Publicado em Literatura, Literatura Estrangeira

Bom Dia Tristeza

Descobri Bom dia tristeza durante o trabalho. Depois de ler a sinopse você fica instigada com o livro e quer ler mesmo. Aproveitei esse desafio para finalmente ler Francoise Sagan. Comprei e li. Depois tive a curiosidade de ver os comentários que as pessoas fizeram do livro no skoob. Lá não encontrei muita coisa interessante, alguns comentam que chegaram ao final com a frase “é só isso”? Acham o livro curto, que poderia contar mais.

Uma pequena decepção que tive desses leitores. Esse foi o primeiro livro de Sagan, que poderia ser algo cheio de erros e uma forma de escrita talvez ainda não defina, sem traços próprios ou um objetivo definido. E foi aí que me surpreendi. Bom dia tristeza não é um livro grande, não contém centenas de páginas muito menos é uma novela de lágrimas, com personagens loucos que não sabem o que querem. Pelo contrário. É a história muito bem definida onde uma jovem relata um curto período da sua vida que fez toda a diferença.

Cecily é uma jovem que perdeu a mãe ainda pequena e seu pai a colocou em um colégio interno. Relação familiar ela só foi ter depois dos 15 anos, quando foi morar com o pai, no qual passou a ter laços fortes e uma relação de companheirismo forte. Para formar a família está a amiga de sua mãe Anne, que também é sua madrinha. Sua vida se transformou na vida do pai: festas romances curtos e nada de aços mais fortes com ninguém. Cecily gosta dessa vida e aceita os romances relâmpagos do pai.

Mas tudo muda em um determinado verão. Verão no qual Cecily relata no livro. Após ir à praia com o pai, Cecily se surpreende ao descobrir que o pai e a madrinha Anne irão se casar. Não acreditando que o pai será feliz assim, e que Anne não os deixará felizes, já que fará com que ambos mudem drasticamente suas vidas, decide terminar esse relacionamento. Com a ajuda de um vizinho e da ex-namorada do pai, procura arrumar um jeito de separá-los.

Cecily acredita que não está feliz com esta decisão e será mais infeliz ainda se seu pai se casar com Anne. Ela não é uma pessoa má, pelo contrário, mostra suas dúvidas e medos de fazer isso e se fazer ambos sofrerem mais. Mas continua com seu plano. O sofrimento não vem com a frustração do desejo, mas sim com o fim trágico que acontece. Cecily agora passa a levar consigo a culpa de algo que fez e destruiu a vida de alguém que ela amava muito.

Talvez esse curto livro, que só tem por objetivo relatar um verão, seja tão belo. Não tem objetivos grandes, não quer fazer uma personagem sofrer meses a fio e deixar o leitor angustiado. Sua leveza e o modo claro e simples de Sagan na hora de escrever que faz o livro ser belo e com uma mensagem maravilhosa.

Autor:

Uma jovem que estuda, trabalha e respira literatura. E sempre que possível está aqui para dar dicas de livros via internet.

28 comentários em “Bom Dia Tristeza

  1. Gostei bastante do seu blog, e principalmente dos temas, que pelo que vi envolvem literatura e cinema, passo varias horas em livrarias quando tenho tempo e acabo meioque escolhendo por sorteio oque vou ler… bem, sempre trago coisas boas, mas ficamos querendo sempre mais. descobri numa postagem anterior um desafio literario de ler um livro por mes durante o ano de 2010, achei uma otima ideia, e achoque vou participar ! espero poder compartilhar minhas esperiencias nesse aspecto, em janeiro li Caim e agora em fevereiro estou começando a elegancia do ouriço !
    parabens pelo excelente blog
    ibere

  2. Oi, Luciana. Obrigada pela resenha riquíssima. Também lerei o livro para o desafio e o seu comentário crítico da obra me deixou animada. Também quando li a sinopse me instigada a lê-lo.

    Òtima participação!

    Beijos

  3. Olá Luciana,

    Já li Bom dia Tristeza há muitos anos, e apesar de não lembrar dos detalhes lembro que fiquei com a impressão que Cecily e o pai não eram felizes, e faltava a eles um pouco de estabilidade emocional que Anne poderia ter proporcionado.

    Ao final da história, tive a impressão que eles simplesmente varreram todo aquele verão para baixo do tapete e continuaram sua vida superficial e agitada para evitar pensar no assunto. Mas ela deve ter sentido remorsos, não?

    Uma história muito boa; agora fiquei com vontade de reler o livro! Você já assistiu ao filme, com David Niven e Jane Seberg? É muito bom, e bem fiel ao livro.

    Grande abraço!

  4. Terracota, concordo muito com sua visão. A propria Cecily afirma que aconteceu exatamente como ela imaginava: seu pai voltaria a vida antiga normalmente.

    MAs não posso deixar de perceber que a tristeza, o remorso e auqele gostinho do “e se ela estivesse conosco” foi ignorado, pq ele está ali. Este é o motivo do livro ter esse nome.

  5. fiquei curioso com sua resenha, eu confesso que só tinha ouvido falar mal desse livro, agora eu talvez arrisque a leitura.

  6. UHUUU…Comprei hoje este livro,mas só conseguirei le-lo daqui um ou uns meses…( droga não? )

    Luciana, iniciei hoje a publicação de um livro ( romance ) ainda não publicado, mas que achei muito, muito bom… se tiver um tempinho seria muito bom ter sua opinião no post..

    grande abraço

  7. Oê!!!
    Tinha achado seu blog faz um tempinho e gostei muito das suas resenhas. Já é minha leitura sempre que te posts novos.
    Sobre o livro: achei interessante, apesar de não curtir muito esse tipo de livro, estou buscando outros tipos de leitura e me inspiro nas resenhas para lê-los. Ótima resenha, faz querer ler!
    Abraços!!

  8. Por isso que sou muito criterioso qto a aceitar opiniões alheias sobre recomendações de leitura. Devido a singularidade de cada indivíduo, como confiar no gosto da pessoa “x”?? O negócio é cair de cabaça na leitura e tirar nossas proprias conclusões ; )

  9. em parte eu concordo com vc guttwein, mas percebi que quando se acha pessoas que tem um gosto proximo dos nossos, da pra confiar na indicação.

  10. Adoro um post que fala de livro. Mais ainda quando ele ainda não faz parte da minha listinha, porque ela sempre aumenta! E compartilho contigo a decepção de perceber a falta de compreensão dos que [descuidadosamente] leem grandes e talvez curtas histórias.

    Acho que um dos livros mais densos que li foi o curtíssimo “Água Viva”, da Clarice Lispector. A capa engana. A falta de imensidão de páginas também. Tudo ali é muito superlativo.

  11. Olá, vindo aqui pela primeira vez e surpreso (mesmo) com a qualidade da resenha que você fez, não conheço o livro e muito menos a autora, mas sua resenha me deu um comichão, votnade de conhecer o livro, o ler, devorar, enfim, muito bom o post. braços e boa semana

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