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A influência da norma nas traduções bíblicas

Desde que a Bíblia foi traduzida na íntegra em português pela primeira vez, no século 17, houve uma série de revisões dessa tradução, adaptando-a para uma linguagem cada vez mais popular, ou seja, mais acessível ao povo. Este artigo visa à análise das principais versões em português da Bíblia, mostrando, com exemplos, a influência da norma, isto é, como a gramática normativa é respeitada nessas traduções e que variantes do dialeto social popular as versões aceitaram utilizar. Continuar lendo “A influência da norma nas traduções bíblicas”

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Poesia moçambicana e negritude

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Quero com este artigo desenvolver uma reflexão a respeito da questão da negritude na poesia moçambicana. A proposta é iniciar essa análise pensando no começo de tudo, ou seja, desde quando surgiu no mundo o conceito “negritude” e como essa concepção evoluiu em Moçambique, mantendo ou não suas características iniciais.

Inicialmente, o africano pretendia identificar-se como homem negro, valorizando essa sua condição. Dessa forma, não havia uma identificação nacional, mas continental. Esse pensador era um africano, e não um moçambicano, angolano etc. A concepção da nacionalidade africana ainda estava muito imatura. Continuar lendo “Poesia moçambicana e negritude”

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Uma história simples, de Sch. I. Agnon

61f4bdaac7914dda21fe9452d08cfd5b9d081915Gostaria de analisar sucintamente o romance Uma história simples, de Schmuel Iossef Agnon, observando, a partir dos personagens (habitantes da cidade fictícia de Shibush), as transformações que foram ocorrendo na sociedade judaica tradicional do leste europeu no início do século XX.

Agnon é um dos autores mais relevantes para a literatura hebraica moderna. Existem muitos estudos a respeito de sua obra, que é extensa. Seu modo de escrever é bastante contido, sem nunca estabelecer julgamentos, deixando essa tarefa para o leitor. Sua ironia e crítica aparecem de maneira bastante sutil e inteligente, por isso muitas vezes o leitor pensa que ele considera aceitável algo que é julgado pelo próprio leitor como moral ou eticamente incorreto. Agnon é um autor que em suas obras faz uso dos elementos da tradição de maneira a apresentar as mudanças pelas quais ela passa.

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O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 2

insurgente(Atenção! Contém Spoilers!)

Na primeira parte deste artigo, apresentei um pouco o enredo da história e Tris, a personagem principal. Também escrevi a respeito de como a autora conseguiu desenhar a sociedade de sua ficção, mostrando-nos que o fracasso social e político deve-se à natureza má e caída do homem. Nesta segunda parte, pretendo dar prosseguimento às minhas considerações, analisando outros trechos da trilogia à luz do cristianismo. Se você não leu a primeira parte, poderá encontrá-la aqui. Continuar lendo “O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 2”

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O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 1

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 (Cuidado! Contém Spoilers!)

Ultimamente tenho dado oportunidades a certos autores que, em outras épocas, eu teria rejeitado. Descobri recentemente uma escritora chamada Veronica Roth, autora da trilogia Divergente. Li o primeiro (de mesmo nome) e o segundo (Insurgente). Esta semana vou comprar o último (Convergente), mas a curiosidade já me levou aos spoilers, por isso poderei comentar aqui também sobre o desfecho dessa história.

Decidi escrever a respeito dela porque pude perceber uma cosmovisão bastante bíblica, apesar de o romance em si não ser considerado propriamente cristão ou teológico. Ele considera como pressuposto a doutrina da depravação total do homem e o fracasso do ser humano ao tentar consertar o problema da humanidade com base em seu próprio conhecimento. Continuar lendo “O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 1”

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Crainquebille, de Anatole France – Mal entendido e questões de linguagem

mediaCrainquebille aferrava-se à sua decisão, obedecendo a uma força interior. De qualquer modo, ser-lhe-ia impossível agora avançar ou recuar. A roda de seu carrinho engatara-se desastradamente à de de uma carroça de leiteiro.

E ele clamava, arrancando os cabelos sob o gorro:

– Mas se eu lhe digo que estou esperando meu dinheiro! Desgraça de azar! Raio de miséria! Demônios do inferno!

A essas manifestações, que contudo exprimiam menos revolta que desespero, o agente 64 julgou-se insultado. E como, para ele, todo o insulto revestia necessariamente a forma tradicional, rotineira, consagrada, ritual e por assim dizer litúrgica de ‘Morte aos bigorrilhas!’, foi sob essa forma que ele recolheu e condensou em seus ouvidos as palavras do insurgente. Continuar lendo “Crainquebille, de Anatole France – Mal entendido e questões de linguagem”