Desafio Literário: janeiro – 2018: Conceição Evaristo

Depois de finalmente terminar meus comentários sobre o desafio do ano passado, começo a falar do Desafio Literário: 12 livros escritos por mulheres negras para 2018. Na verdade, já terminei o livro de fevereiro também, mas não queria começar a falar sobre eles sem finalizar aqui no blog as leituras de 2017. Por isso, apenas agora estou aqui para falar sobre o livro que dá início a esse desafio, mas meus planos são de fazer essas publicações assim que terminar a leitura, seja no meio ou no fim do mês, ou no início do mês seguinte. Vamos torcer para que nenhum imprevisto aconteça no meio do caminho e tudo dê certo.

Bem, como fiz no desafio do ano passado, quero separar em duas publicações minhas impressões sobre a leitura do mês. Na primeira falo sobre o motivo de ter escolhido o livro e a autora para minha lista, às vezes fazendo uma breve apresentação da autora. Na segunda falo sobre o livro propriamente dito. Então hoje vamos falar sobre Conceição Evaristo, que foi a autora de janeiro.

Na apresentação desse desafio literário contei que um dos meus critérios de escolha das autoras foi ainda não ter lido nenhuma de suas obras. Já li algumas escritoras negras (que não estão presentes na lista) que me deixaram com vontade de ler outros de seus livros, mas a ideia do desafio é também conhecer mais, expandir minha experiência literária, conhecer novas histórias e outras vozes.

Conceição Evaristo foi a primeira a ser escolhida porque, embora eu não tivesse lido ainda nenhum de seus livros, já conhecia seu nome. Já havia visto e lido diversas entrevistas suas e sabia de sua importância para a literatura brasileira. Há tempos queria ler uma de suas obras e o complicado foi justamente escolher uma, porque todos os seus livros estão na minha lista de próximas leituras. Depois de muito pensar e ler e reler as sinopses dos livros, decidi pelo caminho mais óbvio de começar por aquele que tem sido o mais aclamado até agora, que é Ponciá Vicêncio. Vou guardar os comentários sobre ele para o próximo post, mas adianto que gostei muitíssimo e acho que com ele comecei bem meu ano literário.

O que quero fazer hoje é compartilhar algumas entrevistas recentes da Evaristo, porque acredito que ler e ouvir suas próprias palavras será mais interessante e útil para vocês do que se eu ficar aqui reproduzindo uma biografia dela, que podem encontrar em qualquer lugar, com uma busca rápida no Google. Vou deixar um comentário resumindo rapidamente o tema de cada entrevista e recomendo muito que vocês vejam, porque Conceição Evaristo é uma mulher incrível, com uma compreensão muito interessante sobre  da literatura e de seu próprio lugar no universo literário.

Para começar, indico a entrevista “O racismo extrapola a pura e simples ignorância“, onde a escritora fala sobre a resistência aos autores negros no mercado editorial, a representação da mulher negra, a literatura ficcional baseada na realidade, algo que ela chama de escrevivências.

Nessa entrevista AQUI, na ocasião da FLIP 2017, onde esteve como escritora convidada, Conceição Evaristo fala sobre sua trajetória literária, contando como desde pequena esteva cercada de histórias, por meio da oralidade e como essa literatura oral teve importância na sua formação como escritora. Evaristo ainda comenta as críticas que fazem a Carolina Maria de Jesus (autora que foi uma de suas inspirações) sobre ela não fazer literatura de fato.

Em “A autoria negra existe e não é de hoje“, entrevista concedida na ocasião de lançamento do seu livro Becos da Memória na França, Conceição Evaristo fala também sua trajetória como escritora e debate a questão do racismo na literatura, que invisibiliza escritores e escritoras negros e negras, o que não quer dizer que essas pessoas não estejam escrevendo há muito tempo. É interessante notar que nessa e em outras entrevistas, Evaristo sempre se mostra otimista sobre a mudança dessa situação.

No vídeo a seguir, a escritora fala sobre todos esses assuntos já citados e ainda mais. Algo que ela reforça nessa entrevista, mas que é uma fala constante dela, é que o espaço que ocupa, enquanto mulher negra, na literatura é resultado de um processo coletivo de outras mulheres negras que lutam junto com ela. Esse reconhecimento é muito importante e muito bonito.

Enfim, espero que todas essas palavras de Conceição Evaristo os anime e inspire para também ler suas obras. Na próxima publiação vou falar sobre Ponciá Vicêncio, o livro lido em janeiro. Para ver a lista completa do desafio, clique AQUI. Ainda dá tempo de me acompanhar nas leituras!

 

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