Publicado em Principal

Casa Glass

Ultimamente, com o mercado literário saturado de livros sobre vampiros, muitas pessoas – como era o meu caso – ficam receosas, muitas vezes evitando dar uma chance a qualquer livro que envolva os seres noturnos. Justamente era essa a sensação que tive ao receber o exemplar de “Os Vampiros de Morganville” do Book Tour da Editora Underworld. Entretanto, me surpreendi ao lê-lo.

Rachel Caine trabalha com o mito dos vampiros de modo promissor. Em Casa Glass, primeiro livro de uma série de 12, somos recém chegados à cidade de Morganville, uma cidade pequena, melancólica, que é comandada por uma legião de vampiros.

É nessa cidade que Claire Danvers vai cursar sua faculdade. Ela é uma típica cdf, dedica-se inteiramente aos estudos, uma pessoa sem brilho, que raramente chama a atenção. O problema inicia-se em um desses raros momentos em que ela chama a atenção. Especialmente porque ela chamou a atenção de Mônica, ao corrigi-la na frente de seus amigos.

“Ela era rica, linda, e pelo que Claire pôde deduzir, isso não a fazia nem um pouco feliz. O que fazia, ela pensou, era a ideia de atormentar Claire um pouquinho mais.” – Página 15

A partir de então Claire começa a sofrer uma série de represálias de Mônica e seu grupo, as moniquetes. Quando a situação chega ao limite, Claire, já com diversas escoriações no corpo, resolve sair do dormitório da faculdade. É quando ela vê o anúncio do aluguel de um quarto em uma antiga mansão: A Casa Glass.

É na companhia de Eve, Michael e Shane, os moradores da casa Glass, que Claire finalmente encontrará um pouco de proteção. Mas só um pouco, Mônica continua à sua busca e pior, ela possui proteção. Uma das facções de vampiros a protegem.

Em uma história envolvente, em uma leitura fácil e rápida, somos convidados a conhecer grande parte dos segredos de Morganville. Entretanto, a ignorância muitas vezes é uma virtude, pois, em Morganville, quanto mais você sabe, menos seguro você estará durante a noite.

“Ela olhou de volta para ele, e seus olhos tinham ficado brancos, com aqueles pequenos pontinhos no meio. Quando ele sorriu, ela viu de relance as presas.” – Página 118

Publicado em Desafio Literário, Literatura, Literatura Estrangeira, Literatura Latino-Americana

Desafio Literário 2017 – agosto: Soledad Acosta de Samper

A leitura de agosto do meu Desafio Literário: 12 livros escritos por mulheres para 2017 foi realmente desafiadora. Primeiramente, porque não foi muito fácil escolher a autora.  Em segundo lugar porque tive acesso apenas ao formato digital do livro escolhido e, digamos, esse não é meu modo preferido de ler. Mas venci o desafio com sucesso e quero contar como foi. Como sempre, antes de falar do livro em si, vou comentar sobre o motivo da minha escolha e, nesse caso, apresentar a escritora para vocês.

Contei aqui no início do ano sobre minha intenção de acrescentar uma escritora colombiana na lista desse desafio literário. Atualmente eu moro na Colômbia e acho realmente importante conhecer mais sobre a cultura daqui em todos os aspectos. Naquele momento pensei: “olha que boa oportunidade!”, afinal o único escritor colombiano que eu havia lido até o momento era o grandioso Gabriel García Márquez. Não conhecia mais nenhum, o que, para mim, já é motivo de vergonha, afinal, lemos escritores do mundo inteiro e muitas vezes ignoramos nossa literatura latinoamericana. Nos contetamos em ler os mais conhecidos e pronto, parece que nada mais foi/é produzido. Quando se trata de livros escritos por mulheres, então? Vamos ser honestos, quantas escritoras latinoamericanas você conhece? Sim, vale as brasileiras, porque Brasil é América Latina também. Mas ainda contando as escritoras brasileiras, aposto que o número é muito menor se comparado ao número de homens. Essa é uma crítica que faço a mim mesma (por isso comecei esse desafio literário): devemos ler mais livros escritos por mulheres.

Enfim, eu não fazia ideia de quantas ou quais escritoras colombianas existiam, então resolvi pedir recomendações. Por isso, esse era o único nome que faltava na minha lista, a princípio. Foi curioso perceber que mesmo as pessoas (colombianas) para quem eu pedi indicações também não sabiam me falar muitos nomes. Assim como no Brasil, é dada maior importância aos escritores. Mas consegui algumas sugestões. O próximo passo foi escolher entre aqueles nomes qual escritora ler. Depois de pensar bastante e pesquisar os títulos de cada escritora, escolhi pela Soledad Acosta de Samper.  Guardei os outros nomes na minha lista de próximas leituras e prometo compartilhar com vocês em outro momento. Hoje vamos falar rapidinho sobre a minha escolhida.

Escolhi Soledad Acosta de Samper porque ela foi a primeira mulher a publicar um livro na Colômbia. Só esse motivo já é sensacional, mas além disso me chamou a atenção a temática da maioria de seus escritos: a mulher. Então, embora outros títulos de outras autoras tenham me interessado, resolvi “começar pelo começo” e ler essa que foi a pioneira entre as mulheres escritoras na Colômbia.

Soledad Acosta de Samper nasceu em Bogotá no ano 1833 e faleceu na mesma cidade, em 1913. Mas sua história não aconteceu apenas nesse lugar, a escritora – filha de um renomado militar colombiano – teve a oportunidade de morar também em Paris, Londres, Halifax (Canadá) e Lima, lugares onde estudou e viveu períodos diferentes de sua vida. Durante a fase adulta escrevia para jornais e revistas da Colômbia como correspondente. Soledad Acosta Samper trabalhou como escritora, historiadora e jornalista no século XIX, período em que era praticamente uma “transgressão da lei natural”, segundo o imaginário da época, que uma mulher se dedicasse a essas tarefas. Não apenas isso, ela fundou diversas revistas e jornais, sendo a revista La Mujer, a de mais sucesso, com duração de 1878-1881. O esposo da escritora, José María Samper, também era jornalista, escritor e político, e foi um dos grandes incentivadores de sua esposa (algo também bastante incomum para a época). O livro que li nesse desafio, Novelas y cuadros de la vida suramericana, foi uma compilação feita por ele, de várias narrativas que Soledad publicou em jornais e revistas, inclusive com pseudônimos. Mas vou falar melhor sobre esse livro na próxima publicação.

Em minhas pesquisas sobre a autora, encontrei alguns comentários falando que ela havia sido uma percursora do feminismo na Colômbia. Não sei se é possível dizer isso, primeiro, levando em consideração o contexto em que viveu. Segundo, observando os próprios textos de Soledad Acosta. A maioria de suas personagens é feminina, mas extremamente estereotipadas: a viúva, a coquete, a jovem apaixonada, a freira. Sua revista La Mujer – primeira revista feita por e para mulheres na Colômbia –  na verdade, contava com textos sobre os deveres da mulher na sociedade moderna, seu papel na sociedade, etc. Acho que podemos dizer que Soledad Acosta Samper era uma mulher, ao mesmo tempo, filha de seu tempo e à frente de seu tempo. O objetivo dessa mesma revista era publicar textos escritos por mulheres sul-americanas, o que nos dá uma ideia de como essas mulheres se relacionavam com questões como filhos, casamento, sociedade patriarcal, religião, etc. Definitivamente, é um maravilhoso trabalho realizado por Soledad Acosta e sem dúvidas o início da inserção de mulheres no ambiente que até então era dominado por homens, mas talvez seja um pouco exagerado chamá-la de feminista, já que aparentemente a autora não buscava romper com as ideias impostas sobre o papel da mulher, ou o patriarcado. Obviamente, isso não desmerece todo seu trabalho.

Enfim, foi após conhecer a história dessa escritora que resolvi ler um de seus livros, como já citei, o Novelas y cuadros de la vida suramericana. Encontrei ele em formato físico em uma livraria aqui da Colômbia, porém era extremamente caro e não comprei. Resolvi procurar por algum formato digital e encontrei na Amazon bem baratinho, por menos de quatro reais. Se vocês tiverem interesse em comprar, AQUI está o link. O livro está em espanhol. Se também tiverem interesse em conhecerem a revista La Mujer, encontrei uma compilação de todas as edições em formato digital, na Amazon, por menos de três reais. AQUI está o link.

Na próxima publicação vou contar minhas impressões sobre esse livro, não se esqueçam de voltar aqui para ver. Até lá!

Publicado em Principal

O Hobbit

Antes de começar a resenha propriamente dita, acho que devo esclarecer uma coisa: na minha opnião, “The Sunday Times” estava um tanto quanto equivocado ao publicar esse singelo elogio. Esse mundo que conhecemos – e quem sabe a Terra-Média também? – na verdade está divido entre aqueles que leram “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis” e aqueles que devem lê-los; a obra de Tolkien transcende toda e qualquer expectativa.

“Num buraco no chão vivia um hobbit.” Segundo o próprio Tolkien, essa frase ele escreveu, sem motivo algum, numa folha em branco da prova de um dos alunos que gostariam de ingressar na universidade que ele trabalhava. Foi a partir dessa frase, a qual nem ele mesmo soube por quê tinha escrito, que ele criou todo universo de “O Hobbit”. E, posteriormente, ramificado de “O Hobbit”, surgiu a famosa trilogia “O Senhor dos Anéis”. Continuar lendo “O Hobbit”

Publicado em Principal

Lázarus

Misterioso, sedutor, fascinante, pulsante e muitos outros adjetivos. Sete meses atrás, quando idealizamos e fizemos o Coolture News nunca pensei que teria a oportunidade e a honra de conhecer tantos livros bons, principalmente os nacionais. Confesso que, assim como muitos, tinha um certo receio quando se tratava de autores nacionais, em grande parte pela pouca divulgação dessas obras (graças a Deus vejo isso mudando a cada dia).

Lázarus, de Georgette Silen, foi uma surpresa agradável, escrito de uma forma envolvente com personagens bem construídos que passamos a admirar foi um livro que me prendeu em suas primeiras linhas.

Laura é a personificação da mulher moderna, bem sucedida profissionalmente, viúva e uma ótima mãe que ao receber uma proposta de emprego de curadora de arte no The City Museum of Art ang Gallery muda com Cinthia, sua filha, para Bristol. Continuar lendo “Lázarus”

Publicado em Principal

O Poço e a Mina

Se continuar assim, creio que tornar-se-á uma mania, em minhas resenhas, discordar das opniões de outros autores quanto aos livros em questão. Entretanto, quando você se depara com uma obra tão boa e cativante quanto “O Poço e a Mina” você é obrigado a ser um tanto quanto atrevido a ponto de querer corrigir as palavras da autora Fannie Flagg; os personagens deste livro não te deixam com saudade quando você termina suas histórias, isso acontece muito antes disso. Logo nas primeiras páginas você já se sente parte da família da Tessie.

O enredo principal da história inicia-se em uma noite em que Tess estava na varanda, observando de longe o seu poço, e flagra uma mulher – a qual ela não reconhece – jogando um bebê lá dentro. Chocada com tal acontecimento, ela conta isso à sua irmã, Virgie, e posteriormente à seus pais, Albert e Leta, os quais inicialmente não acreditam na garota. Entretanto, no dia seguinte, Leta acaba tendo uma desagradável surpresa quando, ao tentar tirar água do poço, acaba puxando de lá um pequeno cobertor. Continuar lendo “O Poço e a Mina”