Hibisco Roxo

hibisco-roxoKambili é uma adolescente que vive com seus pais e seu irmão, Jaja. Seu pai é um homem muito rico, dono de uma fábrica de alimentos e de um jornal. É um homem que comanda sua família com mãos de ferro. Kambili é a narradora da história e nos conta como seu pai domina tudo e todos com o apoio da religião. Mas não esperem uma visão crítica de Kambili sobre seu pai. Por muito tempo ela não pensou que as suas relações familiares poderiam ser diferentes e, apesar de alguns questionamentos para si mesma, ela via o pai com admiração e temor, ao mesmo tempo.

O contexto do livro é a Nigéria pós-colonização. Em diversas passagens do livro encontramos os efeitos de anos de dominação britânica. Não só os efeitos, como se fosse algo que houvesse acabado, mas também a presença constante da colonização, especialmente por meio da religião. Eugene, pai de Kambili, é uma personagem que representa isso muito bem. Tudo o que está fora da religião católica é errado, ou seja, tudo o que tem a ver com a cultura e ancestralidade de seu próprio país. Continuar lendo “Hibisco Roxo”

Desafio literário 2017 – Chimamanda Adichie (Janeiro)

Oi, pessoal!

Como vocês já sabem, para 2017 criei um desafio literário bem particular. Resolvi ler 12 livros escritos por mulheres. A lista com os livros escolhidos para cada mês, vocês podem ver AQUI. O mês de janeiro foi dedicado a ler Hibisco Roxo, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Já terminei a leitura e posso adiantar para vocês: que livro incrível! Mas não quero falar sobre ele hoje. Decidi que a cada mês vou fazer duas publicações sobre esse projeto de leitura: uma falando sobre a autora e outra falando sobre o livro. Então agora quero falar sobre essa escritora que admiro muito e explicar porque coloquei ela na minha lista.

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Oralidade em “Luuanda”: Uma análise da obra de José Luandino Vieira

luuandaMeu objetivo é analisar a obra Luuanda, de José Luandino Vieira, observando os traços de oralidade presentes nos contos. Esses traços serão observados levando em conta especialmente dois aspectos: a posição e o estilo do narrador em relação à tradição oral angolana da contação de histórias, e a estrutura do texto, tais como as construções frasais, sintáticas e do léxico. Antes, porém de fazer essa análise, será necessário falar rapidamente sobre a obra em questão, seu autor e o contexto em que ele a escreveu. José Luandino Vieira nasceu em Portugal, mas mudou-se ainda bebê para Angola. O autor considera-se angolano, ele mesmo disse: “se me perguntarem: ‘és angolano?’, eu tenho uma base cultural para responder a isso, e não apenas um passaporte.” Dessa forma, Luandino, assim como os demais angolanos, não aceita a condição de colonizador e passa a lutar pela libertação de seu país. Luandino é preso, e na cadeia, ele escreve Luuanda, publicado em 1964. Continuar lendo “Oralidade em “Luuanda”: Uma análise da obra de José Luandino Vieira”