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Conheça Marjane Satrapi

Marjane Satrapi, o nome de trabalho da Marjane Ebihamis (Irã, Rush, 22 de novembro de 1969), é uma escritora de romance gráfica, ilustradora, produtora de cinema e uma escritora franco-iraniana. Ela se tornou a primeira mulher nascida no Irã a escrever quadrinhos. Ela e Vincent Paronnaud co-dirigiram uma adaptação animada da série em quadrinhos “Persepolis” que foi indicada para ganhar o prêmio do Oscar.

Marjane Satrapi se criou em Teerã. A família participou dos movimentos comunistas e socialistas no Irã pouco tempo antes da Revolução do Irã. Lá, ele participou do Lycée Français e testemunhou a crescente supressão das liberdades civis durante sua infância e as consequências das políticas do Irã no cotidiano dos residentes desse país, incluindo a queda de rei Ruhola Khomeini, o regime original de Ruhollah Khomeini, e a Guerra Irã-Iraque.

No ano 1983, Strapati, de apenas 14 anos, foi enviado por seus pais a Viena, na Áustria, para escapar do regime do Irã. Lá, Marjane estudou na Academia Francesa em Viena. De acordo com a sua autobiografia “Persépolis”, ela ficou em Viena quando estava no colégio, vivendo com amigos, internato e república estudantil, até que finalmente ficou sem teto e viveu nas ruas. Devido às más condições que ela passava, depois de um passar por um ataque quase fatal de pneumonia, ela voltou ao Irã e conheceu um rapaz chamado Reza. Ela se casou com seus 21 anos e se divorciou três anos após a união.

Logo em seguida, Marjane começou a estudar comunicação visual e mais tarde concluiu o mestrado na área de comunicação visual na Academia de Belas Artes de Teerã em Azad, Universidade Islâmica. Satrappi então se mudou para a cidade de Estrasburgo, na França. Atualmente mora em Paris e é ilustradora e uma autora renomada de vários livros infantis.

Ela também é a responsável pelas artes do álbum de estúdio “Préliminaires” do grupo de rock Iggy Pop.

 

Algumas Obras

Marjane Satrapi possui ao longo de sua carreira artística uma série de obras extremamente reconhecidas. Para não se prolongar, sua Obra Persepolis se configura como a principal. Ela trabalhou bastante nessa história em quadrinho, lançando até o quarto volume.

Além disso, Marjane Satrapi também tem trabalhos no cinema. Além de ajudar como co-diretora e co-roteirista no filme animado da suas HQ’s, ela também contribuiu para outras obras como Chicken with plums (2011) (co-roteirista e co-diretora), Gang of the Jotas (2012) (diretora, roteirista, atriz) e The Voices (2014) (diretora).

 

A aula de Marjane Satrapi em Persépolis

 

Ao conseguir transitar entre o Oriente e o Ocidente, a artista iraniana utiliza um humor para conseguir recriar o seu passado de maneira artistica, ironizando as tradições inventadas em seu país e a si mesma.

Quando ela decide narrar um momento em que ela passou a residir na rua, ela utiliza um tom bem agridoce que consegue aproximar o leitor dessa personagem e o país islâmico de nossa realidade.

Não à toa, a artista ganhou o Prêmio de Revelação no Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, que é considerada a premiação francesa com maior importância nesse gênero.

Além disso, a sua história não ficou limitada às páginas impressas: em 2008, Persépolis também foi transformada em uma animação dirigida pela própria autora em conjunto com o Vincent Paronnaud.

Esse longa-metragem em animação disputou o prêmio do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro no Festival de Cannes, onde ele levou o Prêmio do Júri.

Na Mostra Internacional do Cinema em São Paulo, ganhou o Prêmio de audiência como o Melhor Filme Estrangeiro, e isso revela bastante o sucesso e o tamanho da amplitude dessa interessante história.

 

Persépolis em escolas e a censura

A obra conseguiu ser confiscada das escolas públicas do Estados Unidos da América e também teve sua exibição em filme censurada no Líbano.

Os motivos, inclusive, conseguem ser compreendidos através de uma leitura da própria história: com uma devida mediação de leitura, o mesmo jovem classificado como uma parte de mercado consumidor pode acabar se tornando um agente social que é capaz de refletir todos os temas abordados. Isso é uma transformação que passa pelas escolas, ideia defendida pela autora.

Quando se trabalha com obras literárias com jovens, acaba rolando uma certa aproximação com o grupo potencial dos jovens que não são leitores, e isso incentiva um hábito de leitura e uma produção da escrita, além das desenvolturas da oralidade e da alfabetização das linguagens próprias dos quadrinhos.

Soma-se a esses efeitos todos os resultados conhecidos na prática literária, como a identificação e uma construção das noções identitárias, a ampliação dos horizontes, um desenvolvimento do olhar crítico sobre os aspectos linguísticos, da história, comunicacionais e os aspectos sociológicos.

Colaborador Beco das Palavras
Os textos publicados aqui são produzidos pelo colaborador que assina cada artigo, sob supervisão e revisão de Luciana Assunção.

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