Férias

Sabe por que eu adoro ler? Eu fujo da minha realidade, vivo um outro mundo e me transporto para outra realidade, para ser mais feliz como minha personagem, ou mais corajosa, mais séria; sofrer o que ela sofre, me imaginar na situação dela para ver como eu me sairia, se estaria tão bem como ela no meu “ The End”.

Sabe por que eu não gosto de ler? Porque as estórias acabam, e sempre nos deixam querendo mais, esperando “cenas do próximo capitulo”.

Tem uma autora em especial que me causa todos esses sentimentos variados ultimamente: Marian Keyes!

A escritora da minha vida, pelo menos parece que em alguns de seus livros andou me espiando pela janela, ou lendo meus pensamentos mais secretos (será que é só comigo? Duvido!!). Sou suspeita para falar, o primeiro livro que li foi Melancia, me apaixonei por Adam, me senti e me imaginei na pele de Claire e odiei James com todas minhas forças! Continue reading “Férias”

Hora Zero – Agatha Christie

Antes de tudo, quero avisar que será impossível falar sobre esse livro sem dar spoiler. Então resolvi dividir esse texto em duas partes. Na primeira, vou apresentar o livro e falar de uma maneira mais superficial, para quem tem interesse em saber sobre o que se trata, mas não quer saber o final. Na segunda parte vou falar sobre o que, para mim, é o ponto principal do livro, com um olhar um pouco mais atencioso para a obra, mas não posso fazer isso sem dar informações importantes sobre a história. Então, se você odeia spoilers com todas as suas forças, leia só a primeira parte (eu avisarei quando você deve parar de ler). Mas se você não se importa com isso, leia até o final.

A Hora Zero

– Gosto de um bom romance policial – disse ele. – Mas, como se sabe, eles sempre começam do ponto errado! Começam pelo assassinato. Só que o assassinato é o final. A história começa muito antes – com todas as causas e circunstâncias que levam as pessoas a certos lugares, num certo momento e num certo dia. […] – Todos se dirigem a um determinado local… E aí, quando chega a hora: o ponto máximo! A hora zero. Sim, todos convergem para a hora zero… Para a hora zero… – repetiu. (p.11-12)

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Desafio Literário 2017: junho – Ágatha Christie

Chegamos à leitura do mês de junho do Desafio Literário: 12 livros escritos por mulheres para 2017. É metade do ano, metade das leituras e uma experiência incrível até agora!

Junho foi o mês que li Hora Zero, da Ágatha Christie. Como tenho feito todos os meses, antes de falar sobre o livro, quero contar o porquê de ter adicionado essa autora à minha lista. A Ágatha Christie foi uma das escritoras que me influenciou, no sentido de ter alimentado meu gosto pela leitura. Houve uma fase da minha vida, durante parte da infância e adolescência, em que li muitos livros escritos por ela, devorava um atrás do outro e acredito que ter me deparado com essas obras que despertavam em mim a vontade de continuar lendo, foi algo essencial na minha formação como leitora. Continue reading “Desafio Literário 2017: junho – Ágatha Christie”

Uma história simples, de Sch. I. Agnon

61f4bdaac7914dda21fe9452d08cfd5b9d081915Gostaria de analisar sucintamente o romance Uma história simples, de Schmuel Iossef Agnon, observando, a partir dos personagens (habitantes da cidade fictícia de Shibush), as transformações que foram ocorrendo na sociedade judaica tradicional do leste europeu no início do século XX.

Agnon é um dos autores mais relevantes para a literatura hebraica moderna. Existem muitos estudos a respeito de sua obra, que é extensa. Seu modo de escrever é bastante contido, sem nunca estabelecer julgamentos, deixando essa tarefa para o leitor. Sua ironia e crítica aparecem de maneira bastante sutil e inteligente, por isso muitas vezes o leitor pensa que ele considera aceitável algo que é julgado pelo próprio leitor como moral ou eticamente incorreto. Agnon é um autor que em suas obras faz uso dos elementos da tradição de maneira a apresentar as mudanças pelas quais ela passa.

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O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 2

insurgente(Atenção! Contém Spoilers!)

Na primeira parte deste artigo, apresentei um pouco o enredo da história e Tris, a personagem principal. Também escrevi a respeito de como a autora conseguiu desenhar a sociedade de sua ficção, mostrando-nos que o fracasso social e político deve-se à natureza má e caída do homem. Nesta segunda parte, pretendo dar prosseguimento às minhas considerações, analisando outros trechos da trilogia à luz do cristianismo. Se você não leu a primeira parte, poderá encontrá-la aqui. Continue reading “O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 2”

O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 1

divergent

 (Cuidado! Contém Spoilers!)

Ultimamente tenho dado oportunidades a certos autores que, em outras épocas, eu teria rejeitado. Descobri recentemente uma escritora chamada Veronica Roth, autora da trilogia Divergente. Li o primeiro (de mesmo nome) e o segundo (Insurgente). Esta semana vou comprar o último (Convergente), mas a curiosidade já me levou aos spoilers, por isso poderei comentar aqui também sobre o desfecho dessa história.

Decidi escrever a respeito dela porque pude perceber uma cosmovisão bastante bíblica, apesar de o romance em si não ser considerado propriamente cristão ou teológico. Ele considera como pressuposto a doutrina da depravação total do homem e o fracasso do ser humano ao tentar consertar o problema da humanidade com base em seu próprio conhecimento. Continue reading “O fracasso social e político como consequência da depravação humana na trilogia Divergente, de Veronica Roth – Parte 1”