Eu sou Malala

Eu já havia escutado falar de Malala Yousafzai e sobre o tiro que ela levou há aproximadamente dois anos atrás. Mas, ler sua autobiografia e entender os motivos deste crime é quase como levar um chacoalhão, pois há muitos problemas sociais que países como o Paquistão enfrentam.

Malala conta detalhes da criação de seus parentes e pais antes de começar a falar sobre ela e seus irmãos. Sua mãe é uma pessoa extremamente religiosa e sem estudos (ela preferiu ficar em casa desde cedo, como muitas meninas desejavam ou eram obrigadas a fazer). É fiel à família e a conselheira principal de seu marido. O pai da família sempre valorizou os estudos no Paquistão e chegou a possuir três escolas no local. Era conhecido no vale em que morava e lutou corajosamente contra as regras do Talibã. Aliás, eu nunca imaginei que o Paquistão pudesse ter paisagens maravilhosas como o Vale do Swat, onde a garota morava.

swatvalley

Graças a influência de seu pai, Malala cresceu e se apaixonou pelos livros. Era sempre a primeira ou segunda em boas notas na escolas e gostava de ler. Além disto, acreditava que um grande problema em seu país era a falta de estudos, como citou uma frase de seu pai: “Para Ziauddin, a falta de educação é a raiz de todos os problemas do Paquistão. A ignorância permite que os políticos enganem as pessoas e que maus administradores sejam reeleitos”.

A vida de Malala e dos paquistaneses mudou completamente quando os talibãs passaram a conviver com eles. Por meio da leitura é possível entender que os talibãs assimilaram a cultura do local para vagarosamente pegar a confiança de seus cidadãos e enfim colocar em prática suas regras e ensinamentos terríveis. As meninas passaram a ser proibidas de irem à escola, diversas pessoas perderam seu empregos quando as músicas, filmes e divertimentos estrangeiros foram proibidos e, nem é preciso falar das mortes e açoitamentos que eles aplicavam.

Tanto Ziauddin quanto sua filha passaram a defender o direito de todas as pessoas de estudar, independente do sexo e da idade. Por conta disto, começaram a receber ameaças de morte, os quais levou Malala a levar um tiro no ônibus escolar em 2012. Outras duas meninas foram acertadas, mas se recuperaram rapidamente. Devido as ruins condições médicas do Paquistão, Malala foi levada para a Inglaterra, lutando entre a vida e a morte. Atualmente ela e sua família moram em Birmingham, todos com saudades dos hábitos familiares paquistaneses.

yousafzai-family-ftr

 

Após um período de recuperação e fisioterapia, Malala e seus irmãos entraram em uma escola inglesa. Não há previsão de eles voltarem para sua terra natal por causa da influência talibã. No entanto, a garota não deixou de lutar pelo direito à educação e em outubro ela inaugurou uma biblioteca em sua nova cidade. Ler a autobiografia da garota foi inspirador, pois conheci melhor a cultura e rotina do Paquistão e além disso, a vontade de lutar pela educação apenas cresceu. Livro mais do que recomendado.

Um comentário sobre “Eu sou Malala

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s