Publicado em Literatura, Literatura Estrangeira

Entre Assassinatos

Kittur é a cidade fictícia localizada na costa sudoeste da índia. Banhada pelo mar Arábico a oeste e pelo rio Kaliamma a0 sul e a leste é abençoado por um solo fértil e por uma beleza pitoresca, o lugar já ostenta alguns séculos de história. Este é o cenário escolhido pelo vencedor do Man Booker Prize e autor do sucesso O Tigre Branco, Aravind Adiga em seu novo livro.

Lançado pela Editora Nova Fronteira, Entre Assassinatos reúne catorze histórias que acontecem no período que compreende os assassinatos de duas figuras extremamente relevantes para a política indiana: Indira Ghandi e Rajiv Ghandi, em 1984 e 1991 respectivamente. Conforme saboreava os contos de Adiga comecei a visualizar uma Índia desconhecida anteriormente por mim, um país onde conflitos entre castas, religiões, classes sociais, assim como a corrupção e a miséria estão presentes, nos mostrando o preconceito e a desigualdade social em que os indianos estão inseridos.

Rico em detalhes e usando uma linguagem de fácil entendimento, Aravind foi bem criativo ao detalhar entre uma história e outra as peculiaridades e detalhes dos principais pontos turísticos de Kittur, enquanto mostrava as histórias de um povo marcado por contrastes culturais e que anseiam por mudança de vida.

Me emocionei ao ler a história da pequena garota que, como prova de amor ao pai, pede esmolas na rua para sustentar o seu vício dele em drogas. Fiquei furiosa junto com o personagem Abassi, o dono de uma fábrica de camisas que teve que escolher entre mergulhar no submundo da corrupção e deixar suas operárias cegas ou fechar as portas da sua empresa.Vibrei quando um vendedor de cópias xerocadas de livros depois de ser torturado por autoridades locais enfrentou cada um deles ao vender um exemplar proibido no país. Estava tão envolvida com as descrições, histórias e personagens  que uma noite cheguei a sonhar que estava passeando pelas ruas de Kittur e interagindo com os personagens do livro.

Concluindo, em Entre Assassinatos somos desafiados a pensar sobre desigualdade social, o preconceito e também sobre como independente da cultura, religião e classe social estamos sempre em busca e envolvidos por uma vontade enorme de mudar de vida.

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O Milagre

Dentre todos os autores de romance que já li, Nicholas Sparks sempre esteve no topo da minha lista de prediletos. Seus livros sempre encabeçam as listas dos mais vendidos e histórias como O Diário de uma paixão, Um amor para recordar, Noites de Tormenta, entre outras, foram adaptadas para o cinema com sucesso.

Ganhei de natal o novo livro do Nicholas, chamado O Milagre (Editora Agir), e comecei a ler logo no dia seguinte. A obra conta a história de Jeremy Marsh, um jornalista científico que tem como principal hobby desmascarar supostos eventos sobrenaturais. Bonito, charmoso, bem sucedido, Jeremy faz grande sucesso entre as mulheres, porém, não consegue se engajar em relacionamento romântico algum além da superficialidade da conquista desde que passou por um casamento frustrado, onde grande parte de seus sonhos morreram.

As luzes misteriosas do cemitério de Boone Creek fazem com que Marsh, por conta de uma carta de uma moradora, saia de Nova York para passar alguns dias na pequena cidade (fictícia) da Carolina do Norte. O jornalista esperava encontrar apenas uma cidade típica do sul e uma grande mistério para desvendar, porém, jamais imaginava que no pacato local exisita Lexie Darnell,  a charmosa bibliotecária da cidade e neta da autora da carta que levou Jeremy até ali.

Lexie perdeu os pais quando era pequena e foi criada pelos avôs. Trabalha na biblioteca da cidade, ama sua profissão e faz questão de assumir uma postura fechada e resistente quanto ao interesse amoroso dos homens já que se decepcionou bastante com suas antigas desilusões amorosas, o que dificulta seu relacionamento com Jeremy.

Enquanto tenta descobrir o mistério que envolve as luzes do cemitério da cidade, Jeremy não consegue evitar que sua mente vague para o escritório de Lexie, logo ao lado. A história é clichê, ele se apaixona por ela, faz de tudo para ficarem juntos, mas ela não aceita por medo de sofrer.  No meio do romance entre o jornalista e a bibliotecária, encontrei o que mais gosto nos livros do Sparks, os outros personagens divertidos e encantadores que ele cria deixando a história ainda mais interessante.

Em O Milagre encontramos Tuly, o idoso e falante dono do posto de gasolina; Rachel, a divertida garçonete; Alvin, o cameraman rockeirão e melhor amigo do protagonista; Doris, avô de Lexie,uma senhora sensitiva e cativante que faz a coisa certa, na hora certa; Rodney, o assistente de xerife super protetor e com uma queda por Lexie; e, claro, o prefeito Gherkin, homem estranho, engraçado e apaixonado pela cidade em que vive.

Confesso que fiquei mais intrigada em saber qual era o mistério das luzes que aparecia no cemitério da cidade do que qual seria o final de Jeremy e Lexie. Porém, se tem uma coisa que Nicholas Sparks sabe fazer muito bem é surpreender, e em O Milagre não foi diferente. O final da história acaba tomando um rumo inesperado e nós faz crer que devemos acreditar mais em nós mesmos.

Esse com certeza não é meu livro favorito do autor, mas recomendo a leitura, afinal as histórias açucaradas e chorosas de Nicholas Sparks sempre são bem vindas.

Se quiser descobrir o mistério de O Milagre clique aqui e leia o primeiro capitulo do livro.