Home>Biografia>A trajetória de Graciliano Ramos

A trajetória de Graciliano Ramos

Graciliano Ramos foi um dos maiores importantes escritores brasileiro do século XX. O seu romance “Vidas Secas” com certeza é a sua principal obra

 

 

Conhecido como o melhor ficcionista que contribuiu para o Modernismo, além de ser considerado o prosador mais importante da chamada segunda etapa do movimento modernista.

As suas obras, embora costumem tratar dos problemas sociais que persistem no Nordeste do Brasil, costumam apresentar uma visão mais crítica de relações humanas, que costumam ser de interesse universal.

Os seus trabalhos já foram traduzidos para inúmeros países. O livro São Bernardo, Vidas Secas e Memórias do Cárcere foram adaptados até mesmo para o cinema. Confira um pouco mais sobre a trajetória desse importante escritor brasileiro.

 

Infância e Juventude

Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, em Alagoas. Ele era o primogênito de quinze filhos do seu Sebastião Ramos de Oliveira junto com a sua mãe Maria Amélia Ferro Ramos. A sua família era considerada classe média em pleno sertão do nordeste.

Passou um período da sua infância vivendo em Pernambuco, na cidade de Buíque, e outra etapa em Viçosa, no seu estado local. Foi lá que ela frequentou um internato para estudar.

Em 1904 Graciliano publicou através do jornal da escola o seu primeiro conto, intitulado “O Pequeno Pedinte”. No ano de 1905 ele se mudou para Maceió, capital de Alagoas, onde fez os seus estudos secundários no Colégio Internato Quinze de Março.

Foi nesse período que Graciliano Ramos acabou desenvolvendo um maior interessa pela literatura e pela língua em geral. A sua infância e juventude foi marcada por várias mudanças, e em 1910 ele foi para Palmeira dos Índios, onde o seu pai abriria um comércio pequeno.

Não demorou muito para o jovem Graciliano se mudar novamente, mas dessa vez sozinho. Ele foi para o Rio de Janeiro, e lá trabalhou como revisor de jornais locais, como A Tarde, Correio da Manhã e O Século.

Duas de suas irmãs acabaram morrendo por consequência da peste bubônica, e em 1915 ele teve que retornar para Palmeiras do Índios. Lá, ele trabalhou com o seu pai no pequeno comércio da família. No ano seguinte, se casou com Maria Augusta Barros, mulher com quem ele acabou tendo quatro filhos.

 

Cargos públicos

Graciliano Ramos teve alguns cargos públicos durante a sua vida. No ano de 1928 ele venceu a eleição e se consagrou prefeito da cidade de Palmeira dos Índios. Foi nesse mesmo, onde já viúvo ele se casou com Heloísa de Medeiros, com quem ele teve outros quatro filhos.

Passando para 1930, ele deixou a prefeitura e se mudou para a cidade de Maceió. Lá, ele assumiu a direção da Imprensa Oficial de também da Instrução Pública de Alagoas.

 

Primeiras obras

Ele só foi estrear na literatura no ano de 1933, publicando o seu romance Caetés. Nesse período ele mantinha contato com alguns nomes importantes da literatura, como Rachel de Queiroz, José Lins do Rego e Jorge Amado. No ano seguinte publicou o seu romance São Bernardo, e 2 anos depois a obra Angústia.

Ainda em 1936, enquanto ainda exercia o cargo de diretor na Instrução Pública de Alagoas e na Imprensa Oficial, ele acabou sendo preso acusado de ser comunista. Ele permaneceu durante nove meses preso, mas foi solto por falta de provas.

No ano de 1937 Graciliano Ramos voltou ao Rio de Janeiro. Ele foi morar em um quarto de uma pensão junto com a sua esposa e filhas menores. No ano de 1939 foi nomeado como Inspetor Federal de Ensino, e no ano de 1945 entrou para o Partido Comunista.

Ele foi eleito o presidente da Associação Brasileira de Escritores em 1951, e em 1952 viajou para alguns países socialistas localizados no Leste da Europa. Essa sua experiência foi relatada na sua obra “Viagem”, que só foi publicada em 1954, após a sua morte.

 

Características da obra de Graciliano Ramos

Graciliano Ramos é conhecido como o principal ficcionista do nosso Modernismo. Ele fez parte de um grupo de escritores responsáveis por inaugurar o realismo crítico, que representa os problemas do Brasil em geral ou alguns mais específicos voltados a uma determinada região.

Esse tipo de literatura é uma que traz para a reflexão os problemas sociais que são marcantes do momento que aqueles romances foram feitos.

A literatura tem o foco de provocar uma maior conscientização, sendo o romance regionalista um tipo de obra que tem como principal tema criticar para assim fazer uma denúncia das questões sociais.

As preocupações com a linguagem com certeza é um traço bem peculiar de Graciliano. O interesse da sua narrativa é centrado na problemática das pessoas. O interesse é voltado de forma direta para o âmbito comportamental, para as atitudes e para a conduta do ser humano. Com isso, a descrição da paisagem passa a narcer da caracterização própria psicológica dos personagens.

A sua obra-prima, Vidas Secas, publicada em 1938, narra toda a história de uma família de retirantes do nordeste, que por serem atingidos pela seca são obrigados a andar pelo sertão procurando melhores condições para viver.

Esse livro tem como interesse mostrar toda a tirania da terra cruel, que atua sobre o homem. Graciliano decide escrever durante a sua carreira também obras com caráter autobiográfico, onde ele junta algumas cenas e acontecimentos pela memória revestidas da extrema subjetividade.

Nesse caminho podemos destacar as obras Memória do Cárcere, de 1953, e Infância, de 1945. Nelas, o autor passa a retratar algumas experiências bem dolorosas da sua vida durante os nove meses em que ele ficou preso.

Graciliano Ramos é um escritor memorável, que nos deixou no dia 20 de março de 1953, no Rio de Janeiro. Porém, mesmo com sua morte, cada linha dos seus livros continuam bem vivos em quem teve a oportunidade de ler.

 

Colaborador Beco das Palavras
Os textos publicados aqui são produzidos pelo colaborador que assina cada artigo, sob supervisão e revisão de Luciana Assunção.

Deixe uma resposta