A importância da biodiversidade da Amazônia

   Dra. Milene Ribeiro

O remake de rei leão estreado este ano levou não só crianças mas adultos de todas as idades aos cinemas. O filme para além de puro entretenimento apresenta diversas temáticas para a reflexão. Uma das primeiras apresentadas é a de que a vida é um grande ciclo e que suas ações interferem na vida de todos os outros seres. Mufasa, um dos personagens, explica à Simba que tudo faz parte de um delicado equilíbrio e que ele precisa aprender, mesmo sendo o rei, a respeitar todos os animais.

O que parece um simples conhecimentos de cadeia alimentar, estudado em anos iniciais do ensino fundamental, no qual os seres estão interligados pelo fluxo unidirecional de energia, e que mesmo o mais forte e considerado o rei do reino animal necessita dos mais diversos seres vivos para que sua espécie mantenha-se viva. Este conceito não é tão bem compreendido assim. Em tempos em que é necessário explicar que a Terra não é plana é possível compreender o que se passa com a atual problemática ambiental no Brasil.

imagem do filme Rei Leão (Disney, 2019)

 

Na prática, São Paulo escureceu as três da tarde devido a uma conjunção de fatores entre os quais estão as queimadas espalhadas por toda a Amazônia. O fato fez com que os dados de avanço do desmatamento trouxessem consternação e preocupação para todos aqueles que conseguem compreender o que Musafa explicou ternamente à Simba. Os alertas de desmatamento na Amazônia cresceram 65% em julho em comparação com o mesmo mês do ano passado. O dado é do SAD, sistema de monitoramento do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e foi publicado neste mês. Ele confirma a alta expressiva nos alertas de desmatamento vista no mês passado pelo sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – clique aqui para ir ao site).

 

Amazônia – Muito além do pulmão do Mundo

A Floresta Amazônica foi miticamente conhecida como o pulmão do mundo, mas sabe-se que são as algas marinhas, vegetais fotossintetizantes, que fazem boa parte da liberação de oxigênio na atmosfera mundial, e não a floresta amazônica, que é responsável por uma parte pequena dessa entrega de ar puro à atmosfera. Isso porque, grande parcela do oxigênio produzido pela floresta durante o dia é utilizado por ela mesma no processo de respiração.

floresta amazônica em chamas (foto reprodução)

A importância da floresta é bem maior que liberar oxigênio, é tão, mas tão grande, que torna difícil de estimá-la. Ela é fundamental para a manutenção do clima no planeta. Isso porque dentre as florestas tropicais ela é a maior e mais preservada, mantê-la é fundamental para o equilíbrio ambiental, bem como, mitigar o desequilíbrio produzido pelas relações ambientais catastróficas que a humanidade desenvolveu com o meio ambiente. A floresta é um polo de fixação de carbono. Além disso, as florestas tropicais ainda abrigam cerca de 50% da biodiversidade terrestre, desempenham um papel fundamental para regular a oferta de recursos hídricos e para a conservação dos solos.

A quantidade de biodiversidade na Amazônia ainda não é bem conhecida, é estimado a existência de cerca de 40 mil e spécies de plantas, mais de 400 mamíferos e cerca de 1.300 aves. Toda essa biodiversidade não é um benefício adicional, e sim um aspecto fundamental para a sobrevivência a longo prazo das grandes reservas de biomassa da Terra.

Um estudo realizado por cientistas internacionais e publicado no periódico Nature Climate Change, em 2016, liderado por Boris Sakschewski, demonstra em larga escala que florestas com maior diversidade de características e funcionalidades de plantas têm também maior potencial de adaptação a mudanças no clima, reforçando a importância da preservação da biodiversidade como instrumento de políticas públicas contra o agravamento da crise climática. (para ler o artigo, clique aqui)

A floresta abriga ainda um potencial enorme de gerar biofármacos, diversos princípios ativos de medicamentos são retirados de plantas ou animais, os cientistas acreditam que menos de 0,5% das espécies da flora foram detalhadamente estudadas quanto ao seu potencial medicinal.

A biodiversidade de fauna e flora encontram-se em risco, as comunidades indígenas e ribeirinhas também. Discutir e difundir conhecimentos de forma objetiva e transparente é fundamental para que possamos manter as espécies, a floresta e por fim a nós mesmos.

 

Milene Ribeiro é Doutora em Biologia pela Unesp. Atuou realizando análises microbiológicas e físico-químicas de águas, córregos e nascentes de rios. Foi bolsista na Embrapa/UnB, projeto em Plataforma de expressão de proteínas virais em células de inseto e análises genômicas. Fonte: CNPq

Milene escreveu esse texto exclusivamente para o Beco das Palavras.

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