Prisão de ventre – Um conto de Gadi Taub

Conto do autor israelense Gadi Taub.
Traduzido por Mariana Ferreira de Toledo, como atividade prática em sala de aula, com o professor Moacir Amâncio (FFLCH – USP).

A primeira vez que Mariana percebeu que alguma coisa não estava bem com Daniel foi num sábado pela manhã. Nesse dia ele acordou cedo e se sentou na beirada da cama, olhando para fora. As cortinas do quarto não estavam totalmente fechadas, e lá fora parecia que ia chover. Fazia frio. Daniel passou a mão no cabelo. Durante alguns minutos ele ficou sentado imóvel. As pontas de seus pés encostavam no chão gelado. Havia silêncio na casa.

Uma hora depois, quando Mariana acordou, ela encontrou sobre a mesinha da sala pilhas organizadas de livros. No sofá havia uma mala aberta e ao seu lado roupas dobradas. Não havia nada dentro da mala. A porta para o jardim estava aberta e um vento fraco entrou na casa. Ela se aproximou para olhar lá fora e viu Daniel de pé na grama com o cachorro. Ele abraçava o animal, apertando-o contra o peito. As patas dianteiras e a cabeça do animal alcançavam seu ombro. Estava vestido com calças de veludo cotelê e um suéter. “O que aconteceu?”, ela perguntou. “Aconteceu alguma coisa?” Continuar lendo “Prisão de ventre – Um conto de Gadi Taub”

A influência da norma nas traduções bíblicas

Desde que a Bíblia foi traduzida na íntegra em português pela primeira vez, no século 17, houve uma série de revisões dessa tradução, adaptando-a para uma linguagem cada vez mais popular, ou seja, mais acessível ao povo. Este artigo visa à análise das principais versões em português da Bíblia, mostrando, com exemplos, a influência da norma, isto é, como a gramática normativa é respeitada nessas traduções e que variantes do dialeto social popular as versões aceitaram utilizar. Continuar lendo “A influência da norma nas traduções bíblicas”

Poesia moçambicana e negritude

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Quero com este artigo desenvolver uma reflexão a respeito da questão da negritude na poesia moçambicana. A proposta é iniciar essa análise pensando no começo de tudo, ou seja, desde quando surgiu no mundo o conceito “negritude” e como essa concepção evoluiu em Moçambique, mantendo ou não suas características iniciais.

Inicialmente, o africano pretendia identificar-se como homem negro, valorizando essa sua condição. Dessa forma, não havia uma identificação nacional, mas continental. Esse pensador era um africano, e não um moçambicano, angolano etc. A concepção da nacionalidade africana ainda estava muito imatura. Continuar lendo “Poesia moçambicana e negritude”