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História do café no mundo

Uma das bebidas mais apreciadas do mundo, o café tem uma história que faz parte da economia mundial.

 

Há inúmeros capítulos da história do café ao redor do planeta para serem relatados, afinal, ele deixou diversos registros de muita importância pelo mundo. Com isso, o café faz parte da cultura de boa parte dos países do ocidente.

Mas o café possui, também, uma importância enorme ao redor do mundo assim como no Brasil. Acredite, muita coisa aconteceu em sua história antes do café chegar em terras brasileiras.

Alguns mitos, conflitos políticos e sociais além de outros fatos polêmicos que acabaram marcando a trajetória do grão pelo planeta. Cada país deixou um capítulo importante para a evolução e história da bebida. São muitos anos de relevância na economia e cultura do mundo e vale a pena conhecer essa história.

 

O início do Café

O café é um grão de origem africana, principalmente das regiões altas da Etiópia (Cafa e Enária), onde ele surge de maneira espontânea como uma planta de sub-bosque. Com isso, surge o primeiro mito sobre seu nome: A região de Cafa pode ter sido a responsável pelo nome café, mas isso não é comprovado. De acordo com um dos mitos da descoberta dos cafeeiros, um pastor da Etiópia foi quem prestou atenção na alteração do comportamento de algumas de suas cabras depois de consumirem as folhas da planta do café em sua alimentação, influenciando dessa maneira o comportamento de monges que olhavam.

Partindo da Etiópia o café foi transportado para a Arábia. Os árabes logo tentaram permanecer com esse privilégio, pois foram os pioneiros quando se refere a cultivo dessa planta que era considerada “milagrosa” e assumia dessa forma uma grande importância social devido ao seu uso na medicina daquela época para a cura de diversos problemas. Sendo preservado e cultuado na Arábia, o café foi levado depois para o Egito no século XVI e logo após para Turquia. O roteiro do grão se estendeu como comércio no século XVII, e assim foi introduzido em países como a Itália e a Inglaterra. O café já era consumido por diversas classes sociais na Europa, inclusive pelos intelectuais desses países. Logo depois ele dominou a Europa e começou a ser comprado por vários outros países europeus, como à França, Alemanha, Suíça, Dinamarca e também na Holanda.

 

A globalização do Café

Prolongando sua marcha de expansão pelo planeta e grande potencial econômico, o café finalmente chegou nas Américas e, nos Estados Unidos,  o maior consumidor e importador mundial do grão, consumindo bastante o café brasileiro. Os responsáveis pela disseminação do café ao redor do mundo foram os holandeses.

Tudo iniciou em meados de 1616, quando um botânico, na cidade de Amsterdã, começou a produzir as mudas de café em estufas pequenas. Em seguida, tendo conhecimento da viabilidade comercial do café, e compreendendo as especificações para se cultivar a planta, os holandeses iniciaram as plantações do café nas colônias localizadas nas Índias Orientais.

De maneira progressiva, as regiões controladas pela Holanda configuravam-se como as primeiras regiões a exportar o café de forma comercial e, juntamente aos franceses e os portugueses, transportavam o café para a o continente americano.

Foi no ocidente porém que a trajetória dos grãos de café começou a ganhar grande importância para ele se tornar o que é hoje, pois a planta chegou e protagonizou alguns embates políticos e foi tema de uma das composições do grandioso Bach. Foi na Itália que o café passou por inovações em seu tratamento, quando chegou em Veneza através Botteghe del Caffè, que foi um dos principais responsáveis na popularização das técnicas da moagem e da torra da planta do café. O grão já era tratado como especiaria e artigo de grande valor, e ganhou muita popularidade na Europa, mexendo assim na economia e na cultura do continente.

 

Café X Sociedade

O café, graças aos seus efeitos, por muito tempo foi uma das bebidas mais pedidas em encontros sociais onde envolvia a música e, dessa maneira, acabou desagradando os religiosos na Europa. Nesse período, a Europa passava por grandes embates como a Contra-Reforma, onde se pretendia consolidar mais uma vez o cristianismo católico. Se tratando de uma bebida de origem muçulmana, o café foi considerado nessa época como uma bebida herege. Inclusive, para tentar dar uma trégua nos conflitos, o Papa Clemente VIII (1536-1605) fez uma proposta para que a bebida passasse por um batismo com a intenção de torná-la uma bebida cristã.

Os debates controversos que aconteciam sobre a planta serviram de  inspiração para o grande compositor Johann Sebastian Bach. Dessa forma acabou resultando em uma canção para o café, composta por ele mesmo, demonstrando sua admiração pela bebida.  Alegre e fora dos contextos religiosos da época, a canção transmite uma história de romance pelo café, que reverencia as coisas boas da bebida.

O aumento do consumo do café teve uma certa restrição de mercado, afinal, os comerciantes do vinho e queijo, acreditavam que a bebida nova era uma concorrente que iria ofuscar suas negociações.

Quando o café chegou na região da Prússia, o rei Frederico, o Grande (1712-1786), também  quis impedir que a planta fosse introduzida no reino. Porém, ele percebeu rapidamente que conseguiria se aproveitar da popularidade do café como bebida. Ele, com isso, criou planos  ambiciosos que tinham como objetivo a monopolização do comércio do grão na região. Uma das metas que ele tinha era  ter uma produção da planta no país.

 

O Café na era moderna

A partir desse momento o Café já era um dos principais produtos que movimentava a economia global, e com isso estudos e investimentos foram aplicados para a evolução da produção do Café.

Em 1901, por exemplo, Luigi Bezzera (Milão) revolucionou a forma como o café seria produzido. Foi ele o responsável pela invenção que, além de aprimorar e agilizar o preparo da bebida, introduzia o líquido direto em uma xícara para consumo. Bezzera melhorou bastante a máquina criada por Moriondo, que foi um dos maiores responsáveis pelo primeiro protótipo da máquina de café. Bezzerra introduziu um porta-filtro na invenção de Moriondo, além de compartimentos para se colocar os grãos e outras coisas novas. Notadamente, a máquina rudimentar do gênio italiano tinha uma capacidade de fazer em questão de segundos segundos uma xícara de café, transformando o café em uma bebida acessível, da forma que a gente conhece hoje.

 

 

 

 

 

Colaborador Beco das Palavras
Os textos publicados aqui são produzidos pelo colaborador que assina cada artigo, sob supervisão e revisão de Luciana Assunção.

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