Mulheres, raça e classe – Angela Davis

Abril foi um mês de grande aprendizado para mim, com a leitura de Mulheres, raça e classe, da Angela Davis. Foi o livro escolhido para meu Desafio Literário: 12 livros escritos por mulheres para 2017, aproveitando a oportunidade para começar a preencher o vazio acadêmico deixado pela minha formação em Ciências Sociais.

Como contei para vocês na publicação anterior, a escolha de Angela Davis para essa lista não foi aleatória, eu tinha (e tenho) sede de aprender um pouco mais sobre todos os temas que ela aborda e a tradução e publicação desse livro foi mesmo um presente. Mas não se desanimem pensando que esse é um livro com toda a densidade e dificuldade da linguagem acadêmica. Angela Davis nos oferece uma aula muito didática sobre racismo, feminismo e luta de classes, o que permite que qualquer pessoa que tenha esse livro em mãos entenda com facilidade seus argumentos. Continue reading “Mulheres, raça e classe – Angela Davis”

Desafio Literário 2017 – abril: Angela Davis

Chegou o momento de falar sobre minha leitura de abril, do Desafio Literário: 12 livros escritos por muheres para 2017. Como sempre, antes de falar sobre o livro e minhas impressões da leitura, quero falar rapidamente sobre a autora e o porquê de ter escolhido ela para minha lista.

Quando pensei em fazer uma lista de 12 livros escritos por mulheres, decidi que incluiria livros que não fossem literários, pelo seguinte motivo: nós temos uma defasagem IMENSA nas escolas e universidades quando se trata de ler e estudar temas que tenham sido invetigados por mulheres. Eu fiz um curso de Ciências Sociais, imaginem vocês, um curso da área de Humanidades, que se propõe a debater diferentes pensamentos e teorias sobre a sociedade, a política, as organizações sociais. Teoricamente deveria haver uma pluralidade de vozes abordando todos esses temas, certo? Mas durante meus quatro anos de graduação e mais dois anos de mestrado, eu posso contar quais foram as poucas vezes que nos aprofundamos em uma obra escrita por uma mulher. Mais ainda, eu posso dizer quando nos aprofundamos em um livro escrito por uma mulher negra: NUNCA. Parece chocante? Na verdade não muito, quando nos damos conta de que a estrutura da universidade ainda é machista e racista. Continue reading “Desafio Literário 2017 – abril: Angela Davis”

Dias de Abandono – Elena Ferrante

Imagine que você é uma mulher por volta dos seus 40 anos. Um casamento de 15 anos, dois filhos, um cachorro que você tem que cuidar, apesar de nem gostar tanto dele assim. Praticamente toda sua vida adulta até agora se resume em criar os filhos e adiar seus planos e sonhos pessoais porque, ao contrário do seu esposo que conseguiu alavancar a carreira mesmo sendo pai, você ficou estagnada profissionalmente após se tornar mãe.

Sua principal tarefa é cuidar dos filhos e do marido. Mas um dia esse homem resolve ir embora sem dar maiores explicações. Simplesmente pega suas coisas e sai de casa. Te abandona com seus filhos e com a loucura de tentar entender o que aconteceu.

Você consegue imaginar tudo isso? Talvez você já tenha passado por algo semelhante. Mas se não passou, consegue se colocar no lugar dessa mulher? Elena Ferrante faz isso no livro Dias de Abandono. Ela entra na cabeça dessa mulher e constroi uma personagem que narra com detalhes seus sentimentos após ter sido abandonada pelo esposo. O resultado é um livro sufocante. Continue reading “Dias de Abandono – Elena Ferrante”

Escuta só: Parson James

Grey’s Anatomy  é uma série que assisto desde o começo, isso quer dizer há uns 11 anos mais ou menos. (Vocês, que acompanham séries, não se surpreendem às vezes com o tanto de tempo que a gente leva assistindo essas temporadas? 11 anos é uma vida inteira, gente.) Sempre gostei muito das músicas que aparecem em Grey’s. Parece que a pessoa responsável pela trilha sonora da série pensa assim: “que artista novo com música legal eu posso colocar nesses episódios, para fazer as pessoas conhecerem?”. Porque sempre tem artistas não muito conhecidos, com músicas sumpimpas (ou versões supimpas de músicas velhas) e eu fico: nossa, que achado! Continue reading “Escuta só: Parson James”

Desafio Literário 2017 – março: Elena Ferrante

Elena Ferrante foi a autora escolhida de março, para o meu Desafio Literário: 12 livros escritos por mulheres para 2017. Como todas as escritoras presentes na lista, essa não foi uma escolha aleatória. Conheci Elena Ferrante no ano passado, quando li A Amiga Genial, o primeiro volume da sua tetralogia napolitana. Até então, eu não conhecia absolutamente nada sobre ela.

Para ser sincera, eu sequer sabia que ela existia! após ler esse livro, fiquei muito empolgada em ler outras obras e encontrei no desafio literário que estava planejando uma boa oportunidade para isso. Escolhi Dias de Abandono depois de ver muitas opiniões positivas sobre esse livro. De fato, foi uma boa escolha, mas vou falar sobre o livro na próxima publicação. Hoje quero falar um pouquinho sobre a autora.

Elena Ferrante é um pseudônimo. A pessoa que escreve todos os livros assinados por ela decidiu não promocionar a si própria e, sim, aos seus livros. Nas poucas entrevistas oferecidas geralmente por e-mail, a pessoa por trás do pseudônimo sempre reforçou que o importante são seus livros e que não tem mais nada a dizer além do que já está dito em cada uma de suas histórias, por isso, prefere manter sua identidade preservada. Continue reading “Desafio Literário 2017 – março: Elena Ferrante”

Emma – Jane Austen

emma-livroEmma foi meu segundo livro do desafio literário de 2017. Eu li com um pouco de dificuldade e devo dizer que fiquei aliviada em terminar a leitura. Fãs da Jane Austen, não me odeiem! Continuem a leitura para conhecer minhas impressões sobre o livro.

A escolha de Emma para a minha lista de livros desse ano não foi aleatória. Eu tinha a intenção de incluir uma escritora clássica e Jane Austen apareceu como minha primeira opção nesse sentido. Primeiro, porque o único livro que eu havia lido dela até hoje era Orgulho e Preconceito. Eu queria ler outra obra. Segundo, porque minha irmã é praticamente fã de carteirinha da Jane Austen, ela tem todos os livros (Emma eu peguei emprestado da biblioteca dela), sempre elogia as histórias da autora e isso, de certa maneira me influenciou. Terceiro, porque todos os comentários que li sobre o livro apontavam uma protagonista diferente das demais heroínas da Jane Austen, as quais dependem de um “bom casamento” para garantir seu futuro. Segundo as críticas, Emma era a mais independente das personagens e isso chamou minha atenção. Continue reading “Emma – Jane Austen”