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O que é Industria Cultural

A Indústria Cultural é um conceito muito usado para se referir a transformação das diferentes obras em mercadorias padronizadas, graças à introdução tecnológica na produção de cultura. Essa expressão tem como primeira citação o livro “Dialética do Esclarecimento” que foi escrito pelos sociólogos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer.

De acordo com Adorno e Horkheimer, a produção dos livros, músicas e filmes, além dos outros artigos culturais, quando é feito de forma padronizada acaba contribuindo também para perpetuar o ideal de que a alegria pode ser atingida por meio do consumo de serviços e bens. Portanto, o termo Indústria Cultural acabou surgindo como resposta à concepção de que uso de tecnologias na área cultural acabaria levando as peças para uma quantidade maior de pessoas, democratizando o acesso à cultura.

Ou seja, isso seria uma maneira de incluir todos os cidadãos, compartilhando um conhecimento importante para que eles ficassem livres e capazes de pensar de forma crítica. Entretanto, as peças produzidas e difundidas na massa acabam perdendo totalmente a sua essência de questionamento presente nos artigos culturais únicos, propondo ideais conservadores, em vez dos elementos para a crítica e reflexão. Portanto, se despertamos um interesse nesses parágrafos iniciais, continue lendo o nosso artigo e entenda mais um pouco sobre esse conceito.

 

Qual o objetivo da Indústria Cultural?

Em tese, a indústria cultural tem como objetivo achar maneiras de aumentar o lucro, baseada na lógica do capitalismo .Quando ela é aplicada no meio da cultura, a lógica capitalista pede uma padronização de obras artísticas, com o fim de atender ao gosto de muitas pessoas ao mesmo tempo.

Isso ocorre, por exemplo, quando determinada banda faz sucesso e, logo em seguida, surgem outras com canções parecidas. Já que a “fórmula” da banda pioneira fez sucesso, o certo seria repetir o caminho para aumentar mais ainda a popularidades e conseguir um consumo maior do público com novas músicas.

Outros objetivos menos evidentes dessa indústria é a dominação da classe dominante e a imposição das ideias da elite burguesa. É possível observar que a ideia popularizada segue uma razão instrumental, que procura a dominação da natureza interior das pessoas, resultando em indivíduos totalmente alienados.

Dessa forma, a cultura acabou se transformando em uma mercadoria que presta serviço às pessoas que dominam os meios de produção, essencialmente os meios de distribuição, como a mídia, por exemplo. E essa cultura ainda serve para doutrinar as massas, impondo uma visão de mundo e os preconceitos da burguesia que, ao longo da história, vem fazendo a manutenção da riqueza da classe dominante e do capitalismo no geral.

 

Características da Indústria Cultural

O conceito do Horkheimer e Adorno reúne uma série de características e detalhes. Dentre essas características, podemos citar como principais as seguintes:

 

Massificação de produtos culturais 

Como já resumimos nos outros tópicos, a indústria cultural quer levar a sua produção para os grupos cada vez maiores. Dessa forma, ela promove uma massificação das obras culturais que, na sua origem, permaneciam restritas ao acesso das elites. 

Esse atributo não é ruim como um todo, já que o povo geralmente consegue ter acesso a outros formatos de cultura. Entretanto, é bastante comum que essa indústria não promova conhecimentos novos entre as massas, desenvolvendo apenas produções para incentivo ao consumo. É por isso que estudiosos desse tema fazem críticas a essa manifestação, dizendo que a mesma tem como resultados a qualidade de peças culturais.

 

Simplificação 

Os produtos na indústria cultural não possuem uma reflexão como principal meta, apenas a disseminação dos valores da classe que domina. Por isso, essas obras são simplificadas ao máximo com o objetivo de corroborar as ideias conservadoras na cabeça do  povo.

Ou seja, ao invés de favorecer a formação dos pensadores, as mercadorias acabam disseminando conceitos prontos e os clichês para manter o máximo de pessoas alienadas nesse sistema. Alheias e indiferentes às problemáticas sociais, as massas continuam conformadas com a sua situação, sem se motivar ou contestar certas injustiças.

 

Fetichização dos produtos culturais 

Com o objetivo de impulsionar ainda mais o consumo das mercadorias, a indústria da cultura transforma arte em fetiche, ou seja, transforma em objetos de desejo do público.  Compreenda, por exemplo, que estar em um filme e série popular, bem como em livros e músicas em alta, passa a sensação de prestígio para as pessoas.

Dessa forma, as peças culturais acabam deixando de serem adquiridas pela beleza ou por proporcionar conhecimento ou reflexão, e acabam sendo compradas para reafirmar um determinado status social.

 

Mercantilização da cultura 

Na procura intensa pelo lucro, que é a premissa básica do capitalismo, a indústria cultural acaba transformando obras de artes em simples mercadorias. Elas devem ser consumidas em massa, fazendo com que a cultura acabe perdendo então o seu valor subjetivo para ter um preço financeiro.

 

Colaborador Beco das Palavras
Os textos publicados aqui são produzidos pelo colaborador que assina cada artigo, sob supervisão e revisão de Luciana Assunção.

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