O brilho deliberado das coisas (por Serena Franco)

Você diz vagalumes não são estrelas,

não são olhos de bicho,

não são fagulhas perdidas,

não são enfeites de festa, você diz

o voo deliberado dos insetos é sempre pra cima
Mesmo desconhecendo todos os motivos
também seguimos em frente a cada dia

Desbravando o desconhecido das palmas da mão
& degustando nossas feridas no palato
& delirando sobre o cotidiano lotado
& erguendo castelos de areia
como as mais belas mentiras em que vivemos dentro

Você fala do amor humano
Como se não existisse nada equiparado
mas só sei pensar em vagalumes
Como pedaços da aurora
Como fogo fátuo
E em como todas as palavras
e histórias e livros que contamos uns aos outros nunca serão lembrados

Eu te daria todas as flores se você as recebesse de mim
mesmo minha pele tão tímida
mesmo meu sopro tão fraco

Mesmo os vagalumes não sendo

Migalhas de luz,

Fogos de artifício,

Velas de aniversário

Ou toda a esperança que prendemos
em potes de geleia no topo do armário

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