Mulheres, raça e classe – Angela Davis

Abril foi um mês de grande aprendizado para mim, com a leitura de Mulheres, raça e classe, da Angela Davis. Foi o livro escolhido para meu Desafio Literário: 12 livros escritos por mulheres para 2017, aproveitando a oportunidade para começar a preencher o vazio acadêmico deixado pela minha formação em Ciências Sociais.

Como contei para vocês na publicação anterior, a escolha de Angela Davis para essa lista não foi aleatória, eu tinha (e tenho) sede de aprender um pouco mais sobre todos os temas que ela aborda e a tradução e publicação desse livro foi mesmo um presente. Mas não se desanimem pensando que esse é um livro com toda a densidade e dificuldade da linguagem acadêmica. Angela Davis nos oferece uma aula muito didática sobre racismo, feminismo e luta de classes, o que permite que qualquer pessoa que tenha esse livro em mãos entenda com facilidade seus argumentos. Continue reading “Mulheres, raça e classe – Angela Davis”

Os 13 Porquês (13 Reasons Why)

Resolvi assistir a série Os 13 Porquês da Netflix no dia de seu lançamento, 31 de março de 2017. Ela é baseada em livro homônimo de Jay Asher, e mostra o “bilhete” de suicídio de Hannah Baker, uma adolescente americana vítima de bullying. Hannah resolve gravar fitas cassetes contando as 13 razões que a levaram a decisão de se matar. Cada razão refere-se à alguém que de alguma forma fez ou deixou de fazer algo e a afetou de forma decisiva.

Existem duas regras nesse “bilhete”: ouvir tudo e passar para o próximo da lista, caso isso não aconteça, um outro conjunto de fitas será levado a público. O ouvinte da vez é Clay Jensen, colega apaixonado por Hannah, que faz parte da lista dos 13 e precisa ouvir todas as fitas, saber qual foi sua participação e repassar a coleção para o próximo da lista. Porém, isso o afeta de uma forma pouco esperada. Continue reading “Os 13 Porquês (13 Reasons Why)”

Conversa Franca – Chris Cornell e Nossa Atuação sobre o Suicídio

A última quinta feira (18) começou com um gosto amargo na boca. Logo ao acordar ler a notícia que uma das melhores vozes do rock havia falecido foi um susto tão grande quanto às notícias recebidas referente ao Governo Federal na noite anterior. Perder Chris Cornell foi um baque, mas para mim, a tristeza maior foi quando informaram que ele tirou sua vida.

Cornell começou sua carreira nos anos 80 com a banda Soundgarden, um dos grandes nomes do grunge ao lado do Nirvana. Durante um tempo no início dos anos 2000 fundou o Audioslave e mais uma vez sua voz inigualável e sua interpretação impecável colocou a banda nas paradas de sucesso. Lutou por anos contra as drogas e brigava constantemente com a ansiedade, uma doença que nos faz temer o futuro constantemente. Continue reading “Conversa Franca – Chris Cornell e Nossa Atuação sobre o Suicídio”

A fábula da mulher e seu tempo

Uma das principais atrações do Festival de Teatro de Curitiba, Gaby Amarantos abre turnê do espetáculo Eu Sou no Teatro Guaíra

Fotos: Annelize Tozetto/FestCuritiba

Ser mulher em uma sociedade de exclusão é uma reconstrução constante. Apesar de sermos maioria, a representatividade no pensamento filosófico universal ainda carece de vozes. O lugar de fala é, muitas vezes, cerceado pela lógica masculina que exclui e condiciona a mulher à condição de subalterna, uma âncora do homem. As conquistas, relevantes para a construção social, como conceitos de equidade, evolução nos direitos civis e representatividade de minorias são diminuídas a ponto de se tornarem supérfluas na linha do tempo de nossa sociedade. Uma história de vencidos.

Neste ponto, sentir-se mulher é um ato de resistência. Em todo o momento estigmas reforçam o lugar submisso do gênero. Se a mulher se torna mãe é condicionada a se voltar apenas a criação de seus filhos. Se filha, a mulher tem que se dar o respeito e se resguardar para não ser taxada de puta. Se pensadora, deve referenciar o modelo masculino, já que eles “vieram primeiro”. Ser mulher não é fácil. É um ir e vir de rótulos que impedem que outras facetas do conhecimento sejam exploradas. Continue reading “A fábula da mulher e seu tempo”

Escuta só: Parson James

Grey’s Anatomy  é uma série que assisto desde o começo, isso quer dizer há uns 11 anos mais ou menos. (Vocês, que acompanham séries, não se surpreendem às vezes com o tanto de tempo que a gente leva assistindo essas temporadas? 11 anos é uma vida inteira, gente.) Sempre gostei muito das músicas que aparecem em Grey’s. Parece que a pessoa responsável pela trilha sonora da série pensa assim: “que artista novo com música legal eu posso colocar nesses episódios, para fazer as pessoas conhecerem?”. Porque sempre tem artistas não muito conhecidos, com músicas sumpimpas (ou versões supimpas de músicas velhas) e eu fico: nossa, que achado! Continue reading “Escuta só: Parson James”