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O Gambito da Rainha – Netflix

Uma das mais bem elaboradas e geniais minisséries da Netflix chegou sem muito fuss, mas não demorou muitos dias para conquistar a preferência da audiência.

 

O nome causa estranheza para muitos leigos. Alguns (como eu mesma) precisei ir até ao google para descobrir o que significava. Mas bastou entender o termo para me interessar na minissérie estrelada por Anya Taylor-Joy (Split e A Bruxa) para qualquer um se interessar pela história.

O Gambito da Rainha (Netflix, 2020) é baseado na obra de Walter Tevis,  um escritor não muito conhecido no Brasil pelos livros, mas bastante aclamado em seu país. Agora, Mais de 30 anos depois, tem mais uma obra adaptada para televisão. 

 

Afinal, o que é Gambito?

O xadrez é um dos jogos de tabuleiros mais estratégicos que existe, e por isso, um dos esportes que mais demandam raciocínio dos seus jogadores. Para muitos, é considerado uma arte, suas estratégias e jogadas, utilizadas principalmente por quem já domina o jogo, é objeto de estudo e análise entre jogadores, que desejam se tornarem mestres do tabuleiro.

De acordo com o site tabuleiro de xadrez, gambito é“uma abertura do jogo de xadrez em que se oferece material tendo em vista o ganho de tempo para um melhor desenvolvimento ou a obtenção de outras vantagens”

Gambito da dama (como é realmente chamado) é apenas uma das várias estratégias no jogo de xadrez, mas requer experiência do jogador para saber utilizá-la. Por essa razão, costuma ser usada apenas por jogadores de alto nível. No caso do título, rainha é uma alusão à personagem principal: uma mulher campeã de vários torneios de xadrez em meio a um jogo em que a maioria esmagadora são homens.

 

Sinopse da minissérie

Explicado o título, já entendemos qual o tema principal da história. A história se passa nos anos 60, Beth Harmon (Anya Taylor-Joy adulta) perdeu a mãe em um acidente de carro aos 8 anos, e enviada a um orfanato da região. É lá que ela presencia o zelador do local, Mr. Shaibel (interpretado por Bill Camp) jogando sozinho xadrez pela primeira vez no porão do orfanato e fica curiosa. 

Buscando sempre uma desculpa para ir até o porão e insiste para que ele a ensine. Mas após muita insistência ele passa a ensiná-la o jogo ao perceber o interesse da criança. Shaibel percebe que Beth é um prodígio, seu aprendizado é rápido e ela passa a estudar vários livros sobre estratégias e jogadas de xadrez, e vê nela um futuro promissor. É Shaibel também quem mais dá apoio, mesmo que distante e silenciosamente a Beth, se tornando uma pessoa importantíssima para a vida da protagonista. 

No entanto Beth também carrega fantasmas do seu passado, relacionados à sua mãe, que a assombram por toda a sua vida. O sentimento de abandono e estar continuamente sozinha a faz entrar em uma dependência de calmantes (que eram dados a todas as crianças no orfanato, indiscriminadamente) e posteriormente se une ao álcool. 

 

Beth e o xadrez

O xadrez transforma a vida de Beth, que passa a ter um futuro promissor a medida que estuda e participa nos campeonatos. Mas seus vícios podem acabar não só com sua carreira como também com sua vida. 

Nos sete episódios da minissérie, vamos conhecendo cada detalhe da mente de Beth. Desde sua introspecção com as pessoas (poucos que conseguem entrar em seu mundo particular), até seus maiores medos e desesperos, à medida que vive (e revive) esses medos em sua vida. 

Mas ao mesmo tempo, vamos descobrindo de onde vem a força dessa jovem. Como ela analisa as jogadas em sua cabeça (ou no caso dela, no teto do seu quarto) e sua luta para chegar a suas conquistas pessoais. 

 

Muito mais que uma história sobre xadrez

Engana-se quem pensa que a minissérie é apenas sobre xadrez. O Gambito da Rainha é uma história sobre solidão. Beth ama o xadrez, mas tudo que ela busca é a conexão familiar com as pessoas. 

No fundo, percebemos que seu maior sonho é ter o que ela não teve: o amor de uma família. Ou teve apenas nos primeiros anos de vida. Ter alguém para amar e confiar é tudo o que Beth realmente busca. Mas, ao mesmo tempo, ela não sabe como ter e, até mesmo, manter. 

Acredite, apesar de toda sua inteligência,  a causa das maiores dores de Beth estão no fato de não ter e, no futuro, não saber identificar como conquistar esse desejo de pertencimento. O xadrez passa a ser um propósito de vida para Beth por dois motivos: amor (que ela sentiu desde o primeiro momento que viu o tabuleiro) e um propósito de vida. É o xadrez que salva a vida da nossa heroína.

 

Luciana
Uma jovem que estuda, trabalha e respira literatura. E sempre que possível está aqui para dar dicas de livros via internet.

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