Olhai os Lírios dos Campos

O que se passa pela cabeça de homem quando recebe a notícia de que a pessoa amada está morrendo? É assim que começa Olhai Os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo.

Ao ser informado que sua amante está morrendo, o médico Eugênio Fontes parte para o hospital para se despedir da amada. No trajeto Eugenio irá reviver os momentos mais dolorosos e marcantes de sua vida que o levaram até a situação que se encontra enquanto sofre pela angústia da futura perda.

Eugenio nunca gostou de ser pobre. Não aceitava o fato de o pai aceitar a situação em que vive e sonha em ser rico quando crescer. Apesar do árduo trabalho que seus pais se impuseram para que o filho pudesse ter o melhor estudo e se formar em medicina, Eugênio ainda sentia vergonha de ser pobre. Na faculdade, conhece Olívia, uma jovem também pobre que se esforça como ele para pagar as caras mensalidades. Em Olívia Eugênio vê uma amiga, confidente e amante.

Apesar de amar Olívia, Eugênio se casa com Eunice, uma jovem que lhe facilita a entrada à vida na alta sociedade. Mas ao se tornar rico, Eugênio não se sente inserido na alta sociedade. Não conseguir se encaixar apesar de realizar seus sonhos. Ele percebe que dinheiro não traz felicidade e nem ao menos uma pessoa da alta sociedade. Sempre se sentindo um estranho, Eugenio teme largar tudo e voltar a ser pobre. Mas a notícia da morte próxima de Olívia o mudara completamente.

Olhai os Lírios do Campo é um livro muito bem escrito. O texto de Veríssimo é esplêndido, sua narrativa é de uma beleza que poucos autores conseguem. A história pode se tornar um pouco enfadonha quando Eugênio rompe algumas barreiras e busca ser aquilo que Olívia desejava dele, alguém que busca ajudar quem necessita, em ser alguém mais simples. Em alguns pontos lembra histórias de Augusto Cury, só faltando Eugênio ir de encontro com uma árvore para abraçá-la.

Mas esses pontos negativismos podem ser deixados de lado pelo seu texto (que repito, muito bem escrito) e a riqueza que nos traz sobre a sociedade na década de 30, onde vemos nazismo ser comentado não sobre os olhos que vemos hoje, de repúdio, mas que existiam pessoas, aqui mesmo no Brasil, que aceitavam os idéias nazistas. Isso gera um pano de fundo onde nos mostra que até mesmo aqui na América, os judeus também sofriam com o racismo provocado pelos idéias nazista e as complicações que isso causava. Um trabalho muito bem estruturado por Veríssimo que faz o público jovem do séc XXI ver um lado desconhecido da história do Brasil.

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