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Brasil Mitológico

Para além de Monteiro Lobato: Uma leitura de Raízes de Vento e Sangue de Lauro Kociuba

Não sou muito ligada a livros de fantasia fantástica brasileiros. Muito, porque fui condicionada a interagir mais com as mitologias estrangeiras (quem não foi?). São milhares de vertentes que descrevem épocas, costumes e, por que não, interações sociais de povos muito muito distantes daqui como, por exemplo, os escandinavos, chineses, mongóis, japoneses, germânicos e por aí vai. Em que estante habita a identidade cultural brasileira? Continuar lendo “Brasil Mitológico”

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The HandsMaid`s Tales

Nos últimos anos a mídia tem falado muito sobre feminismo e totalitarismo no mundo atual. Com essa avalanche de informações, e claro, pessoas pesquisando e falando sobre, fez com que a TV também buscasse utilizar isso no entreternimento.

Mas ao contrário de muitos filmes, que decidiram colocar a mulher como personagem principal e salvadora do mundo, a série The HandsMaid’s Tale chega trazendo esse tema através de um mundo distópico, onde as mulheres são mais inferiorizadas que atualmente.

A série e o livro se baseiam em um mundo onde as mulheres já não conseguem dar a luz. A maioria se tornou estéril e as que conseguem engravidar possuem um alto nível de abortos espontâneos. A raça humana está finalmente se extinguindo.

Um grupo radical religioso toma o poder nos Estados Unidos e recria  o país com o nome Gilead. Com bases bíblicas do velho testamento, eles voltam a por a patriacardo no poder e as mulheres devem obediência a eles. Elas são separadas por castas, com códigos de vestimentas e cores.

Como em qualquer distopia, as proibições são grandes. Nada que enalteça os 7 pecados capitais é permitido: produtos industrializados não são mais comercializados, nada de revistas ou livros, televisão, e por aí vai. Mas o pior está nas decicisões das atividades das mulheres: aquelas que conseguiram ter filhos e não faziam parte da seita, são obrigadas a copular com os homens para engravidar.

Basicamente, elas são estupradas todo mês, até que engravidem. Após o nacismento, o filho é retirado de seus braços e passa a fazer parte da família que ela reside. Após a amamentação a aia é enviada para outra família e voltar ao ciclo estupro/gestação/amamentação.

Não é uma história bonita, é dolorosa e crua como as distopias de Orwell (1984) e BradBury (Adimirável Mundo Novo).

Nada novo, tudo transformado

Atwood não inventou códigos de postura e vestimentas para a sua história, tudo foi baseado em situações que já aconteceram em alguma parte do mundo. Em entrevista dada há alguns meses, Atwood falou:

“Organizar pessoas de acordo com o que elas vestem é uma vocação humana muito, muito antiga, data do primeiro código legal conhecido, o Código de Hamurabi, que dispunha, por exemplo, que “apenas damas aristocráticas tinham o direito de usar véus”. “Se uma escrava fosse apanhada usando um véu, a pena era a morte. Usar o véu significava fingir ser quem ela não era.”

A cor vermelha foi escolhida por diversos motivos, uma delas está na religião, que sempre retrata Maria com vestes azuis e Maria Madalena com vestes vermelha. Em relação a concepção de crianças, isso vem do nazismo e outras decisçoes políticas:

“Há muitas utopias e distopias de base econômica, mas essa vai direto à raiz absoluta: quantas pessoas existirão em uma sociedade? Como essas pessoas serão concebidas?” Tiranos como Hitler e Ceausescu ditaram regras para a fertilidade em seus países e trataram como criminosos quem não as cumprissem. “Não foi por acidente que Napoleão proibiu o aborto. Ele desejava que as mulheres tivessem filhos para que não faltassem soldados.” acrescenta Atwood.

A série é produzida pelo canal de streaming Hulu e tem dado o que falar. A série, muito bem produzida, possui um roteiro diferente do livro, mas ainda assim Atwood afirma que as mudanças são seguidas de precedentes históricos, tornando a série cheia de detalhes e passível de realidade.

Vale a pena conferir a série e questionar os reais valores das mulheres, não só na história, mas também nos dias de hoje.

 

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As Casas de Pablo Neruda

Pablo Neruda foi um poeta chileno, nascido em 1904. Ele foi um dos grandes nomes da literatura latino-americana e mundial, ganhador do prêmio Nobel em 1971. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas e até hoje o poeta é celebrado por causa de seus livros, como os renomados, “Canto Geral” (1950), “Memorial de Isla Negra” (1964), “Confesso que vivi” (1974), entre outros. Continuar lendo “As Casas de Pablo Neruda”

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Sociedade Cruel – Porque Precisamos da obra Os Miseráveis

Enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século – a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância – não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis.

Victor Hugo 1862

Há 155 anos atrás Victor Hugo escreveu a obra prima de sua carreira, levando a vidad e uma pessoa que cometeu um pequeno erro e como sofreu por toda vida por esse erro. Esse livro se chama Os Miseráveis.

A História de Jean Valjean relata como o sistema penitenciario corrompe os miseráveis e como o judiciário e a comunidade não permite aqueles que cometeram algum crime voltem à sociedade. Por onde Jean Valjean andava, era obrigado a mostrar um passaporte amarelo que informava que ele era um criminoso e havia sido solto. Por mais que Valjean se esforçasse e mostrasse isso, aquele passaporte o marginalizava. Continuar lendo “Sociedade Cruel – Porque Precisamos da obra Os Miseráveis”

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Conversa Franca – Chris Cornell e Nossa Atuação sobre o Suicídio

A última quinta feira (18) começou com um gosto amargo na boca. Logo ao acordar ler a notícia que uma das melhores vozes do rock havia falecido foi um susto tão grande quanto às notícias recebidas referente ao Governo Federal na noite anterior. Perder Chris Cornell foi um baque, mas para mim, a tristeza maior foi quando informaram que ele tirou sua vida.

Cornell começou sua carreira nos anos 80 com a banda Soundgarden, um dos grandes nomes do grunge ao lado do Nirvana. Durante um tempo no início dos anos 2000 fundou o Audioslave e mais uma vez sua voz inigualável e sua interpretação impecável colocou a banda nas paradas de sucesso. Lutou por anos contra as drogas e brigava constantemente com a ansiedade, uma doença que nos faz temer o futuro constantemente. Continuar lendo “Conversa Franca – Chris Cornell e Nossa Atuação sobre o Suicídio”