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O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 2

insurgente(Atenção! Contém Spoilers!)

Na primeira parte deste artigo, apresentei um pouco o enredo da história e Tris, a personagem principal. Também escrevi a respeito de como a autora conseguiu desenhar a sociedade de sua ficção, mostrando-nos que o fracasso social e político deve-se à natureza má e caída do homem. Nesta segunda parte, pretendo dar prosseguimento às minhas considerações, analisando outros trechos da trilogia à luz do cristianismo. Se você não leu a primeira parte, poderá encontrá-la aqui. Continuar lendo “O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 2”

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O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 1

divergent

 (Cuidado! Contém Spoilers!)

Ultimamente tenho dado oportunidades a certos autores que, em outras épocas, eu teria rejeitado. Descobri recentemente uma escritora chamada Veronica Roth, autora da trilogia Divergente. Li o primeiro (de mesmo nome) e o segundo (Insurgente). Esta semana vou comprar o último (Convergente), mas a curiosidade já me levou aos spoilers, por isso poderei comentar aqui também sobre o desfecho dessa história.

Decidi escrever a respeito dela porque pude perceber uma cosmovisão bastante bíblica, apesar de o romance em si não ser considerado propriamente cristão ou teológico. Ele considera como pressuposto a doutrina da depravação total do homem e o fracasso do ser humano ao tentar consertar o problema da humanidade com base em seu próprio conhecimento. Continuar lendo “O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 1”

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Crainquebille, de Anatole France – Mal entendido e questões de linguagem

mediaCrainquebille aferrava-se à sua decisão, obedecendo a uma força interior. De qualquer modo, ser-lhe-ia impossível agora avançar ou recuar. A roda de seu carrinho engatara-se desastradamente à de de uma carroça de leiteiro.

E ele clamava, arrancando os cabelos sob o gorro:

– Mas se eu lhe digo que estou esperando meu dinheiro! Desgraça de azar! Raio de miséria! Demônios do inferno!

A essas manifestações, que contudo exprimiam menos revolta que desespero, o agente 64 julgou-se insultado. E como, para ele, todo o insulto revestia necessariamente a forma tradicional, rotineira, consagrada, ritual e por assim dizer litúrgica de ‘Morte aos bigorrilhas!’, foi sob essa forma que ele recolheu e condensou em seus ouvidos as palavras do insurgente. Continuar lendo “Crainquebille, de Anatole France – Mal entendido e questões de linguagem”

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Conhecendo Mansfield Park, enfim!

mansfield-parkDesde adolescente sou apaixonada pelas obras da Jane Austen. Hoje, orgulhosa, posso dizer que possuo todas elas em minha prateleira. Mesmo quando a crise financeira me abateu e eu precisei vender mais da metade dos meus livros, olhei para os romances da Jane de maneira especial e os mantive. O primeiro que li foi “Orgulho e preconceito”, seguido por “Razão e sensibilidade”, “Emma”, “Persuasão”, “A Abadia de Northanger” e… Faltava um! Eu sabia seu nome, mas não o encontrava de nenhuma maneira. Cheguei a pesquisar na internet, procurar em bibliotecas, livrarias… Só havia a opção em inglês. Creio que em algum momento Mansfield Park foi traduzido, mas imaginei que, provavelmente, essa tradução era bem antiga e sua edição já não estava mais disponibilizada. Essa foi minha hipótese, mas a verdade é que realmente não sei o porquê de eu ter tido tanta dificuldade em encontrar esse romance.

Para minha enorme alegria, no ano passado fiquei sabendo que a Martin Claret havia há pouco tempo editado todos os romances da Jane Austen em edições belíssimas! Esperei ansiosamente pela Festa do Livro da USP (mais de 150 editoras oferecem um desconto mínimo de 50% em seus títulos), que geralmente acontece entre o final de novembro e começo de dezembro. Graças a Deus, apesar de ainda não ter me recuperado totalmente da crise, eu já pude me dar ao luxo de comprar alguns livrinhos lá… Mesmo que todas as minhas aquisições tenham sido muito boas, ter em mãos Mansfield Park me deixou verdadeiramente emocionada. Enfim! Sou fã da Jane há uns 15 anos e só agora pude desfrutar de uma de suas grandes histórias. A edição, com a capa alaranjada e detalhes floridos em dourado, é mesmo muito bonita. Quanto ao corpo do texto, observei alguns problemas de tipografia e de revisão final, mas nada que não dê para relevar. Continuar lendo “Conhecendo Mansfield Park, enfim!”

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Oralidade em “Luuanda”: Uma análise da obra de José Luandino Vieira

luuandaMeu objetivo é analisar a obra Luuanda, de José Luandino Vieira, observando os traços de oralidade presentes nos contos. Esses traços serão observados levando em conta especialmente dois aspectos: a posição e o estilo do narrador em relação à tradição oral angolana da contação de histórias, e a estrutura do texto, tais como as construções frasais, sintáticas e do léxico. Antes, porém de fazer essa análise, será necessário falar rapidamente sobre a obra em questão, seu autor e o contexto em que ele a escreveu. José Luandino Vieira nasceu em Portugal, mas mudou-se ainda bebê para Angola. O autor considera-se angolano, ele mesmo disse: “se me perguntarem: ‘és angolano?’, eu tenho uma base cultural para responder a isso, e não apenas um passaporte.” Dessa forma, Luandino, assim como os demais angolanos, não aceita a condição de colonizador e passa a lutar pela libertação de seu país. Luandino é preso, e na cadeia, ele escreve Luuanda, publicado em 1964. Continuar lendo “Oralidade em “Luuanda”: Uma análise da obra de José Luandino Vieira”

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A morte do inimigo

a-morte-do-inimigo-hans-keilson-450Hans Keilson foi um romancista alemão que só passou a ser reconhecido como escritor poucos anos antes de morrer, em 2011, aos 102 anos. Porém, quando o descobriram, os críticos se depararam com verdadeiras obras-primas. Entre elas está o romance A morte do inimigo. Como leitora, sou capaz de arriscar que na literatura contemporânea há poucos romances tão bem elaborados e tão genialmente pensados como esse.

Um homem, cujo nome não é citado em momento algum do livro, descreve suas experiências da infância, juventude e vida adulta e de como toda sua vida e de seu povo gira em torno de um inimigo, nomeado como “B.” O maior problema é que esse protagonista não aceita pensar em seu inimigo da mesma maneira que pensam os outros de seu povo. Ele quer entender o porquê dessa inimizade e cultivá-la tanto quanto se cultiva uma amizade. O medo de ser descoberto faz com que ele entregue o manuscrito para um advogado, que o enterra e, somente após o fim da Segunda Guerra Mundial, decide entregar o texto a um amigo, para que este opine sobre o que se deve fazer com aquilo. Continuar lendo “A morte do inimigo”