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Quase Tudo Sobre Tropicália

Tropicália foi um movimento artístico. Nesse post, você compreenderá o que foi esse movimento, quais os principais artistas e algumas produções.

Até o período da Bossa Nova, não havia nada inovador e que chamasse a atenção no Brasil. Então alguns artistas brasileiros se uniram e idealizaram o que foi chamado de Tropicália. O marco principal do movimento foi a apresentação de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival de Música Popular Brasileira — concurso musical da década de 1960, transmitido pelas emissoras Record e Globo.

O movimento tropicalista, na prática, era a estreia dos jogos de linguagem na música, como já vinha ocorrendo na poesia concreta. Visualmente, os representantes do tropicalismo se vestiam com roupas bem coloridas e preferiam o cabelo comprido. O estilo era basicamente uma mistura de manifestações da cultura brasileira e as mais radicais, com a cultura pop nacional e estrangeira, incluindo o Rock. 

A ideia era ser diferente, ir de contra o paradigma daquela época. Essa desconstrução ficou marcada na história brasileira em três grandes âmbitos: comportamental, político-ideológico e estético. Até a antropofagia do Modernismo dos anos 20 influenciou a essência da Tropicália, assim como a pop art. 

Tropicalismo: muito além de Caetano Veloso e de Gil

Além da música, a tropicália também chegou para o Cinema, Teatro e Artes Plásticas. Glauber Rocha, ao produzir Terra em Transe, provou um Cinema Novo ainda mais radical. Já o grupo de teatro Oficina realizou os espetáculos Roda Viva e O Rei da Vela com influências tropicalistas e, por fim, nas artes, Hélio Oiticica foi um destaque evidente do movimento sendo, inclusive, o principal responsável pela escolha do nome. 

Ele construiu uma obra-ambiência, em 1967, e nomeou-a “tropicália”. Hélio definiu o termo como um labirinto, um lugar sem saída. Mas à medida que você avança nesse labirinto, os sons do lado de fora vão se tornando cada vez mais audíveis. Até que se descobre que os sons vêm de uma televisão. 

Na instalação, a televisão estava posicionada de modo que as imagens cercavam o participante. Além disso, no local, haviam geometrias fixas (algo similar a uma casa japonesa), figuras táteis (no chão havia areia, cascalho e tapetes) e a televisão. A areia e as plantas inspiraram o nome derivado de “tropical”.

A música, sem dúvidas, foi arte mais agraciada com a corrente. Estes outros artistas também foram ativos no movimento:

Gal Costa

Participou do disco “Tropicália ou Panis et Circencis”, de 1968, em parceria com Caetano, Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé — lançando as bases sonoras do Tropicalismo. 

Tom Zé

Outro participante do álbum fundador do movimento, embora também tenha apresentado características tropicalistas desde seu álbum solo “Grande Liquidação”, lançado igualmente em 68. Precocemente, foi sendo desligado do movimento e, em 2012, gravou o disco “Tropicália Lixo Lógico”, em que há trechos das canções “Tropicália” e “Domingo no Parque”. 

Rita Lee

A cantora também foi integrante do famoso álbum de 1968 e, em 2012, participou do desfile de carnaval da Águia de Ouro, escola paulista que utilizou a Tropicália como enredo. No mesmo ano, atuou no filme “Tropicália” interpretando a si mesmo, Rita Lee. 

Os Mutantes

Banda de rock psicodélico formada exatamente no contexto do tropicalismo. Em 2006, foram homenageados em Londres pela sua participação no movimento. 

Com o incidente relativo à bandeira de Oitica, em que, devido à alusão a um traficante no estandarte, militares interromperam o espetáculo e prenderam Gilberto Gil e Caetano Veloso, o movimento teve seu fim dando espaço ao Pós-tropicalismo, que foi até 1974.

E para finalizar sua dose cultural, ouça as 10 melhores músicas do movimento clicando aqui

 

 

 

Colaborador Beco das Palavras
Os textos publicados aqui são produzidos pelo colaborador que assina cada artigo, sob supervisão e revisão de Luciana Assunção.

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