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E o vento levou…

E o vento levou é um filme grandioso em diversos aspectos, desde sua temática, sua bilheteria, a quantidade de prêmios, sua duração e a quantidade de pessoas que já assistiram esse clássico imortal da Sétima Arte.

Mas, uma das grandes perguntas que não querem calar a respeito dessa obra de arte é: por que tal produção assinada por David O. Selznick e por Victor Fleming causaram tanto impacto no mundo cinematográfico?

Bom, vamos pegar um das primeiras possibilidades que tornaram essa obra tão importante para a história do cinema que é o fato de ter sido inspirado no best-seller de Margaret Mitchell, um livro que alcançou um ótimo número de vendas e que, por essa razão, gera uma expectativa muito grande entre seus fãs.

Outro detalhe que podemos destacar aqui é o fato de como a indústria transformaria em imagens, quem daria vida as personagens Scarlett O’Hara e Rhett Butleer, e ainda, tendo como pano de fundo a guerra civil norte-americana. Quanto ao resultado de todos esses pontos, só poderia nos presentear com uma produção primorosa e imortal.

Quem foi o responsável por adaptar o livro para as telas foi Sidney Howard e a história do filme tem como partida a história da bela e mimada Scarlett O’Hara, interpretada por uma das maiores estrelas da época, Vivien Leigh. Scarlett, como dito, é uma garota mimada e dona de uma inteligência e uma beleza impar, seus pais, donos de terras no sul dos Estados Unidos, tornam  a jovem garota um ótimo partido para qualquer pretendente.

Mas, Scarlett só tem olhos para uma pessoa, Ashley Wilkes que já está com casamento arranjado, no entanto, para Scarlett, isso não é problema e mesmo com o jovem pretendente com casamento marcado, ela parte para a luta por aquele coração. Neste meio tempo, eis que surge um tal de Rhett Butler, vivido por Clark Gable que, mesmo com todo seu charme, não é capaz de desviar os belos olhos de Scarlett de sua grande paixão proibida.. Mas, Rhett não se importa com isso e sabe que precisará utilizar de todo seu carisma para conquistar a jovem geniosa.

 

Um filme marcado por grandes emoções

 

Como dissemos, E o vento levou é um filme grandioso e repleto de paixões, algo que está mais que marcado em sua história. No início, o filme começou a ser gravado por George Cukor, diretor vencedor de Oscar e que tem, entre os diversos trabalhos, os clássicos mais queridos da história do cinema: Minha Bela Dama e Nasce uma Estrela (Remake realizado em 2018 por Bradley Cooper).

Mas, infelizmente, no decorrer do trabalho, George Cukor, começou a se desentender com o galã da película, Clark Gable e, como se não bastasse, também começou a ter desavenças com o produtor da obra, o próprio David O. Selznick. E por causa dessa situação, foi convidado para dar continuidade à obra, Victor Fleming que, no momento, estava dirigindo outro clássico imortal, O Mágico de Oz, que acabou abandonando na reta final. Um detalhe interessante nessa troca de direção foi que, George Cukor acabou dando continuidade ao Mágico de Oz.

A primeira ação de Victor Fleming ao assumir a cadeira de direção de E o Vento Levou, foi extremamente radical. Acreditem, Victor solicitou que o roteiro fosse reescrito, algo que aconteceu em cinco dias. Outro detalhe que chocou a troca de direção está relacionado à Vivien Leigh que não gostou nenhum pouco desse manejo. Cukor, era mais paciente e atencioso, já Fleming, tinha fama de ser uma pessoa mais rude e direta, ou seja, sem muito “churomelas” com os atores, por mais importantes que fossem.

Se de um lado tínhamos Leigh torcendo seu belo nariz por causa de Fleming ter assumido a cadeira, do outro lado, estava um Clark Gable empolgado com a troca de direção e com a maneira do diretor trabalhar. Falando nisso, Victor Fleming ganhou o prêmio de melhor direção pelo filme, contudo, teve que dividir os créditos com George Cukor que, mesmo afastado da direção, ainda auxiliava a protagonista do filme com suas falas.

 

Os diversos aspectos que rondam E o Vento Levou

 

Toda grande história, seja escrita ou produzida para a televisão, traz um detalhe extremamente importante em suas entrelinhas, que é o período em que foi criada, algo que podemos identificar através do conteúdo histórico. Com, E o Vento Levou, não poderia ser diferente e não temos somente um romance como pano de fundo, mas também, pontos extremamente importantes para a História do país, como por exemplo: a escravatura e a guerra civil.

No filme, acompanhamos alguns escravos trabalhando felizes para seus senhores, algo completamente distante da realidade e, outro detalhe, com patrões extremamente bacanas. Bom, geralmente, os filmes de escravos que existem por aí, não exploram tal período da História com tanta simpatia, não é mesmo? Entretanto, em termos de resultados, esse tipo de atuação gerou o primeiro Prêmio Oscar para um ator negro, seu nome, Hattie McDaniel, que levou o Oscar de Atriz Coadjuvante.

 

Uma produção pomposa para um marco da Sétima Arte

 

Com tantos ingredientes e percalços, E o Vento Levou não poderia ser outra coisa além de um filme grandioso. Outro detalhe que vale a pena destacar são os cenários grandiosos que assistimos e que acabam passando despercebidos. Tais cenários, muitos deles, foram pintados à mão e ainda, inseridos na pós-produção, agora pense em como isso pode te sido possível naquela época onde não se havia ouvido falar a respeito desse tal de Chroma-Key.

E, por se tratar de um filme de 1939, nada mais comum que apresentar um figurino de época, ou seja, E o Vento Levou está repleto de belos vestidos bufantes, de homens muito bem vestidos e bem alinhados. Algo que somente um ótimo profissional de Fotografia poderia garantir para a obra. Mas, mesmo com toda essa produção e todos os detalhes que tornam o filme digno de atravessar gerações e manter o telespectador sentado assistindo durante suas quase quatro horas de duração é sem dúvida alguma, o trio.

Apesar do filme contar com um pano de fundo, a história gira em torno de três personagens que tem sentido a tudo que acontece na obra: Scarlett O’Hara, Rhett Butler e Melanie Wilkes, essas três personagens são as principais responsáveis por tornar E o Vento Levou o que ele é, começando por Scarlett, uma mulher a frente de seu tempo, forte, geniosa e que sabe exatamente o que quer e faz tudo para conseguir. Isso é algo inédito e ousado para aquele tempo, podemos dizer que, Scarlett se tornou uma inspiração para outras mulheres.

Outro personagem bem fora dos padrões da época é o protagonista masculino, Rhett Butler, que é dono de seu nariz e o único capaz de suportar o gênio forte de Scarlett, alias, um detalhe importante que vale a pena destacar, Rhett gosta de mulheres fáceis e jogos, uma combinação interessante que, talvez tenha sido a razão de lutar pelo amor de Scarlett e, para isso, Rhett não mede esforços, usando até mesmo o seu dinheiro para conquistar a sua amada. Devido suas características tão distintas, Scarlett e Rhett se completam e arrancam suspiros das pessoas desejando viver um amor assim.

E no meio dessas duas pontas extremas, temos Melanie Wilkes, a mulher que casou com o grande amor de Scarlett. Claro que Melanie sabia desse amor, no entanto, durante a película, em nenhum momento você vê a bondosa senhora Wilkes falando mal de Scarlett, algo que chama atenção e que torna a personagem tão importante para a trama, claro que, tudo isso, graças ao talento de Olivia de Havilland que consegue dar uma vida para sua personagem.

 

E o Vento Levou, um marco para o cinema

 

E para encerrarmos este artigo a respeito de E o Vento Levou, vale lembrar é um dos poucos filmes que está na lista dos mais premiados da História do cinema, são poucos que receberam a marca de 10 estatuetas do Oscar, entre eles, dois especiais. Além deste prêmio importantíssimo, foi uma das maiores bilheterias de todos os tempos.

E é por isso que você precisa conferir essa obra de arte de nosso tempo e, acredite, essas quase quatro horas de filme nada mais são que mero detalhe perto deste desfile de estrela em uma produção que até os dias de hoje, continua a cativar o grande público.

 

 

 

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Colaborador Beco das Palavras
Os textos publicados aqui são produzidos pelo colaborador que assina cada artigo, sob supervisão e revisão de Luciana Assunção.

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