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Anima – 2019

A Netflix não tem trazido apenas ótimas produções, mas também, tem dado muitas oportunidades para novos trabalhos e até mesmo, para alguns experimentos. Anima, pode ser um desses experimentos que chamou atenção do público devido sua beleza e poesia.

 

Anima é um curta-metragem musical de quinze minutos estrelado pelo músico Thom Yorke e pela atriz Dajana Roncione. Este trabalho foi dirigido por Paul Thomas Anderson que esteve a frente de grandes filmes, tais como: Sangue Negro, Magnólia, O Mestre.

Mas o que torna esse trabalho tão original e interessante? Antes de falarmos sobre isso, precisamos traçar um comparativo entre duas produções baseadas na musicalidade. Os Musicais costumam contar com a mesma duração de uma produção comum. Já os clipes, são mais curtos e servem para comercializar um determinado álbum.

Sabemos que algumas bandas contam com vídeos clipes com muito tempo de duração. Então o que difere Anima de um vídeo de um músico qualquer? É o andamento da estória e a interação dos artistas que, nos apresentam uma harmonia que vai além da música. 

Thom e Dajana estão fantásticos na atuação e provavelmente é uma das grandes razões do curta ter atingido um sucesso tão grandioso. Lembrando que, são poucas pessoas que gostam de curtas-metragens, mas este aqui, realmente vale a pena assistir.

E sabe por que estão simplesmente fantásticos e harmoniosos? Anima, não conta com letras, tudo é ritmo, tudo é dança, as emoções se limitam aos olhares, aos toques, as imagens que vão sendo entregues ao telespectador que, acaba ficando hipnotizado ao perceber que está compreendendo uma estória sem qualquer palavra.

E por esse trabalho tão harmonioso e coeso entre todos os atores participantes, podemos dizer que anima não é um filme ou um curta como qualquer outro, mas sim, arte audiovisual, devido à complexidade de sua construção. Para tudo há um sentido de estar em foco.

Sem a necessidade de nos dizer com palavras, Anima nos passa um cotidiano silencioso de cada pessoa que compartilha um vagão, calçadas ou qualquer outro lugar. A falta de diálogos é justamente para nos mostrar que, ao sairmos de nossa familiaridade, somos estranhos para todos ao nosso redor.

Isso sem mencionar na velocidade dos fatos e isso é algo que tem a ver com a duração do filme. Se houvessem decidido criar um longa, provavelmente, a obra não teria nesta característica a ideia de que estamos sempre correndo e apressados de um lado para outro. 

O curta conta com uma construção, uma cadência sonora. Logo no início, o tempo é marcado por batidas fortes e um som etéreo que nos passa a impressão de estarmos indo algum lugar. A voz do cantor também, utilizando-se efeitos sonoros, sua voz parece estar sempre seguindo para um caminho.

Isso é algo proposital. E fica claro quando chegamos aos segundos finais da obra, a trilha suaviza e uma dança é iniciada, sem movimentos bruscos, mas apenas uma dança que, comemora toda uma rotina que foi seguida para chegar a um momento que realmente esperamos durante todo nosso dia. 

 

Assista, você não vai se arrepender.

 

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Colaborador Beco das Palavras
Os textos publicados aqui são produzidos pelo colaborador que assina cada artigo, sob supervisão e revisão de Luciana Assunção.

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