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Se vivêssemos em um lugar normal

Juan Pablo Villalobos é um escritor mexicano que atualmente mora no Brasil. Escreveu até o momento dois livros, Festa no Covil e Se vivêssemos em um lugar normal e, os dois fazem parte de uma trilogia a respeito do México. Juan possui um site pessoal e faz parte do blog da Companhia das Letras. Se quiser conhecer mais sobre o autor, recomendo ler seus artigos no blog.

Se vivêssemos em um lugar normal narra a história de uma família pobre do México (que se considera de classe média), o qual vive em uma casa do formato de uma caixa de sapato lá no Morro da Puta que Pariu. Orestes, o filho do meio dentre sete crianças, narra algumas lembranças de sua infância, mas com o seu ponto de vista atual, como adulto.

Orestes, Arquíloco, Clímaco, Electra e Aristóteles. Não, este não é um time de futebol, mas são alguns dos filhos citados os quais possuem nomes gregos por causa da paixão do pai pelo período helenístico. O pai é professor de educação cívica e a mãe, além de ser dona de casa, também é profissional em chorar enquanto faz seus afazeres domésticos, como ao preparar as quesadillas diárias, única opção para todas as refeições.

Na caixa de sapato há quatro sabores de quesadillas: a quesadilla normal, a quesadilla desvalorização, a da depressão crônica nacional e a de pobre. Todos os sabores dependiam da situação econômica do momento e, independente disto, cada membro da família desejava comer pelo menos mais uma dessas tortillas (não porque eram gostosas, porém não se tinha mais o que comer). Também havia a chance de alguém da família desaparecer, aí então a divisão de comida ficaria melhor.

O narrador conta outras histórias dignas a serem compartilhadas e faz o leitor pender entre sentimentos contraditórios: deve-se sentir pena ou deve-se rir das desgraças da família?

Juan Pablo Villalobos me faz lembrar Charles Dickens, escritor inglês do século XIX, o qual, por meio da ironia, fazia severas críticas sociais. Este livro faz rir e refletir e, graças aos minutos diários das viagens de metrô, terminei a leitura em três dias. É simplesmente delicioso e altamente recomendável.

Autor:

Uma jovem que estuda, trabalha e respira literatura. E sempre que possível está aqui para dar dicas de livros via internet.

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