Publicado em Clássicos da Literatura, Escritores, Literatura, Literatura Estrangeira

Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira

JD Salinger é um dos autores mais cultuados no mundo. Com o livro O Apanhador no Campo de Centeio, ele conquistou multidões com um texto jovem e comovente, onde milhões de leitores se identificaram com o personagem principal e hoje é leitura obrigatória em várias escolas do mundo (incluindo o Brasil). Sua morte no início deste ano, deixou um vácuo no mundo literário (vácuo que já existia havia alguns anos, desde que parou de escrever), colocando por terra a chance de termos mais um livro inédito escrito por Salinger.

Antes de se fechar para o mundo entrar na exclusão, Salinger escreveu mais três livros, coletâneas de contos sobre a Família Glass. O último livro que publicou foram dois contos intitulados: Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira e Seymour – Uma apresentação. OS dois contos tocam aos leitores ao falar sobre um personagem tão cativante e enigmático que é o filho mais velho da família Glass – Seymour.

Mas antes preciso relatar um fato que muitos não irão gostar: no primeiro livro, Nove contos, Seymour comete suicídio em um dos contos. E é desse fato que os contos da família são criados. Os irmãos vão escrevendo as histórias, os fatos, ocorridos na vida de Seymour, um irmão tão devotado que possuíam.

Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira

A princípio esse título estranha. E não, não tem nenhum carpinteiro na história. O conto relata um pequeno evento ocorrido na família Glass, quando houve o casamento do filho mais velho  Seymour.  

Parece estranho o conto contando um evento onde a personagem principal sequer aparece, mas é isso mesmo: Seymour não aparece um minuto sequer. Mas acredito que esta seja a beleza do conto. Toda a conversa é sobre Seymour, todos falam dele e não há interferência dele. Acaba sendo um ponto mágico, onde conhecemos e nos encantamos com alguém que jamais conheceremos. Todo o amor e carinho que os irmãos de Seymour tem por ele é relatado aqui. Momentos divertidos, cativantes da infância.

Ao relatar esse momento, Buddy, segundo filho da família Glass e quem relata a história, faz um relato onde as discussões e todo o evento que se desenrola cria uma atmosfera única e propicia para se falar de Seymour de uma maneira diferente. É claro, sua morte rodeia a mente do leitor, mas não nos deixa com aquela vontade conhecê-lo.

Seymour – Uma apresentação

Aqui é mais um artigo do que um conto. Pelo menos a principio. A intenção de Buddy é falar do irmão, contar quem é Seymour. Mas no decorrer do texto, acabamos conhecendo mais a Buddy também.

Buddy já passou dos 40 anos quando escreveu esse texto. E ao escrever, vai mostrando também sua personalidade. Percebe-se que já está cansado, talvez não esteja mais com a disposição para escrever e a saúde mais precária que podemos imaginar pelo texto. Neste conto, muito mais que se falar de Seymour, o leitor percebe o esforço que Buddy faz para conseguir falar sobre o irmão.

Por isso este é um conto mais sofrido para ser ler, porque percebemos a dor e a confusão que Buddy se submete ao escrever. Mas não deixa de ser belo. A cada linha temos mais vontade de ler e conhecer mais Seymour.

Autor:

Uma jovem que estuda, trabalha e respira literatura. E sempre que possível está aqui para dar dicas de livros via internet.

11 comentários em “Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira

  1. Do Salinger eu só conhecia o apanhador, fiquei curioso pelos outros títulos, a sua resenha me deixou com vontade de ler o livro

  2. Nossa, fiquei com muita curiosidade de ler esses livros. Já tinha ouvido falar do autor, mas sinceramente, não sentia muita vontade de conhecê-lo melhor, por causa do título O apanhador no campo de centeio… Mas, mudei minha idea em relação a ele.

  3. Apesar de não conhecer muito sobre o cara, mas só pela sua resenha já deu uma certa curiosidade e vontade de ler para conhecer ele, também pude reparar que é um autor criativo, algo que falta hoje em dia

  4. Salinger ficou mais famoso por sei livro O Apanhador no campo de centeio ter sido lido dezenas de vezes pelo assassino de John Lennon. Acabou, erroneamente, sendo tachado por alguns como um livro que cria assassinos.

    no entanto ele consegue falar da dor que todo sere humano sente de forma real e nos identificamos com ele.

    Nesse livro que ecrevi, o amor que Buddy fala do irmão Seymour é tao forte que sentimos o carinho e o amor qe havia naquela familia. e, claro, a dor que ainda existe com a sua perda.

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