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Ciclo do café: da colheita até a xícara

Do popular ao gourmet, ao extraforte. Neste post falaremos sobre o ciclo do café, da colheita até a xícara.

 

O café é uma das bebidas mais comercializadas no país: nem mesmo quando o orçamento acaba apertando, o povo brasileiro desiste de comprar o cafezinho. E a exigência por uma boa qualidade está sempre presente.

Mas, para identificar se o café é bom, é preciso, primeiramente, compreender tudo o que ocorre com ele antes de chegar à sua xícara para saboreá-lo.

Afinal, este processo influencia de maneira direta no resultado final da bebida. Por isto, entenda como ocorre o ciclo do café.

Lavoura

Todo o processo se inicia com a preparação do solo, o plantio, a adubação e o manejo das pragas e das doenças que podem afetar as plantas.

Uma das que ocasiona uma maior dor de cabeça ao produtor é a ferrugem do café, que é causada por uma espécie de fungo (Hemileia vastatrix), que de início ataca as folhas para depois disso atingir a planta por completo.

O plantio deve ser realizado no período das chuvas, que é quando o solo se encontra mais úmido. Logo depois são feitas a adubação (matéria orgânica e adubos minerais) e o processo de calagem (aplicação de calcário), como deve se apresentar com a análise do solo em questão. 

Os parâmetros do clima são os que mais acabam interferindo no processo de produção do café, isto pois eles acabam afetando no crescimento e no período de desenvolvimento das plantas de inúmeras maneiras: por exemplo, por meio de geadas e secas.

Florada

A flor é que origina o fruto, e que protege o desenvolvimento da semente. Café é o nome que recebe a semente do cafeeiro.

O segundo ciclo do café é aguardar a florada, que normalmente ocorre durante a primavera, no período entre o mês de setembro e novembro. Entretanto, pode acontecer mais de uma florada ao ano, e isto depende das características da cultiva e dos fatores ambientais, como a radiação solar, a temperatura do local, disponibilidade da água, etc.

Durante a abertura das flores no cafezal, ele fica muito bonito — repleto de delicadas flores brancas ao longo dos ramos — lembrando um véu de renda. 

Colheita

O período inicial da colheita dos grãos pode variar de acordo com o local, mas na média, essa colheita acaba acontecendo sete meses depois da floração.

No hemisfério sul, por exemplo, este período tem o costume de ocorrer dos meses de maio até setembro, enquanto nas regiões próximas à linha do Equador, a colheita pode ocorrer ao longo de todo o ano. A colheita do café pode ser feita de forma manual, com o uso de derriçadeiras portáteis ou mecanizada.

A secagem dos grãos também é um processo bastante importante e que acaba influenciando na qualidade final do produto.

Há três maneiras de fazê-la: secagem de maneira natural realizada em terreiros, secagem mecânica em secadores, secagem híbrida, onde se tem o terreiro e também contém um sistema que consegue ventilar ar aquecido.

Classificação

Ao fim da secagem, é realizado o quarto passo do cliclo do café: o beneficiamento dos grãos.

O objetivo dessa etapa é descascar o café em coco (seco e ainda com a casca) e reservar a casca e o pergaminho, dispensando as impurezas como terra, os torrões e as pedras ao máximo. A quebra de grãos deve ser a mais baixa possível.

Para poder ser comercializado, o café beneficiado precisa passar por mais uma etapa, que é o rebeneficiamento, que geralmente é feito nas cooperativas ou nas empresas. O objetivo dessa etapa é classificar os grãos pelo tamanho, por peso específico e pela cor e propriedade, elevando a qualidade dos lotes e dispensando os defeitos.

O café beneficiado é conhecido também como café verde e pode ser armazenado em sacarias de 60 kg, ou a granel, em big bags.

Torra

A torra do café pode ser dividida em 3 etapas:

  1. Desidratação: o grão de café acaba perdendo a umidade que ele ainda contém após o processo de secagem, em uma forma evaporada. É caracterizada por um bom salto na medida de temperatura;
  2. Reações intermediárias: acontece a quebra dos açúcares e também caramelização do produto, quando apreciamos aquele aroma agradável de amendoim e de nozes;
  3. Pirólise: Esta etapa acaba demandando mais energia para que aconteça uma formação de moléculas e de aromas mais complexas. Nela também é liberada bastante energia.

Quando feita de maneira certa, a torra acaba revelando toda a qualidade do grão e deixa a bebida com um sabor doce residual e muito agradável, finalizando, assim, o ciclo do café.

 

Referências:

https://www.graogourmet.com/blog/do-campo-a-xicara-conheca-a-trajetoria-do-cafe/

https://veja.abril.com.br/brasil/o-ciclo-do-cafe-da-colheita-para-a-xicara/

Luciana
Jornalista e editora, mestre em rádio e televisão.

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