Publicado em Escuta só

Escuta só! – ChocQuib Town

Prepare-se para conhecer um dos grupos de mais sucesso atualmente na América Latina! “Sarah, mas se faz tanto sucesso, por que não chegou no Brasil ainda?” Boa pergunta! Um dia podemos conversar sobre o pouco diálogo que existe entre Brasil e os outros países da América Latina (sim, nós somos latinos também), hoje só vamos tirar o atraso e escutar um pouco desse grupo maravilhoso.

ChocQuib Town é uma banda colombiana, mas eu os conheci antes de me mudar para cá (para quem ainda não sabe, moro na Colômbia). Foi em São Paulo, na Virada Cultural de 2013, se não me engano. Tive a chance de assistir gratuitamente um show deles e foi uma das descobertas musicais  mais interessantes que fiz nos últimos tempos. Eles não têm um estilo específico. É uma mistura de hip hop com música folclórica colombiana, com salsa, com reggae, com pop… enfim, é uma mistura de coisa boa que resulta em coisa melhor ainda.

O nome do grupo nasceu em homenagem à terra de origem deles, Quibdó – Chocó, que é, infelizmente, um dos lugares da Colômbia mais ignorados pelo poder público. Também é um lugar com a população majoritariamente negra. Por esse motivo, a banda sempre aborda questões sociais seja em suas músicas ou entrevistas. Sempre exaltam seu lugar de origem e declaradamente lutam contra o racismo. As músicas a seguir são um pouco mais antigas, mas falam justamente sobre isso:

 

Uma das melhores misturas que mais gosto do ChocQuib Town é com a salsa (sim, eu gosto de salsa!). Eles fazem uma “salsa moderna”, chamada aqui atualmente de “salsa choke”, ou “salsa urbana”. Vejam como é:

Depois de vocês terem visto esses vídeos, nem preciso chamar atenção para quão estilosos eles são, né? Mas faço questão de falar da vocalista Goyo, que eu acho simplesmente maravilhosa! Uma coisa interessante que aconteceu aqui foi ela ser convidada para ser uma das juradas do programa The Voice (que se chama La Voz), em uma edição com adolescentes. Por que isso é tão importante? Pela representatividade. Aqui na Colômbia é como no Brasil, nós ligamos a TV e 99% das pessoas são brancas. Lembro que quando eu era criança só consegui me identificar em um personagem dos programas que eu assistia: a Biba, do Castelo Rá-tim-bum, lembram dela? Imaginem como é para uma criança, uma menina, ligar a TV e ver alguém da cor dela, com o cabelo parecido com o dela? Isso muda tudo! E a Goyo com certeza virou referência para milhares de meninas na Colômbia, isso não é demais?

Goyo

ChocQuib Town já ganhou alguns prêmios, inclusive Grammy Latino, e não é para menos. Música boa, original e cheia de estilo.

 

Vou terminar com uma das últimas canções de sucesso aqui na Colômbia, mas você pode procurar muito mais sobre ChocQuib Town, se tiver curtido.

 

Se gostaram, não deixem de comentar!

Publicado em Cinema

O verdadeiro terror no filme Corra!

Fazia tempo que eu não ia ao cinema. Digamos que os filmes do momento não têm me chamado atenção. Além disso, na cidade onde vivo hoje em dia, infelizmente há poucas opções de cinema, então basicamente assisto filmes na minha casa mesmo. Porém, comentários na internet sobre o filme Get Out – título traduzido no Brasil como Corra! – me chamaram a atenção. “Como assim um thriller em que um homem negro é aterrorizado por pessoas brancas? Sobre o que é realmente esse filme? Preciso ver!” Devo dizer que também não sou muito fã de filmes de terror, mas pela primeira vez em muito tempo me animei em ir ao cinema.

Antes de contar minhas impressões sobre o filme, considero importante dizer que não sou crítica de cinema. Uma análise mais técnica e especializada precisará ser buscada em outras fontes. Aqui eu posso oferecer apenas uma opinião de espectadora e interessada em temas abordados no filme, como o racismo. Dito isto, podemos começar com um breve resumo para situar quem não faz ideia de que filme é esse. Continuar lendo “O verdadeiro terror no filme Corra!”

Publicado em Desafio Literário, Literatura, Realidade

Mulheres, raça e classe – Angela Davis

Abril foi um mês de grande aprendizado para mim, com a leitura de Mulheres, raça e classe, da Angela Davis. Foi o livro escolhido para meu Desafio Literário: 12 livros escritos por mulheres para 2017, aproveitando a oportunidade para começar a preencher o vazio acadêmico deixado pela minha formação em Ciências Sociais.

Como contei para vocês na publicação anterior, a escolha de Angela Davis para essa lista não foi aleatória, eu tinha (e tenho) sede de aprender um pouco mais sobre todos os temas que ela aborda e a tradução e publicação desse livro foi mesmo um presente. Mas não se desanimem pensando que esse é um livro com toda a densidade e dificuldade da linguagem acadêmica. Angela Davis nos oferece uma aula muito didática sobre racismo, feminismo e luta de classes, o que permite que qualquer pessoa que tenha esse livro em mãos entenda com facilidade seus argumentos. Continuar lendo “Mulheres, raça e classe – Angela Davis”

Publicado em Literatura

Desafio Literário 2017 – abril: Angela Davis

Chegou o momento de falar sobre minha leitura de abril, do Desafio Literário: 12 livros escritos por muheres para 2017. Como sempre, antes de falar sobre o livro e minhas impressões da leitura, quero falar rapidamente sobre a autora e o porquê de ter escolhido ela para minha lista.

Quando pensei em fazer uma lista de 12 livros escritos por mulheres, decidi que incluiria livros que não fossem literários, pelo seguinte motivo: nós temos uma defasagem IMENSA nas escolas e universidades quando se trata de ler e estudar temas que tenham sido invetigados por mulheres. Eu fiz um curso de Ciências Sociais, imaginem vocês, um curso da área de Humanidades, que se propõe a debater diferentes pensamentos e teorias sobre a sociedade, a política, as organizações sociais. Teoricamente deveria haver uma pluralidade de vozes abordando todos esses temas, certo? Mas durante meus quatro anos de graduação e mais dois anos de mestrado, eu posso contar quais foram as poucas vezes que nos aprofundamos em uma obra escrita por uma mulher. Mais ainda, eu posso dizer quando nos aprofundamos em um livro escrito por uma mulher negra: NUNCA. Parece chocante? Na verdade não muito, quando nos damos conta de que a estrutura da universidade ainda é machista e racista. Continuar lendo “Desafio Literário 2017 – abril: Angela Davis”

Publicado em Desafio Literário, Literatura, Literatura Estrangeira

Dias de Abandono – Elena Ferrante

Imagine que você é uma mulher por volta dos seus 40 anos. Um casamento de 15 anos, dois filhos, um cachorro que você tem que cuidar, apesar de nem gostar tanto dele assim. Praticamente toda sua vida adulta até agora se resume em criar os filhos e adiar seus planos e sonhos pessoais porque, ao contrário do seu esposo que conseguiu alavancar a carreira mesmo sendo pai, você ficou estagnada profissionalmente após se tornar mãe.

Sua principal tarefa é cuidar dos filhos e do marido. Mas um dia esse homem resolve ir embora sem dar maiores explicações. Simplesmente pega suas coisas e sai de casa. Te abandona com seus filhos e com a loucura de tentar entender o que aconteceu.

Você consegue imaginar tudo isso? Talvez você já tenha passado por algo semelhante. Mas se não passou, consegue se colocar no lugar dessa mulher? Elena Ferrante faz isso no livro Dias de Abandono. Ela entra na cabeça dessa mulher e constroi uma personagem que narra com detalhes seus sentimentos após ter sido abandonada pelo esposo. O resultado é um livro sufocante. Continuar lendo “Dias de Abandono – Elena Ferrante”

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Escuta só: Parson James

 

Grey’s Anatomy  é uma série que assisto desde o começo, isso quer dizer há uns 11 anos mais ou menos. (Vocês, que acompanham séries, não se surpreendem às vezes com o tanto de tempo que a gente leva assistindo essas temporadas? 11 anos é uma vida inteira, gente.) Sempre gostei muito das músicas que aparecem em Grey’s. Parece que a pessoa responsável pela trilha sonora da série pensa assim: “que artista novo com música legal eu posso colocar nesses episódios, para fazer as pessoas conhecerem?”. Porque sempre tem artistas não muito conhecidos, com músicas sumpimpas (ou versões supimpas de músicas velhas) e eu fico: nossa, que achado! Continuar lendo “Escuta só: Parson James”