aconteceu.

Você consegue imaginar tudo isso? Talvez você já tenha passado por algo semelhante. Mas se não passou, consegue se colocar no lugar dessa mulher? Elena Ferrante faz isso no livro Dias de Abandono. Ela entra na cabeça dessa mulher e constroi uma personagem que narra com detalhes seus sentimentos após ter sido abandonada pelo esposo. O resultado é um livro sufocante. Continuar lendo “Dias de Abandono – Elena Ferrante”