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O Pomar das Almas Perdidas

“Parecem ilustrações de um livro didático, todas iguais nas mesmas roupas, com apenas algumas rugas no rosto ou as costas curvadas para marcar a idade. É desse jeito que o governo parece querê-las – cartuns sorridentes sem nenhuma exigência nem necessidade própria. Agora esses cartuns ganharam vida – não arando a terra, tecendo ou trabalhando em uma fábrica como nas notas de xelim, mas marchando penosamente para uma celebração a que são obrigados a comparecer.”

 

Nessa poderosa narrativa, acompanhamos o ponto de vista de três mulheres sobre a opressiva ditadura militar na Somália (1969-1991) e a guerra civil que eclodiu posteriormente. Deqo, uma menina de 9 anos, deixa o campo de refugiados onde nasceu, atraída pela promessa de ganhar seu primeiro par de sapatos. Ao longo de sua jornada, conhece Kawsar, uma viúva presa a uma cama após ter sido espancada por Filsan, uma jovem soldado que deixou a capital para reprimir a rebelião que crescia no norte.

Hargeisa, segunda maior cidade da Somália. Os destinos dessas três mulheres se cruzam, assolados pelo conflito armado que cresce e se instala de vez. Ao contar a história de uma guerra que chocou o mundo, Mohamed desvenda a alma e a cultura do povo somali por meio de Deqo, Kawsar e Filsan. Intimista, singelo e poético, O pomar das almas perdidas nos lembra que a vida sempre continua, apesar do caos e do sofrimento.

Em 2021, o livro ganha nova edição, com capa da artista Leticia Quintilhano, e volta às livrarias em um dos momentos mais especiais da vida da autora: Nadifa Mohamed é finalista do Booker Prize 2021 com o seu novo livro, The fortune men.

Luciana
Uma jovem que estuda, trabalha e respira literatura. E sempre que possível está aqui para dar dicas de livros via internet.

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