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A Divina Comédia de Dante Alighieri

 

Existem alguns livros que são tão poderosos e importantes que transcendem, não somente o tempo que foi escrito, mas toda história da humanidade. E é justamente sobre um deles que falaremos agora, A Divina Comédia de Dante Alighieri, um dos poemas épicos mais conhecidos da História e que foi escrito durante o Renascimento.

Antes de continuar falando a respeito do livro, gostaria apenas de chamar atenção para o período em que foi escrito: durante o “Renascimento”.  Este período foi muito importante para a evolução da sociedade e, consequentemente, da humanidade. Sua localização na linha histórica está logo após a Idade das Trevas, ou como também é chamada, Idade Média e este momento foi possível devido a peste negra que dizimou milhares e milhares de pessoa naquele período.

Agora, voltando a obra: a Divina Comédia é dividida em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Por se tratar de um poema épico, o clássico conta com padrões de estética, como por exemplo, todas as três partes são formadas por 33 cantos. 

 

A Divina Comédia e um breve resumo da obra

 

O protagonista do poema é o próprio Dante que, acompanhado por Virgilio, o acompanha por uma viagem nada comum. No livro, acompanhamos Dante peregrinando pelas três fases descritas no livro.

Durante sua caminhada, o personagem de Dante, vai encontrando amigos, conhecidos, figuras públicas, entre outras pessoas que fazem parte do universo do autor. Esses encontros entre essas personalidades, demonstram a Dante sua atual situação, além disso, realiza debates com essas pessoas.

Virgílio é o poeta romano dos tempos de Júlio César, responsável pelo surgimento do clássico Eneida. Dante era apaixonado pelo trabalho de Virgilio e por isso acaba acompanhando o nobre poeta em seu passeio pelos infernos e purgatório.

Como escrito acima, a obra é dividida em três partes, o nobre Virgílio acompanha Dante na parte terrível de sua caminhada. Quando o poeta chega ao paraíso, o poeta romano sai de cena e Dante passa a ser acompanhado por Beatriz, sua musa inspiradora, paixão platônica de muitos anos.

Além de dividida em três partes e cada parte ter trinta e três cantos, a obra apresenta três personagens principais: Dante, representando o homem; Beatriz, representando a fé e Virgílio, representando a razão.

 

Uma pequena análise de obra

 

Se você ler a obra com muita atenção, perceberá que A Divina Comédia é uma estória que prima e destaca a necessidade de seguirmos o caminho de Deus e abandonar o mundo do pecado. A maioria dos versos destacam isso, sem mencionar os encontros com figuras que estão residentes nas regiões mais inferiores.

Dante, auto-colocado na obra, representa a vulgaridade e o cidadão comum com todas suas dúvidas, sua propensão para o mal, entre outros defeitos. E isso é algo que fica muito claro ao chegarmos ao Canto 4 do inferno em que Dante, se coloca no mesmo patamar dos grandes escritores, demonstrando  sua falta de humildade.

 

“…Olha o que vem à frente qual decano
dos outros três, segurando uma espada;
ele é Homero, poeta soberano;
o satírico Horácio junto vem,
terceiro é Ovídio e último Lucano.
Desde que cada um deles detém
os mesmos dotes co’os quais fui saudado,
recebo sua honraria como convém.
Assim o belo grupo vi formado
da escola do senhor do excelso canto
cujo vôo, como d’águia, é incontestado.
Longo foi seu colóquio, e entretanto
acenavam a mim, e eu vi o prazer
no sorriso do Mestre meu, porquanto
o privilégio iriam me conceder
da acolhida na sua comunidade.
E assim fui sexto entre tanto saber…”

 

A Leitura

Por estar em um mundo simbolicamente ruim, nós, como leitores, vamos acompanhando suas tentações e como o protagonista se livra de cada uma delas. Por essas razões, A Divina Comédia pode ser tomada por uma estória de cunho moral para o catolicismo, mesmo contendo elementos pagãos.

Dante recebeu diversos elogios pela Igreja a respeito do teor de sua obra, no entanto, a obra, em determinados momentos, deixa claro algumas críticas aos princípios católicos. Um detalhe técnico a respeito da obra em si é que é tomada por alguns por epopeia, entretanto, não é considerada devido a ausência de alguns elementos importantes, como por exemplo, pelo fato de não ser uma história ficcional (de certo modo é claro) e por não contar com um herói que luta por um povo ou região.

Alguns estudiosos preferem toma-la por um poema épico didático alegórico devido a riqueza simbólica que existe no decorrer de suas páginas.

 

A Divina Comédia e a história de sua publicação

 

Uma das possíveis razões do livro ter sido escrito em três partes, provavelmente tem a ver com seu lançamento, que foi realizado em três partes, com a primeira sendo apresentada ao público em italiano no ano de 1317, a segunda em 1319 e a terceira, após o falecimento de Dante.

Segundo historiadores, acredita-se que o autor trabalhou em sua obra prima durante quatorze anos. O primeiro livro foi iniciado em 1307 e o último, em 1321, um pouco antes de sua morte. Esse tempo é justificado devido a complexidade simétrica do poema.

Como dissemos, é um poema épico narrativo que conta com 33 cantos e com uma rigorosa simetria, são aproximadamente 40 a 50 tercetos. E o número três tem um papel fundamental na construção da obra pelo fato da utilização de uma técnica chamada terza rima, resultando em estrofes de dez sílabas e com três linhas que vão rimando de maneira específica.

A obra de Dante Alighieri não foi chamada por ele de A Divina Comédia, na verdade, “a divina” veio depois de alguns anos de estudos sobre sua obra. Seu primeiro surgimento se deu em 1555 em uma edição veneziana realizada por Ludovico Dolce.

No entanto, a primeira pessoa a defender que o nome da obra deveria mudar para A Divina Comédia foi o poeta Giovanni Boccaccio (1313-1375) que levou em consideração, não somente sua complexidade, como também, o tema abordado pelo autor. Segundo o poeta, a obra de Dante era perfeita demais para ter um título tão simplório quanto o autor havia batizado.

 

Um pouco mais sobre a vida de Dante

 

Dante Alighieri nasceu na cidade de Florença, Itália, por volta do ano de 1265, filho de dona Bella e Aldighiero Alighieri. Filho único, Dante perdeu a mãe ainda pequeno e o pai, aos dezoito anos.

O celebre autor foi casado e teve filhos, no entanto, como qualquer bom poeta, mantinha um amor platônico por uma garota que conhecera aos seus nove anos, Beatrice de Folco Portinari, que acabou reencontrando em 1283.

No ano de 1287, Beatrice casa-se com um rico banqueiro, mas Dante já havia casado dois anos antes com Gemma Donati. No ano de 1290 para o desespero e tristeza de Dante, seu amor platônico falece.

Além de considerado um dos maiores poetas da região Toscana, Dante acabou se tornando um importante político, estudou na universidade de Bologna, no entanto, acabou sendo exilado devido a sua oposição ao papa quando estava ocupando cargos públicos. Dante faleceu no dia 14 de setembro de 1321, aos 56 anos no seu país de origem, Itália, em Ravenna.

 

As principais obras do poeta

 

    • La Vita Nuova
    • Convivio
    • De Vulgari Eloquentia
    • De Monarchia

 

 

Assinatura

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Colaborador Beco das Palavras
Os textos publicados aqui são produzidos pelo colaborador que assina cada artigo, sob supervisão e revisão de Luciana Assunção.

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