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Ana María Matute: Padroeira dos Escritores

Ana María Matute foi uma escritora espanhola de destaque, escrevia de forma original e afável; conquistando assim muitas premiações pelos seus 88 anos.

Ana María Mamute nasceu em 1925, em Barcelona, e faleceu em 2014, na mesma cidade natal espanhola. Ela era de uma família com boas condições financeiras, tinha quatro irmãos e seu pai era dono de uma fábrica de guarda-chuvas. 

Com apenas quatro anos de idade, ela desenvolveu distúrbios graves nos rins e precisou se mudar para uma pequena vila castelhana. Esse período da vida a permitiu ter contato com muitos nativos e no futuro publicar o “Historias de la Artamila”, 36 anos depois. Por outro lado, ela se sentia constantemente uma forasteira: uma catalã em Madrid e também uma castelhana em Barcelona.

 

Conhecendo Ana María

 

Quando surgiu a Guerra Espanhola, ela tinha 10 anos. Isso naturalmente a assustou, já que sua família passou por problemas financeiros e até os seus irmãos se afastaram um do outro. Com 17 anos, ela escreveu seu primeiro romance. Ana experimentava elementos fantasiosos nas histórias, como os contos de fadas, além de dialogar sobre sofrimento emocional, crescimento, envelhecimento e perda da inocência juvenil.

Nos anos 50, ela venceu o Prêmio Nadal pela obra “Los Mercaderes”, Prêmio Planeta por “Pequeño teatro” e Prêmio Café Gijón, por “Festa do Noroeste”. Em 1952, ela casa com o escritor Ricardo Goicoechea, com quem teve um filho, mas pediu o divórcio 11 anos depois.

A legislação daquela época a proibia de ver Juan Pablo, seu filho, o que lhe causou bastante angústia e sofrimento. Acredita-se que suas publicações na área infantil foram devido a esse acontecimento pessoal, como uma forma de canalizar essa frustração.

Posteriormente, 10 anos depois, ela se casa novamente, com o empresário Julio Brocard, mas 28 anos depois ele morre. 

Mais tarde ela se tornou professora universitária nos EUA, passando por várias instituições, como a Universidade Brigham Young e a Universidade da Virgínia. Nos anos 70, ela volta a morar na Espanha. 

María foi membro honorário da Sociedade Hispânica da América, membro da Associação Americana de Professores de Espanhol e Português.Em 2007 também ganhou o Prêmio Nacional das Letras e, enfim, em 2011, o Prêmio Miguel de Cervantes — o maior prêmio espanhol.

Ana María deixou a marca de ser uma escritora muito afável, alguns colegas de profissão até a chamavam de “nossa padroeira”. Algo bem distinto para uma escritora, que acabou se tornando a mais importante do século XX, da Espanha. Hoje há uma biblioteca pública em Madrid com o nome “Ana María Mamute”.

Em 2014, aos 88 anos, ela faleceu de infarto do miocárdio, na sua casa, em Barcelona.

 

Los Abel

Escrito em 1947, foi provavelmente o seu primeiro trabalho e concorreu ao Prêmio Nadal, que seria conquistado nove anos depois. Ela tinha apenas 21 anos quando o produziu e Mamute se inspirou na história de Adão e Eva. A narrativa em si é de uma atmosfera pesada, sobre vidas atormentadas, mas que mesmo assim mostraram Ana María como uma escritora revelação.

Valba Abel, a protagonista, é uma burguesa que passa a se opôr aos seus desejos. Ela havia passados bons anos em um colégio interno e só volta para a casa depois de saber do falecimento da sua mãe. A personagem principal não conhecia nem os seus irmãos e se depara com um lar totalmente desunido e sem afeto.

 

Historias de la Artamila

São 22 histórias, publicadas em 1961, que tratam basicamente de injustiças sociais, expostas sob um ponto de vista carregado de ternura — próprio de Mamute. O livro mistura memórias de um passado fugaz com experiências também dolorosas, além de denúncias sociais. Mas ainda com espaço para o sentimento coletivo de esperança.

“A festa”, “A consciência” e “O fio-máquina” são histórias que, por exemplo, ilustram a crueldade humana por causa do egoísmo e das ambições. Mas ao lado dessas histórias encontramos “Don Payasito”, “O Rei” e “Os Pássaros” voltadas completamente ao público infantil, com personagens que desfrutam da vida como se fossem adultos.

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Colaborador Beco das Palavras
Os textos publicados aqui são produzidos pelo colaborador que assina cada artigo, sob supervisão e revisão de Luciana Assunção.

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