A Amiga Genial

thumb_book-a-amiga-genial-330x330_q95Eu não conhecia Elena Ferrante até junho desse ano. Não sabia quem ela era, não conhecia seus livros, não sabia sobre o mistério por trás da sua identidade*. Até que ganhei um lindo presente: o livro “A Amiga Genial”. Em certa medida, foi bom não saber nada sobre a autora ou o livro, porque comecei a ler sem nenhum tipo de expectativa boa ou ruim e tive uma ótima surpresa.

Antes de dizer minhas impressões sobre o livro, me permitam contar um breve resumo, para quem ainda não conhece. Continue reading “A Amiga Genial”

A morte do inimigo

a-morte-do-inimigo-hans-keilson-450Hans Keilson foi um romancista alemão que só passou a ser reconhecido como escritor poucos anos antes de morrer, em 2011, aos 102 anos. Porém, quando o descobriram, os críticos se depararam com verdadeiras obras-primas. Entre elas está o romance A morte do inimigo. Como leitora, sou capaz de arriscar que na literatura contemporânea há poucos romances tão bem elaborados e tão genialmente pensados como esse.

Um homem, cujo nome não é citado em momento algum do livro, descreve suas experiências da infância, juventude e vida adulta e de como toda sua vida e de seu povo gira em torno de um inimigo, nomeado como “B.” O maior problema é que esse protagonista não aceita pensar em seu inimigo da mesma maneira que pensam os outros de seu povo. Ele quer entender o porquê dessa inimizade e cultivá-la tanto quanto se cultiva uma amizade. O medo de ser descoberto faz com que ele entregue o manuscrito para um advogado, que o enterra e, somente após o fim da Segunda Guerra Mundial, decide entregar o texto a um amigo, para que este opine sobre o que se deve fazer com aquilo. Continue reading “A morte do inimigo”

“Último tango em Paris” e o reforço da violência contra a mulher

Nos últimos dias temos acompanhado a revolta e discussão em torno de uma declaração dada pelo diretor de cinema Bertolucci sobre seu filme “Último tango em Paris” (1972) e a atriz Maria Schneider. Na entrevista datada de 2013, Bertolucci afirma que a cena de abuso sexual que consta no filme foi uma cena real. Segundo o diretor, essa cena não estava no roteiro, foi algo combinado entre ele e o ator Marlon Brando – ator principal do filme – no mesmo dia em que a cena seria gravada. Maria Schneider ficou sabendo apenas no momento da gravação. Continue reading ““Último tango em Paris” e o reforço da violência contra a mulher”