Publicado em O Beco Indica, Principal

O Beco Indica #2

Toda semana, dez indicações de links para enriquecer sua timeline

Uma semana de tirar o fôlego. Acredito que esse seja o resumo dos últimos acontecimentos no BR e no mundo com diversas discussões sobre emponderamento, rede de apoio para pessoas com transtornos mentais e processos de impeachment por todos os lados. Vamos conversar sobre os links da semana?

#1

Esta semana nossa Editora-Chefe, Luciana Assunção, publicou um artigo para falar de transtorno depressivo e de ansiedade sob a ótica do suicídio de Chris Cornell. Ainda sobre isso, para ampliar o debate sobre as dificuldades do paciente ter uma rede de apoio eficiente que ofereça suporte adequado sobre suas dificuldades, recomendo esse artigo do The Mighty, site especializado em temas da saúde mental, sobre como precisamos continuar a quebrar o tabu da depressão (independente da idade do paciente). A depressão, assim como a ansiedade, é um transtorno que nos paralisa e pode atingir a qualquer um em diferentes faixas etárias e o acompanha ao longo da vida. Independente se você possui uma vida extremamente funcional, os transtornos mentais prejudicam a interação com o social e com você mesmo e podem influenciar decisões como a de Cornell. Vamos continuar a falar sobre o assunto para que, cada vez mais, pessoas possam olhar para si sem preconceito.

#2

Ainda dentro do tópico, a revista SuperInteressante trouxe outra forma de diálogo ao citar estudo da Royal Society for Public Health, instituição de saúde pública britânica que realizou a pesquisa junto ao Movimento de Saúde Jovem sobre as redes sociais mais nocivas à saúde mental. O texto aponta a efemeridade do Instagram como a plataforma mais prejudicial a auto-estima e o sono, principalmente de adolescentes, por ser um não-lugar de exposição de um nível de vida inalcançável para este público. Mesmo para a geração posterior (jovens adultos, 20 aos 30, e adultos, 30 em diante), o espelho digital da plataforma de imagens amplia sensações de depressão e ansiedade devido a sua exposição e, principalmente, de exclusão de grupos que não conseguem alcançar o nível de consumo e experiência do outro. Vale para pensar sobre como privilegiamos a vida digital nos últimos 20 anos, tornando nossos passos espelhos de consumo.

#3

Entre discursos de ódio e páginas sem comprometimento com informações, o Facebook também oferece alternativas para pensar em comunidade e refletir sobre como as ações podem tomar direções positivas para o enriquecimento do saber e a quebra de preconceitos. A primeira vista a página de Renan Wilbert, Igreja de Santa Cher na Terra, pode parecer uma central de memes para o universo LGBTQ, mas vai muito além disso. Wilbert tem levantado questões sociais, políticas e de quebra de preconceitos sobre a comunidade, agregando informações e promovendo debates em sua página. Traz militância? Sim, claro! Mas também traz informações diversas sobre séries, livros e música sobre o tema quebrando paradigmas e promovendo o diálogo. Com isso, a página tem criado seu próprio espaço de fala, evoluindo de forma natural no uso de ferramentas de comunicação na internet para alcançar cada vez mais corações. Viva Santa Cher.

#4

Esse negócio de ficar de link em link, caiu no meu feed esta semana este artigo de 2016 do Infonormas sobre uma ferramenta que facilita a busca por revistas científicas para publicação de artigos de produção acadêmica-científica, o Edanz Journal Selector. Clica lá e conheça um pouco sobre essa ferramenta.

#5

Todo mundo reclama muito do conteúdo traduzido da VICE e seus derivados (e hoje vamos linkar a I-D da Nova Zelândia/Austrália), então vou indicar ler sempre da fonte. O site (que possui formato eletrônico de revista) se propõe a abordar temas gerais com o viés do olhar contemporâneo em módulo colaborativo. Mas como assim, contemporâneo? Oras, é o olhar da nossa geração sobre o mundo e o que de diferente tem por aí, a geração X, Y ou como qualquer derivativo dela. E já que estamos falando daqueles que nasceram nos 80, mas que cresceram nos 90, Daria é um desenho que me marcou de forma profunda. Acho que foi a primeira vez que me vi representada, pois reflete a nossa geração, meio esquisita, meio geek, se descobrindo queer, que abomina cheerleaders e com pouca afinidade com esportes. Passava na MTV há 20 anos e é um marco para o que hoje nos tornamos: cínicos, sarcásticos e extremamente analíticos. Não sabe do que estou falando? A VICE explica aqui.

#6

Em tempos em que a frase “liberdade de expressão” tem recebido conotações diferentes sobre sua premissa, o blogue especializado em HQs, Quadrinheiros, traz um artigo muito proveitoso sobre o combate aos discursos de ódio no ambiente dos quadrinhos e cultura geek. Escrito em 2015, o texto “Respeite minha opinião!”: liberdade de expressão na indústria dos quadrinhos leva para a mesa de debate o limite do humor, exemplificado pela citação ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, além de expor o machismo do público das grandes editoras de HQs americanas sobre o espaço da mulher como personagem central das tramas e a dificuldade em mudar estigmas sobre o recurso de roupas e comportamento das personagens ao longo do tempo. Vou aproveitar e destacar um trecho muito interessante do artigo:

“A liberdade de expressão não pode se resumir apenas ao que você gosta ou quer. É muito comum quando leitores se deparam com uma postura com a qual não concordam sentenciarem: “lá vem o mimimi politicamente correto”. Então, o raciocínio é simples e simplista: disse o que eu quero ouvir ou concordo? Ótimo. Disse algo que eu discordo ou não quero ouvir? Lá vem um comentário do gênero: “é mimimi”, “é mal-informado”, “é de direita”, “é de esquerda”, e outras bobagens afins que eximem o comentarista de argumentar seriamente.”

#7

O Festival de Cannes foi na semana passada e premiou Sofia Coppola como melhor diretora com seu filme The Beguiled, remake do filme de 1971 que no BR veio com o nome O Estranho Que nós Amamos e é baseado em um livro de 1966 de Thomas Cullinan, A Painted Devil. Como não vi os dois filmes e tão pouco o livro, deixo aqui a resenha de Pablo Villaça do Cinema em Cena que traz um paralelo do filme original com o de Sofia, além de relativizar as narrativas para os debates da sociedade atual e a matéria da DAZED que questiona a narrativa anterior e a escolha perfeita da diretora para conduzir o seu reboot. A diretora é a segunda mulher a ganhar na categoria, sendo precedida por Yuliya Solntseva em 1961 com The Chronicle of Flaming Years.

#8

E por falar em temas controversos e debates, a 70ª edição do festival de Cannes trouxe muita discussão para o universo cinematográfico não só pela premiação de Sofia (e o contexto do filme), mas também por selecionar para a mostra competitiva filmes distribuídos fora da sala de cinema, como Okja e The Meyerowitz Stories do serviço de streaming Netflix, que foram disponibilizados somente on demand. O debate foi tão intenso (inclusive com diversas acusações de Almodovar, citado na matéria do Adoro Cinema) que novas regras foram aplicadas aos concorrentes para 2018, sendo que somente filmes que tenham circulado em salas de cinema franceses podem realizar inscrição para a Palma de Ouro.

#9

A União Europeia promoveu uma parceria entre a Biblioteca Britânica e o Museu do Louvre e outras instituições de arte para criar uma plataforma que disponibiliza online os 100 primeiros anos da fotografia no continente e outras obras culturais. São diversas coleções organizadas por categoria que aproximam o registro do final do século XIX e início do XX para a atualidade. Confira algumas imagens neste link do jornal Nexo e no site da Europeana Collections. Falaremos um pouco mais sobre esse trabalho na nossa coluna semanal de fotografia.

#10

Sem muito alarde, foi lançado dia 12 em Cabo verde o VOC, Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa. Segundo reportagem do Jornal Nexo, o material “reúne e unifica o léxico de cinco países lusófonos“. VOC é uma derivação do Acordo Ortográfico que busca aproximar a língua portuguesa em suas diferentes nuances e características pluralizadas a partir da ótica regional para a mundial, alinhando a norma ortográfica a fim de respeitar suas variações em cada Estado-membro. Apenas cinco países aderiram o VOC até o momento: Brasil, Portugal, Moçambique, Cabo Verde e Timor-Leste.

Autor:

Cerratense perdida na neblina curitibana, jornalista por falta de direcionamento de carreira e fotógrafa sem câmera.

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