Publicado em Clássicos da Literatura, Literatura Estrangeira

Sidarta

Hermann Hesse (1887-1962) foi um escritor alemão vencedor do prêmio Nobel em 1946. Hesse viveu algum tempo na Índia, e foi dessa experiência e conhecimento dos ritos orientais que escreveu uma de suas grandes obras – Sidarta (Ed Record).

O livro nos conta a história de Sidarta, um jovem filho de um sacerdote hinduísta (ou Brâmane). Belo e talentoso, Sidarta tem sede pelo conhecimento. Todos previam um futuro brilhante no jovem, que poderia se tornar um sábio entre os Brâmanes.

Mas seu desejo é se sentir saciado de conhecimento para que possa chegar à iluminação. Sidarta sentia que absorvia todos os ensinamentos que lhes passavam, mas, ao mesmo tempo, percebia que aquilo não lhe era suficiente. Com essa angústia aumentando, o jovem começou a questionar os rituais brâmanes, não sabia se esta era a forma correta de alcançar o nirvana. Após algum tempo, Sidarta decide sair pelo mundo em busca de sabedoria para alcançar seu objetivo.

Sidarta inicia sua peregrinação junto com seu amigo Govinda, se tornam um samanas, um grupo de pessoas sem residências, que vivem sem bem algum no mato, onde buscam a iluminação através do jejum. Com os samanas, os dois amigos aprenderão a filosofia dos samanas, que busca se tornar vazio de todas as formas de desejos e sentimentos, para acabar com o ego.

A peregrinação de Sidarta em busca do conhecimento o leva a diversos lugares. Com os samanas (que vivem solitários na selva), junto a um possível Buda, a separação do amigo, sua busca pelos prazeres da carne, o enriquecimento com o comércio e até a vida simples de barqueiro. Todo o percurso feito por Sidarta o faz perceber o certo e o errado.

Mas tudo que a personagem vive, será reavaliado pelo próprio Sidarta, que no seu âmago ainda deseja buscar uma resposta. Sidarta sempre se questiona se o que faz no momento é correto e, quando acredita que não está no caminho certo, muda a direção de sua vida. O livro é cheio de reviravoltas dadas pelo próprio personagem.

O livro é leve e ao mesmo tempo muito questionador. À medida que lia e via Sidarta reavaliando sua jornada comecei a questionar se os meus conceitos e minha própria jornada. Acredito ser difícil ler esse livro sem que, em algum momento façamos isso.

O que me surpreendeu no livro é que Hesse criou uma história profunda com texto simples e muito tranqüilo de ler (quando digo simples, que não percebemos confusão ou sentimentos que tornam a leitura parada ou perturbadora). Sidarta se mostra uma pessoa decidida, que sabe o que busca, mas que ainda assim se perde em alguns momentos.

Às vezes é difícil encontrar as palavras certas para descrever determinados livros por serem profundos demais e até mesmo ponderar sobre conceitos que o leitor acredita ter com precisão. Essa resenha não foi fácil, mas acredito que seja importante tê-la feita, pois livros como Sidarta, devem ser compartilhados.

Autor:

Uma jovem que estuda, trabalha e respira literatura. E sempre que possível está aqui para dar dicas de livros via internet.

3 comentários em “Sidarta

  1. Me emprestaram Sidarta pra ler ano passado, mas tinha tantos livros na frente que tive de devolver sem ler. Mas depois dessa resenha, vou dar um jeito de pegá-lo de novo! 😉

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