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Histórias fotográficas

Há muitos anos me apaixonei pela arte do registro fotográfico. Classifico como arte, pois o fotógrafo é uma espécie de “agente” a serviço do recorte, molda em quadrados e retângulos o que vê e reporta para alguém, assim como antes deles, o pintor (retratista) o fazia. Simplista, não? Pois é. Antes de frequentar a Universidade, meu conhecimento sobre técnicas fotográficas era quase zero. Minha prática era intuitiva, quase primitiva, muitas vezes, com recortes que não faziam sentido algum (para quem olhava), mas para mim (não sei o porquê) eram importantes de serem impressos no papel – até meados dos anos 2000, a fotografia era, essencialmente, capturada por meio de rolos de filmes especiais e impressa em papel fotossensível.

À época, muitos já diziam que eu detinha sensibilidade para o recorte, mas, pra falar a verdade, eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Talvez seja por isso que tive muita ansiedade para iniciar o semestre com a disciplina de introdução à fotografia e, quando começou, me dediquei às leituras (tanto de palavras, quanto de imagens) para tentar entender meu próprio fascínio pela atividade.

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Nestes mais de quinze anos, já ouvi muita gente dizer que para ser fotógrafo é preciso ter um bom equipamento. Não acredito nisso. Antes de qualquer coisa pode-se dizer que a fotografia é o ato de registrar algo com o auxílio de luz (lembre-se que até o século passado se entendia ser fotografia a impressão da cena em uma película e isso é baseado na incidência de luz no rolo de filme). Parece simples e, pra bem da verdade, o é.

Fotografia se trata de experiência, viver uma cena, querer registrá-la, revivê-la além da memória, imprimi-la para a posteridade. Parte de um processo muito íntimo e intuitivo e, mesmo com tantas técnicas e equipamentos disponíveis no mercado, não é preciso ter o melhor aparelho para ser considerado um bom fotógrafo. Afinal, o que é ser um bom fotógrafo: Aquele que consegue um melhor contraste e profundidade de campo? Ou Aquele que se permite ser espectador da vida?

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É com esse olhar, meio apaixonado, meio perdido – porque é importante se perder para aprender algo novo –, que pretendo conversar sobre formas, registros e autores aqui no Beco. Toda quarta, uma amostragem do que vejo por aí no universo expandido da internet, seja indicação de um site, de um instagram ou dialogando com autores e com a própria história. Espero que a troca seja interessante tanto para mim, quanto para quem um dia achar esse texto e se identificar com esse louco amor que é a fotografia.

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*Todas as imagens neste post são de autoria de Yoko Teles com os mais variados equipamentos. Dentre eles SLR e celulares.

Autor:

Brasiliense + Jornalista

Um comentário em “Histórias fotográficas

  1. Falou lindamente sobre a sensibilidade (não do papel ou material de fixação fotográfica) mas sim, a sensibilidade Humana. Como disse Iatá “a gente não ensina fotografia para a criança ser fotógrafa, a gente não ensina a escrever para a criança ser o poeta. É com o olhar (para dentro) que nasce (m) essa (s) paixão (ões).” AMEI!

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