A Guardiã da Minha Irmã

Repetindo o que falaram e eu concordei na resenha de Quarto, sabe aquele tipo de livro que ao terminar a leitura você se vê como uma pessoa totalmente diferente, essas palavras se encaixam perfeitamente para o livro A Guardiã da Minha Irmã, ao terminar o livro me senti devastado emocionalmente, como se todo o drama vivenciando pela família Fitzgerald aconteceu comigo. E se preparem para muitas citações do livro nesta resenha, pois se fosse viável (e legal) eu o colocaria inteiro para vocês, definitivamente é um livro indispensável, mas ao começar a leitura não se esqueça de colocar ao seu lado uma caixa de lenços.

“Depois, ele coloca a chapa no painel de luz perto do quarto. As costelas de Kate parecem tão finas quanto palitos de fósforo, e há uma grande massa cinza quase no centro. Meus joelhos ficam bambos e agarro o braço de Brian sem perceber.
– É um tumor. O câncer entrou em metástase.
O médico coloca a mão no meu ombro.
– Sra. Fitzgerald, esse é o coração da Kate.” (Página 76)

Em A Guardiã da Minha Irmã, somos apresentados a um complexo drama familiar que teve inicio quando um tipo raro de leucemia atinge um membro da família, Kate, com 2 anos. Como ninguém da família é compatível, e no caso desta doença o doador teria que ser perfeitamente compatível, Sara e Brian (pais de Kate) resolvem ter um novo filho feito sob medida para que o sangue do cordão umbilical possa salvar sua filha. Até esse ponto, nada causa espanto na história, afinal todos já ouviram falar de casos parecidos. O problema é que esse tipo de leucemia que Kate tem é extremamente agressivo, e sempre teima em aparecer, e um tratamento utilizado anteriormente se torna sem efeito para ser utilizado uma segunda vez. Nesse ponto começa o drama de Anna, a menina projetada para ser a salvação de Kate, mas se transforma em um “banco de órgãos” para a irmã.

“ – Você já escolheu o nome?
Fico espantada ao me dar conta de que não escolhi. Embora eu esteja grávida de nove meses, embora tenha tido bastante tempo para sonhar, não parei para refletir sobre os detalhes dessa criança. Pensei nessa filha apenas em termos do que ela vai fazer pela filha que já tenho.”  (Página 108)

Anna teve que passar por vários procedimentos desnecessários para sua saúde e que, podemos dizer, a prejudicou. Mas esses procedimentos foram essenciais para manter sua irmã viva. por mais que isso possa parecer cruel com Anna, juro que não consigo criticar as atitudes tomadas por seus pais e isso me incomodava tanto na leitura do livro que me sentia extremamente mal e perdido. Enfim, Anna entra com um pedido de emancipação médica para poder ter o controle de seu próprio corpo. Esse é um livro onde não tem o “mocinho e o bandido”, quem quer que ganhe essa batalha estará perdendo.

– Qual você acha que é o melhor jeito de morrer?
– Não quero falar nisso.
– Por quê? Eu estou morrendo e você está morrendo.
Quando franzi as sobrancelhas, Kate insistiu.
– Está sim, – e então sorriu – eu só sou melhor do que você nisso. (Página 143)

 

Livro nos cinemas

Esse livro foi a base para um filme, no Brasil chamado “Uma Prova de Amor” com Cameron Diaz no papel de Sara, não sei dizer se o filme foi tão bem adaptado, o que é uma raridade hoje em dia, ou se a história é simplesmente ótima que pode ser contada em qualquer meio e ainda assim manter a qualidade. Esse é um caso raro onde uma adaptação de livro para o cinema não é medíocre.

Quem assistiu ao filme, não vai estranhar a forma com que a história é contada no livro, intercalando o presente com o passado, e cada capítulo sendo do ponto de vista de um personagem, ferramenta muito usada ultimamente.

Sabe aquela pessoa que está sempre ao seu lado, que nunca vai desistir de lutar por você, que é capaz de fazer tudo para te proteger e consegue se sentir culpada quando você faz algo errado e sofre as consequências? Sim, estou falando de nossas mães. Sara é uma mãe que não consegue aceitar o destino de sua filha e luta com tudo que estiver disponível para ganhar essa batalha. E você é capaz de culpa-la por isso?

Kate e Anna tem um irmão, Jesse, o garoto encrenca. Jessie é a ovelha negra da família, mora no apartamento em cima da garagem, bebe, fuma e pelo visto se droga. Mas isso não passa de uma película protetora que ele teve que vestir para sobreviver sendo o irmão de Kate e Anna, afinal ambas estão completamente envolvidas nesse drama familiar, e Jesse?

– Pai – eu disse – quando a gente vai?
Mas ele estava concentrado em juntar papel higiênico e enfia-lo debaixo do nariz de Kate.
– Pai? – repeti.
Ele olhou diretamente para mim, mas não respondeu. Seu olhar estava sem foco, me atravessando, como se eu fosse feito de fumaça.
Essa foi a primeira vez que achei que talvez fosse mesmo. (Página 257)

 

Personagens secundários e seus pontos de vista

O que achei mais incrível no livro é que os personagens secundários dessa trama tiveram seus passados bem relatados, como o advogado e a curadora ad litem de Anna. Com isso passamos a conhecer melhor eles e entender o porquê de determinadas decisões tomadas por eles.

Eu assisti ao filme a algum tempo atrás, e já esperava alguns acontecimentos do livro e na verdade me deliciei ao perceber que a adaptação foi muito bem feita. Mas o livro tem suas diferenças do filme, principalmente no final, eu demorei 3 dias para ler as últimas 10 páginas e me segurei para não colocar o livro no Freezer (Joey, Friends). Esse é mais um daqueles livros que quando termino a leitura, preciso de um tempo para começar a ler outro, preciso de tempo para controlar a represa que esse livro conseguiu abrir.

“Sou mãe, e o que tive que fazer como mãe nos últimos dezoitos anos é mais difícil do que qualquer coisa que já fiz em um tribunal. No começo da audiência, sr. Alexander, o senhor disse que nenhum de nós tem a obrigação de entrar em um prédio em chamas e resgatar alguém. Mas isso muda se você for mãe ou pai e a pessoa dentro do prédio for seu filho. Neste caso, não só todos compreenderiam se você entrasse para pegar seu filho… eles praticamente esperariam que você fizesse isso.”

 

Por Junior Nascimento

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