Machado de Assis – Quem é um dos Maiores Escritores Brasileiros

Joaquim Maria Machado de Assis foi um dos maiores escritores da literatura brasileira. Suas obras literárias foram traduzidas para diversos idiomas e é lido assiduamente nas escolas de todo país. Ele ousou criar sua própria forma de escrever transformando o português em seus livros. Apesar de ser considerado por muitos difícil de se ler, suas obras ainda são consideradas as melhores do Brasil.

Vida e criação

Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro, filho de pai de ascendência africana e mãe branca açoriana, sob a proteção de uma madrinha, dona Maria José de Mendonça Barroso.

Os pais de Machado viviam como agregados (dependentes) dessa mulher rica, uma viúva portuguesa de um senador imperial. Como resultado, a infância de Machado caracterizou-se por uma estreita relação com realidades econômicas, sociais e raciais muito distintas e até contrastantes.

O escritor prolífico manteve uma vida excepcionalmente privada – seus pontos de vista pessoais, seus sonhos e ambições, seus motivos, sua ideologia política, bem como seus relacionamentos mais próximos permanecem em grande parte desconhecidos para seus leitores e críticos.

Pouco foi descoberto sobre a vida de Machado até os 15 anos. No entanto, todas as evidências sugerem que ele era um autodidata empreendedor desde cedo. Durante a adolescência, Machado começou a trabalhar na livraria e tipografia de Paulo Brito, no Rio de Janeiro.

Esta experiência proporcionou-lhe a oportunidade de conviver e aprender com importantes intelectuais do seu tempo, como Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar. Logo depois, começou a trabalhar sob a proteção do escritor Manuel Antônio de Almeida, como aprendiz de tipógrafo.

No final da década de 1850, Machado iniciou simultaneamente sua carreira como jornalista e engajou-se no mundo literário, com dezenas de publicações em várias revistas e jornais, principalmente na forma de poesia e drama.

No início de sua carreira, aos 27 anos, ele entrou para o serviço público, um trabalho que ele valorizava e mantinha até sua morte. Em 1867, Machado conheceu Ana Carolina Xavier de Novais, a mulher com quem se casaria dois anos depois.

Ana Carolina, cinco anos mais velha, era irmã de um dos amigos poetas mais próximos de Machado. O casamento com uma portuguesa branca e educada seria um importante selo de aprovação ao pleno estabelecimento de Machado como membro da elite.

Mesmo que Machado já fosse um escritor bem aceito e admirado quando começou a cortejar Ana Carolina, acredita-se que sua família inicialmente se opusesse ao casamento devido à cor da pele de Machado.

Vida como escritor

Num ritmo lento e constante, Machado de Assis começou a se dedicar à prosa, o gênero que se tornou seu métier, tanto na forma de contos e romances. Em 1878, Machado havia experimentado sucesso ininterrupto e uma ascensão inegável e constante.

Uma séria crise de saúde, no entanto, forçou Machado a passar 3 meses de descanso fora do Rio de Janeiro, na cidade de Nova Friburgo. Só então foi confirmado que Machado sofria de sérios ataques epilépticos. Com o tempo, as crises tornaram-se cada vez mais frequentes.

Após o período de recuperação, um romancista e estilista diferente surgiu com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (na forma de parcelas em 1880 e como livro no ano seguinte).

Seus romances anteriores haviam lhe dado o respeito e o reconhecimento que qualquer autor aspiraria obter, mas o tom irônico e radical do falecido narrador de Memórias Póstumas elevaria Machado a um escritor aclamado pela crítica de estatura desigual.

A contínua carreira de sucesso de Machado de Assis proporcionou a ele e Ana Carolina um estilo de vida confortável, e por volta de 1884 eles se mudaram para uma casa na rua Cosme Velho, onde permaneceriam pelo resto de suas vidas.

Logo após a abolição da escravatura em 1888 e a proclamação de uma república em 1889, um grupo de escritores respeitados expressou o desejo de estabelecer uma academia literária no Brasil semelhante à famosa Academie Française (Academia Francesa).

Em 1897, Machado de Assis foi eleito o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. No mesmo ano, mudanças no governo precipitaram a aposentadoria precoce e involuntária do autor do serviço civil, que, por sorte, durou apenas cerca de um ano.

Machado foi convidado a retornar como secretário do Ministro dos Transportes, e logo depois, tornou-se o diretor geral de contabilidade no mesmo ministério. Durante o ano livre, Machado começou a escrever seu romance mais famoso, Dom Casmurro.

Neste trabalho, Machado criou o que são indiscutivelmente os dois personagens mais famosos da literatura brasileira: Bentinho e Capitu. Seu relacionamento tumultuado continua a gerar, ainda hoje, muitas leituras críticas.

Em 1904, ano de morte de Ana Carolina, o oitavo romance de Machado, Esaú e Jacó , foi publicado. Quatro anos depois, o Memorial de Aires finalizou a extensa bibliografia de Machado.

Quando Machado de Assis morreu em 29 de setembro de 1908, discurso após discurso o homenageava e elogiava. Toda a cidade do Rio de Janeiro lamentou a perda de seu maior escritor.

As releituras e o sucesso internacional décadas depois

Machado de Assis redefiniu o conceito de escritor prolífico. Além de autor de uma extensa e extensa lista de romances e contos, Machado escreveu poesias, dramas, inúmeros ensaios críticos sobre teatro e literatura, e adaptou peças francesas e romances traduzidos.

Machado de Assis deixou para trás um legado de contos e romances, que criticava mordazmente a insensível classe média alta e as elites do Brasil com o uso de sutil ironia e ambiguidade bem trabalhada.

Até os 40 anos, Machado de Assis lutou para adquirir tanto técnica quanto forma literária. Sua dedicação e trabalho duro lhe garantiram o reconhecimento precoce, mas sua escrita carecia da ironia e da sagacidade que seriam aclamadas como suas marcas registradas.

O autor transformado, perceptivo e cético não aderiu a nenhuma ideologia, seguiu nenhuma escola de pensamento e explorou maneiras significativamente novas de representar as realidades da sociedade brasileira e as complexidades da condição humana.

Os anos que se seguiram à morte de Machado de Assis testemunharam uma enxurrada de ensaios críticos, traduções iniciais e publicações que exploravam o trabalho e a vida do mestre brasileiro.

Na segunda metade do século XX, críticos internacionais começaram a descobrir Machado. O autor que tão brilhantemente criticou a insensível classe média alta do Brasil e expôs a complexidade de sua sociedade também começou a gerar grandes e variadas respostas por aqueles que sabiam muito pouco do Brasil.

Para os críticos fora do Brasil, não foi a habilidade singular de Machado de entender e representar os meandros da realidade de seu país que o fizeram sobressair; antes, era a natureza atemporal e universal de suas obras que comandava a atenção. Esse aparente paradoxo é um dos eternos legados do autor.

Por Renata Schmidt

 

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